Turismo – Berço do islamismo, o rico reino da Arábia Saudita passa por um lento e cuidadoso processo para deixar de ser um dos países mais fechados do mundo. Essa abertura inclui a ampliação dos direitos civis dos sauditas, especialmente das mulheres, e a permissão para o turismo de pessoas não muçulmanas. Apesar de não estar entre os países de onde já se pode pedir o visto on-line, o Brasil também ganhou o direito de mandar visitantes para essa monarquia absolutista. Mas, antes de começar a olhar o preço da passagem, saiba: a viagem é um legítimo choque de cultura para o brasileiro

As diferenças principais estão nos costumes. Muito do que é considerado normal e prazeroso no Brasil é proibido na Arábia Saudita. Para começar, a venda e consumo de qualquer bebida alcoólica, ainda que em local fechado e privado, é crime. As regras de vestimenta são rígidas e, apesar do calor, mesmo homens não devem usar roupas que deixem o corpo à mostra. Bermudas, por exemplo, não são proibidas, mas não pega bem usá-las. É vetado aos homens abordar – e sobretudo tocar – mulheres desconhecidas.

Também é proibido fazer proselitismo de religiões que não sejam a islâmica – o que inclui, por exemplo: usar uma camiseta com uma imagem sacra; beijar em público (mesmo casais casados); e usar linguagem profana (e o que é isso? A polícia local vai julgar). O veto para o sexo fora do casamento, aparentemente, não vale mais para estrangeiros em visita, mas essa é uma das mudanças que ainda estão em uma zona cinzenta. Já no caso de relações homossexuais, não há dúvidas: são proibidas e punidas com um bom tempo de cadeia (ou castigo pior).

Então, por que ir?

Se a Arábia Saudita é um lugar tão rígido e tão oposto ao Brasil, por que então o site  Metrópoles publicaria uma reportagem sobre a abertura do turismo para um lugar como esse? Porque uma das grandes graças de viajar é ter a oportunidade de conhecer o diferente, ué!

O país desértico nunca esteve na minha lista de interesses turísticos, mas uma visita a trabalho, acompanhando a agenda do presidente Jair Bolsonaro em outubro deste ano, me deu a oportunidade de conhecer um pouco mais da história árabe, um povo acolhedor e curioso, cenários deslumbrantes e uma culinária deliciosa (finalmente, adjetivos que são vistos mais rotineiramente em reportagens de turismo).

Meu relato é limitado porque, de um país maior do que o estado do Amazonas (são ao todo 2.150.000 km²), conheci apenas a capital, Riade. A cidade vale uma visita por si só, mas viajantes que vão até o outro lado do mundo também podem esticar a programação para experiências no deserto e visitas a sítios arqueológicos de civilizações antigas. As cidades sagradas do islamismo, porém, permanecem fora dos limites para quem não segue a religião. Se você não é muçulmano, portanto, não tenha esperança de conhecer Meca ou Medina.