José Hiran da Silva Gallo

Por Hiran Gallo* – A notícia da confirmação do primeiro caso de paciente contaminado pelo coronavírus no Brasil ocupou boa parte do noticiário nesta semana. O Ministério da Saúde ágil rápido e procurou esclarecer todas as dúvidas relacionadas ao assunto, mas mesmo assim houve espaço para especulações, sobretudo, na zona incontrolável das redes sociais, vulnerável às notícias falsas e distorcidas.

Como médico, antes de tudo é importante destacar que não há motivo para pânico. As autoridades sanitárias brasileiras e no mundo estão tomando todas as medidas necessárias para controlar o avanço desse vírus que, segundo as primeiras análises, tem uma letalidade muito menor do que a observada em outros da mesma família.

Dados apontam que a taxa de letalidade do novo coronavírus é de aproximadamente 2%. A do vírus causador da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) é de 10% e a do responsável pela Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) de mais de 30%. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem afirmado que 80% dos casos desenvolvem formas leves da doença, o que reduz a preocupação com o aparecimento com quadros graves.

Evidentemente, trata-se de uma doença nova, com características específicas, que merece ser bem monitorada pelos cientistas e outros pesquisadores na tentativa de criar formas de contê-la. Mas, à primeira vista, não se vislumbra um cenário apocalíptico. Ou seja, o momento é de cautela, seguindo as orientações repassadas pelas equipes do Governo que estão trabalhando diuturnamente.

Isso implica no dever de cada pessoa incorporar à rotina medidas simples, como as destacadas a seguir, que fazem a diferença, como: lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel; cobrir a boca e o nariz com o braço flexionado ao espirrar ou tossir; evitar contato próximo com qualquer pessoa que tenha febre ou tosse; procurar ajuda médica se tiver febre, tosse e dificuldade para respirar e compartilhe seu histórico de viagem com profissionais da saúde; evitar contato direto e desprotegido com animais vivos ao visitar mercados nas áreas afetadas pelo vírus; e evitar comer produtos de origem animal (crus ou mal cozidos) tendo cuidado ao manusear carne crua, leite ou órgãos de animais, que podem conter vírus.

É também fundamental somente compartilhar informações de fontes confiáveis, disponíveis em sites do Ministério da Saúde, de Secretarias de Saúde, de entidades de classe e de veículos da imprensa reconhecidos pela sua credibilidade. É um dever não repassar notícias falsas, mesmo aquelas aparentemente cômicas e inofensivas. Nesse momento, a informação correta, impede pânico e confusão, o que ajuda a salvar vidas e proteger a saúde.

Contudo, a pontos que merecem ser acompanhados para assegurar que a prevenção e o combate ao coronavírus será exitoso no Brasil. Em primeiro lugar, o Governo – nas suas três esferas de gestão (federal, estadual e municipal) – deve manter seus serviços de vigilância epidemiológica e sanitária em alerta com o objetivo de impedir ou, ao menos, retardar o aparecimento de novos casos do COVID 19 no País.

Para tanto deve garantir o pleno funcionamento da vigilância sanitária em portos, aeroportos e fronteiras, bem como na etapa de busca de pessoas que tenham mantido contato com casos suspeitos ou confirmados, o que ajuda a aumentar as chances de bloqueio a uma possível expansão do vírus.

Também cabe ao Governo também promover campanhas de esclarecimento junto à população, mantendo-a bem informada e orientada sobre os procedimentos corretos a serem tomados, e providenciar infraestrutura para atendimento e tratamento de casos suspeitos e, eventualmente, confirmados.

Da mesma forma, as autoridades devem fornecer às equipes de saúde Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), assim como treinamento e material de apoio para o desenvolvimento de suas ações, como garantia de acesso a exames para diagnóstico, leitos (de internação e de UTI), medicamentos e outros insumos.

Finalmente, aos médicos, em especial ao de Rondônia, vai um pedido: tenham atenção redobrada nas suas atividades, nos diferentes níveis de atenção (básica, média e alta complexidade), para esclarecer a população e agir de forma rápida na identificação de casos suspeitos, encaminhando-os para as áreas de observação e tratamento. Esse esforço vale para atendimentos realizados tanto na rede pública quanto privada.

Além disso, como agentes fundamentais ao atendimento da população, os médicos precisam auxiliar o aperfeiçoamento das medidas de prevenção, diagnóstico e tratamento do COVID 19, acionando as autoridades competentes para corrigir eventuais falhas em fluxos assistenciais ou providenciar o suprimento de exames, equipamentos, insumos, medicamentos ou mesmo de profissionais nas equipes de retaguarda, em caso de falta.

Assim, com a união de esforços, o País conseguirá superar mais essa ameaça.

 

 

 

*Diretor-tesoureiro do Conselho Federal de Medicina; Pós-doutor e doutor em bioética