Cacoal volta ao noticiário nacional. Um avião clandestino caiu perto do aeroporto da cidade carregado com 423 quilos de cocaína

Sérgio Pires

OPINIÃO DE PRIMEIRA – Rendeu muito, durante a semana, a questão da construção das pontes sobre o rio Mamoré, na divisa com a Bolívia. Até um incidente internacional esteve prestes a acontecer, porque a presidente interina da Bolívia (tem eleição em novembro), Jeanine Añez, recebeu a informação, truncada, claro, de que o presidente Bolsonaro teria recuado na construção da ponte em Guajará-Mirim e protestou. Lideranças empresariais da fronteira, mas também de outras regiões do nosso mais próximo vizinho, recorreram à Presidente, alegando que o governo brasileiro estaria propenso, pelo que depreenderam das declarações do Presidente da República, a não construir mais a ponte em Guajará-Mirim. Foi o que “traduziram” da rapidíssima entrevista de Bolsonaro ao seu amigo Fábio Camilo, aquele radialista que dava muita atenção a ele, quando era do baixo clero na Câmara e, agora, colhe os frutos de uma antiga amizade, fortalecida nos corredores do Congresso, com quem se tornou Presidente do Brasil. A verdade é que, no episódio, tudo não passou de um grande série de interpretações erradas. O próprio Bolsonaro divulgou um vídeo, explicando o assunto. Quando questionado por Camilo sobre a ponte em Costa Marques, o presidente pediu que o assunto fosse encaminhado ao ministro da Infraestrutura, Tarcízio  de Freitas, via bancada federal. Pareceu que o Presidente estaria tirando da discussão a ponte em Guajará-Mirim. Tudo confuso, tudo mal conduzido. Depois das explicações, ficou claro. Bolsonaro quer sim cumprir os acordos internacionais para a ponte Guajará-Mirim/Guayeramerim; não vai tomar qualquer decisão sem ouvir o governo boliviano; não disse que a ponte em Costa Marques sai ou não sai, apenas passou o assunto para seu ministro e a bancada rondoniense. No final, tudo ficou claro. A presidente Jeanine Añez certamente ficou satisfeita com as explicações. Quando a ponte vai sair? Isso ninguém sabe. Mas que ela está projetada e tem um custo estimado hoje, em mais de 150 milhões de reais, isso tem!

A bancada federal também entrou no embróglio. Citada pelo Presidente, na resposta ao radialista rondoniense, senadores e deputados emitiram nota oficial, assinado pelo coordenador, o deputado federal Lúcio Mosquini, dando todo o apoio à construção não só da ponte em Guajará-Mirim, como também a de Costa Marques. Na nota, os parlamentares afirmam que não têm mais recursos de emendas para uma obra de tal vulto; reconhecem as dificuldades financeiras pelas quais passa a União, mas deixam claro: “os deputados federais e senadores de Rondônia reafirmam sua posição à construção das duas pontes, caso isso seja viável”!. A verdade é que o acontecimento, apesar de eivado de mal entendidos, serviu para ressuscitar um assunto importante: a ligação, por terra, da Rondônia brasileira com nossos vizinhos boliavianos, uma promessa centenária que até agora não cumprimos. Há males que vêm para o bem: a ponte voltou à pauta. Finalmente!

CACOAL REPETE GLAUCIONE CONTRA FÚRIA

Muda tudo no cenário da disputa municipal em Cacoal. O jovem deputado Adailton Fúria, em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa, voltou atrás na sua decisão e agora anuncia que vai concorrer novamente à Prefeitura da sua cidade. Embora esteja afirmando que tomou a decisão porque não estaria de acordo com a forma como a cidade vem sendo administrada, a verdade é que ele se põe, outra vez, como principal adversário da prefeita Glaucione Rodrigues, do MDB. Fúria está hoje no PSD. Na eleição passada, ele teve 29,3 por cento dos votos válidos (12.8790 votos), enquanto Glaucione foi eleita com 44,9 por cento (19.715 votos). Há outras pré-candidaturas postas, mas, até o momento, são os dois que têm chances reais. A deputada Jaqueline Cassol, que tem seu domicílio eleitoral na cidade, está sendo instada a entrar na disputa, mas ao que tudo indica, ficará fora dela. Glaucione, que estava nadando de braçada na corrida pela reeleição, agora terá um adversário muito forte pela frente.

A COCAÍNA VOA SOBRE RONDÔNIA

Aliás, Cacoal voltou ao noticiário nacional, nessa semana e, infelizmente, por questões da área policial. Um avião clandestino, sem sequer algum prefixo, caiu perto do aeroporto da cidade. Ele transportava 423 quilos de cocaína. Os tripulantes fugiram e não foram localizados pela Polícia Federal, que os caçaram por toda a região. Voos clandestinos, para transporte de grandes quantidades de drogas, continuam ocorrendo em toda a região de fronteira, mesmo com a constante fiscalização dos aviões tucanos da Base Aérea de Porto Velho. Aviões de traficantes têm sido constantemente interceptados e muitas prisões e apreensões de drogas têm sido feitas. Mas há casos em que, conhecendo rotas que estão fora da atuação da Força Aérea, os traficantes continuam trazendo centenas e centenas de quilos de droga, principalmente da Bolívia. O caso de Cacoal é apenas mais um, nesse contexto.

O LOBO GUARÁ CHEGA AOS BOLSOS DO BRASILEIRO

Desde a manhã da quarta-feira, começaram a circular as novas notas de 200 reais. Com a figura do lobo guará, escolhida em votação popular, as novas notas chegam aos bancos e, a partir de agora, um total de 450 milhões de notas de 200 reais serão impressas pela Casa da Moeda. O Banco Central lembrou que há quase duas décadas – 18 anos, para ser mais exato – nenhuma nova nota de real foi lançada. Foi a de 20 reais, que continua sendo usada e é de grande utilidade. O objetivo das notas com valor bem mais alto do que a maior que existe atualmente – a de 100 reais – é diminuir as transações feitas com dinheiro vivo, economizando com impressão de papel moeda. O lobo-guará, símbolo da fauna brasileira na nota de 200 reais, é uma espécie de canídeo endêmico da América do Sul e único integrante do gênero Chrysocyon. Provavelmente, a espécie vivente mais próxima é o cachorro-vinagre. Ocorre em savanas e áreas abertas no centro do Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia, sendo um animal típico do Cerrado. É um animal que corre o risco de extinção.

AULAS PRESENCIAIS: NOVA DATA É 3 DE NOVEMBRO

Há poucas chances de que o ano letivo em Rondônia possa voltar, antes do final do ano. O novo decreto do governo (que, aliás, colocou sete municípios de volta à Fase 1 na guerra ao coronavírus), mudou novamente a data para reinício das aulas presenciais. É a terceira vez que a data é remarcada e, ainda assim, não há certeza de que as aulas podem voltar ao normal em 3 de novembro próximo, conforme determina o novo decreto. A decisão vale para escolas públicas municipais e estaduais, mas também para toda a rede privada. Desde março, as aulas presenciais estão suspensas em escolas, centros educacionais e até universidades de todo o país, em razão da pandemia da covid-19. Obviamente que a decisão do governo rondoniense é de bom senso. O que é sem noção é a forma como muitos pais, que não mandam seus filhos para a escola, os levam para festas, aglomerações, banhos, jogos clandestinos de futebol e outras formas em que o vírus pode tomar conta e acabar até matando.

CORONA AUMENTA E SETE CIDADES VOLTAM À FASE 1

O novo decreto do governo rondoniense coloca sete cidades de volta para a Fase 1, por causa do aumento de casos do coronavírus. Ji-Paraná, Pimenta Bueno, Espigão do Oeste, Alta Floresta, Presidente Médici, Cerejeiras e Chupinguaia. As demais 45 comunidades, incluindo Porto Velho, se mantém na Fase 3, ou seja, com praticamente todos os setores funcionamento, com exceção dos exageros da aglomeração e da falta mínima de cuidados. Os casos da doença continuam aumentando no Estado, principalmente no interior. De terça para quarta-feira, foram 643 novos casos, dos quais 188 em Porto Velho. Mais seis pessoas perderam a vida, todas no interior. Agora, Rondônia já registra um total de 1.161 óbitos, desde o início da pandemia. Do total de 56.411 contaminados, 47.439, ou quase 85 por cento  já se recuperaram. Nos hospitais e UTIs, 352 pessoas estão internadas. A cada dia que passa, a doença atinge mais gente.  Precisamos, todos, continuar mantendo o distanciamento, dentro do possível e todos os cuidados que os órgãos de saúde nos determinam, até que cheguem as vacinas.

AVANTE CONFIRMA BRENO MENDES NA TERÇA

Na próxima terça-feira, dia 8, o Avante, uma das novas siglas no tabuleiro de partidos sem fim da política, oficializa o nome do jovem advogado Breno Mendes como seu candidato à Prefeitura de Porto Velho. O partido, presidido no Estado pelo deputado estadual Jair Montes, vai se aliar a outra nome novo, o do Patriotas, comandado por outro deputado estadual, Marcelo Cruz, que indicará o vice na chapa. O nome do companheiro de Breno Mendes ainda não foi definido e provavelmente só o será durante a convenção. A convenção terá uma sede (avenida Presidente Dutra, 2821), mas os convencionais vão participar apenas pela internet, à distância, para que se mantenham todos os protocolos de segurança contra o coronavírus. A forma de acesso será através do app Zoom. A convenção vai apresentar também a relação dos candidatos do Avante à Câmara de Vereadores. Com o slogan “Fiscal do Povo!”, Breno Mendes entra como um cara nova na política e anda esperançoso, até porque seu partido diz ter pesquisas infernas que o colocariam em boa posição para a disputa.

AGRONEGÓCIO: SALVAÇÃO DA NOSSA ECONOMIA!

As riquezas que o agronegócio representa, trazem a toda a região norte, mas especialmente a Rondônia, imensos e cada vez maiores avanços. Tivéssemos um sistema mais fácil de escoamento, já que a BR 364 é um verdadeiro funil para o transporte de nossas riquezas, estaríamos em situação ainda melhor. Para se ter ideia do que estamos produzindo, a previsão é de uma safra de mais de 1 milhão e 600 mil toneladas de grãos, com destaque para a soja. E ainda temos café milho e feijão, cujas plantações se ampliam todos os anos, com resultados cada vez mais positivos. Ao mesmo tempo, nossa carne amplia cada vez mais seus mercados, com grande perspectiva de que em breve ela comece a abastecer os países da União Europeia, o que abrirá um novo leque de faturamento para o setor. Rondônia, aliás, chega a 14 milhões de cabeças de gado, todas alimentadas sem produtos químicos, o que dá a “carne verde”, cada vez mais procurada no mundo inteiro. Graças ao agronegócio, estamos passando pela pandemia sem uma tremenda crise econômica. Pelo contrário: estamos bem longe disso.

PERGUNTINHA

O que você achou da votação de 14 votos a favor e apenas um contra, no STJ, que acabou afastando o governador carioca Wilson Witzel por seis meses do cargo, por suspeita de corrupção?