PORTO VELHO – Onze agentes estão presos por envolvimento com o tráfico de drogas dentro do Presídio Ênio Pinheiro, em Porto Velho. Em operação nesta quinta-feira (9), a desarticulou um grupo de pessoas, emitindo 26 mandados judiciais, inclusive de prisão preventiva contra agentes penitenciários e apenados. Segundo o secretário de Segurança, Defesa e Cidadania, coronel Lioberto Caetano, a ação de governo volta-se para o combate  ações criminosas no sistema prisional.

Caetano explicou que as investigações que resultaram na deflagração da Operação Meganha iniciaram há um ano e meio. “O trabalho da Polícia Civil é uma ação governamental para resolver problemas do sistema penitenciário”, disse o secretário durante entrevista a jornalistas da capital.

O secretário também destacou que as investigações concluíram que houve desvio de conduta da parte de alguns agentes penitenciários.

Secretário de Segurança, coronel Lioberto Caetano (c); ao seu lado, a delegada Ingrid Brandão

A Operação Meganha foi executada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Foram mobilizadas quase 50 equipes com 200 policiais civis, além de 20 delegados. A Companhia de Operações Especiais, da Polícia Militar, atuou para manter a segurança dentro do presídio.

Os mandados judiciais cumpridos resultaram na prisão de 11 agentes penitenciários lotados ou que já atuaram no Presídio Ênio Pinheiro. A Justiça também determinou o afastamento de outros seis agentes.

Os servidores, por medida de segurança, foram encaminhados para o Centro de Correição da Polícia Militar, onde aguardarão o desenvolver do inquérito e instauração de processo no Judiciário.

O monitoramento realizado nas investigações apontou casos de favorecimento de apenados em transferência de unidades prisionais e saída das unidades sem o cumprimento das medidas de segurança. Houve ainda, conforme ficou apurado, situações em que apenados dirigiam carros dos servidores, transportavam filhos de servidores para escolas ou iam juntos restaurantes.

CHURRASCO

Outro fato apontado pelos investigadores foi a facilitação da entrada de bebidas e até realização de churrasco, dentro do presídio, com a participação de apenados e agentes penitenciários.

Segundo o diretor-geral da Polícia Civil, delegado Eliseu Muller, entre os agentes penitenciários presos alguns já respondiam processo administrativo disciplinar, inclusive com pedido para que fossem demitidos. Outros seis devem ser afastados dos cargos por determinação judicial.

Muller também destacou que foram identificados vários núcleos na organização criminosa. O grupo tinha como foco principal o tráfico de drogas, e para este objetivo praticava outros atos ilícitos como o furto e roubo de veículos.

A delegada Ingrid Brandão, da Draco, que também participou das investigações, informou que os presidiários beneficiados tinham estreita relação com os agentes públicos. Em alguns casos, afirmou, não foi possível estabelecer o que levou os apenados a oferecerem tantos benefícios aos servidores.

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