LÚCIO ALBUQUERQUE

Parece brincadeira, mas é a pura verdade: vereadores dizerem que foram “enganados” pelo chefe de gabinete da prefeitura na questão dos quinquênios é mesmo uma espécie de “brincadeira de mau gosto”, ainda mais porque, alegam alguns, colocaram uma folha de papel pelo meio dos projetos e era aí que reinava o “perigo” que acabou em toda essa patuscada onde, agora, tentam alguns aparecer de “inocentes” quando, em realidade, são culpados.

O costume de legislativo votar matérias sem que seus componentes – acontece muito também na Assembleia Legislativa – tenham conhecimento real do sobre o que estão decidindo não é novidade.

Teve de tudo: vereadora líder sindical que viajou e “voltou correndo”, de avião, uma figura pelo menos interessante porque é difícil alguém “voltar correndo” num aparelho inventado por Santos Dumont , vereador que mudou o voto, outros que se arrependeram, enfim, talvez seja a síndrome do período momesco, com a Câmara brincando com coisa séria. E bem que o vereador Palitot alertou seus pares.

De tudo isso fica uma dura lição para os vereadores que se envolveram nessa patuscada e, mais ainda, ao presidente Maurício Carvalho, a quem coube a responsabilidade de colocar em votação um projeto que, conforme seus pares, não passou em comissões técnicas.

Em início de mandato, que o fato sirva de lição, ainda que agora seja uma amarga lição para servidores municipais que, sob alegação de redução de custos do município, estão sendo podados em direitos adquiridos e, atenção: isso pode se espraiar no Estado em cuja Assembleia Legislativa é muito comum, como fizeram os edis, aprovar matérias sem que ninguém saiba nem em que se está votando.

Os vereadores dizem que levaram um golpe no caso dos quinquênios. Mas, convenhamos, esse 171 é o mesmo que o eleitor leva, em toda eleição daqueles mesmos que, n o caso presente, estão agora reclamando tentando passar por vítimas.

Jornalista, escritor, presidente da Academia de Letras de Rondônia (Acler).