PORTO VELHO – O presidente do Sistema Fiero, Marcelo Thomé propôs nesta quinta-feira (10), durante o Seminário Florestal Rondônia superando desafios, maior atenção de órgãos federais, estaduais e municipais, fundações, institutos e organizações não governamentais ao futuro do setor. “O potencial de nossa economia florestal está se exaurindo em atividades clandestinas em nossos parques (federais e estaduais), florestas nacionais, reservas e áreas protegidas”, lamentou.

“Com determinação e ações planejadas Rondônia será capaz de dar exemplo ao mundo em exploração sustentável de seus recursos naturais, com plena preservação e conservação dos seus biomas”, assinalou.

Ele propôs ainda um inventário das reservas florestais da região para a identificação do potencial econômico ainda inexplorado. Resinas, fibras e essências extraída deste meio são fartamente utilizadas nas indústrias de fármacos e cosméticos, lembrou.

Paralelamente, recomendou a regularização fundiária de áreas já ocupadas e produzindo, mas cujos donos ainda não contam com o título de posse ou escritura.

Levantamento da Fiero indica que a economia florestal proporciona mais de 30 mil empregos e mais de R$ 700 milhões, números que fortalecem o Produto Interno Bruto (PIB) do estado.

Já o governador Confúcio Moura defendeu a modernização legislação vigente para viabilizar essa nova frente econômica e pediu propostas inovadoras. Segundo ele, o assunto será novamente tratado em maio deste ano, quando virão a Rondônia governadores dos estados da Amazônia Legal, incluindo o Maranhão.

Chagas Neto (2º da esq. para a dir.), Marcelo Thomé, o governador Confúcio Moura e o ex-governador José de Abreu Bianco, assessor de relações institucionais da Fiero /Foto Assessoria

O evento teve a parceria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), governo estadual e Ibama.

O empresário Chagas Neto, do Conselho Representantes da Fiero, destacou a atuação de Thomé e elogiou a iniciativa de promover o diálogo do segmento da madeira com o governo estadual.

“Por meio da CNI, a Fiero trouxe especialistas para apresentar temas de relevância e de interesse do setor. Acreditamos que novos caminhos serão abertos para a retomada do desenvolvimento e do reconhecimento da importância da contribuição da indústria madeira para a economia”, comentou Chagas.

A primeira parte do seminário contou com palestras e painéis, entre eles: Agenda Florestal – Florestas e indústria; Agenda do Desenvolvimento, apresentado pelo especialista da Gerência Executiva do Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Mário Cardoso; e Desafios ao fortalecimento do manejo florestal sustentável (Florestas Nativas).

O diretor de Concessão Florestal e Monitoramento do Serviço Florestal Brasileiro, Marcus Vinicius da Silva Alves falou de concessões florestais e o secretário estadual do Desenvolvimento Ambiental, Vilson de Sales Machado, abordou concessões de florestas estaduais.

O coordenador geral de Autorização do Uso da Flora e Floresta do Ibama-RO, André Sócrates de Almeida e o coordenador de Uso Sustentável dos Recursos Florestais, Paulo Vinicius Braga Marinho falaram sobre o Sistema de Controle de Origem de Produtos Florestais (Sinaflor).

O vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade e representante regional do Sistema Fiero no Conselho Estadual do Meio Ambiente, Ivandro Justo Behenck destacou a visão global do segmento, a indústria de base florestal nacional, sua exportação e reflexos na economia.

O Instituto Florestal Brasileiro mencionou as licitações nas reservas estaduais e federais e os bons exemplos da Flora Jamari, que conseguiu manter a floresta. Falando de reservas estaduais, Vilson Machado disse que o governo preocupa-se em viabilizá-las, tanto para a exploração de manejo florestal sustentável madeireiro ou não madeireiro.

Resina de pinus, riqueza de Vilhena vendida para o estado de São Paulo /Foto Rosinaldo Machado

Behenck considerou produtivo o debate: “O Brasil  precisa achar seu foco na questão da produção florestal. Muitos eventos foram realizados, porém este seminário partiu do interesse do governo estadual, que quer conversar e ouvir o setor e estreitar o relacionamento promovendo o diálogo franco, direto e aberto e dirimir os gargalos”, explicou.

O vice-presidente do Conselho de Representantes do Sistema Fiero e representante da instituição no Conselho Nacional do Meio Ambiente, Paulo Jair Kreuz, acrescenta que o encontro aconteceu “graças ao apoio do presidente Marcelo Thomé, CNI e o governo estadual”.

Na segunda parte do seminário, à tarde, o superintendente do Incra-RO, Cletho Muniz Brito falou sobre a Legalização Fundiária e abordou a questão referente àqueles que não têm documentos da propriedade e precisam de regularização tanto para produzir madeira reflorestada ou preparar um projeto de manejo nas reservas legais. Este é um ponto de interesse cujo debate precisa ter continuidade para ser resolvido.

Outro aspecto: a agregação de valor e a criação de produtos para o mercado. O Senai do Acre com seu laboratório prepara e pesquisa um produto e o entrega pronto para a indústria. A apresentação foi feita pelo diretor regional do Senai-AC, João César Dotto, que discorreu a respeito das contribuições do Instituto Senai de Tecnologia Madeira Móveis para a região Amazônica.

O futuro das florestas plantadas em Rondônia – Politica agrícola para florestas plantadas foi o tema do representante do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Gustavo Henrique Firmo Araújo. Finalizando o ciclo de palestras, o coordenador de Florestas Plantadas da Sedam-RO, Edgar Menezes Cardoso falou da Política Agrícola de Rondônia para o setor.