CINEAMAZÔNIA

Um barracão lotado de crianças ansiosas. Antes mesmo de chegar ao espaço onde improvisa seu próprio picadeiro, o palhaço Xuxu é cercado por meninos e meninas. Interage com elas, posa para fotos, tenta aliviar o susto que crianças de colo têm ao olhar para aquele homem maquiado de branco, cabelos amarelos e nariz vermelho.

Xuxu instiga e reage. Senta junto ao público enquanto espera os últimos ajustes de som. As crianças se aproximam. Xuxu olha para uma mulher de cabelos brancos, sentada próxima a ele. “A senhora está solteira?”, pergunta. A mulher ri. Xuxu olha para um casal. Foca no homem. “A tua cara é assim mesma? Mas que coisa, uma mulher jeitosa dessa com um bicho feio assim. Alguma serventia esse cabra tem de ter”.  Os dois riem.

Xuxu olha para os técnicos de som. Está tudo pronto. Xuxu levanta, as crianças correm para suas cadeiras. O palhaço se detém diante do público. “Silêncio total”, diz. E o espetáculo começa

Xuxu é o personagem que acompanha o ator Luiz Carlos Vasconcelos desde o final dos anos 1970. Na segunda noite do Cineamazônia 2016, em novembro passado, o palhaço fez a alegria de dezenas de pessoas no bairro Ayrton Senna, uma comunidade da zona leste de Porto Velho, encerrando a programação Cinema no Circo.

O espetáculo ‘Silêncio Total’ é o carro chefe desse palhaço cidadão, como gosta de se referir a ele, Luiz Carlos Vasconcelos. E a programação sempre é uma das mais esperadas pelo público. A cada edição o Cineamazônia vai até um bairro afastado do centro e leva cinema e circo a um público com acesso restrito a essas duas formas de arte.

Sete curtas-metragens foram exibidos no bairro Ayrton Senna. Não fazem parte da mostra competitiva do festival, mas integram as mostras paralelas promovidas pelo Cineamazônia.

É uma forma de democratizar o acesso à cultura e dar um retorno dos recursos investidos para viabilizar o festival. “Isso faz parte da cultura do BNDES”, disse a representante do banco, Renata Riski, ao constatar o sucesso da programação no bairro.

Enquanto Xuxu soltava as amarras do riso na comunidade, o Teatro Banzeiros, no centro de Porto Velho, iniciava as mostras competitivas.

Quatro filmes foram exibidos, inclusive com um concorrente rondoniense, o curta “Augusto”, de ‘Augusto’, ficção de Pedro Pereira. Além deles foram exibidos ‘O Mal’, animação paranaense de Carlon Hardt; ‘Catatumbari’, filme venezuelano de Oriana Contreas e ‘Martírio’, longa documentário de Vincent Carelli.