A propagação industrial e massiva das informações falsas ameaça a democracia e a vida

PORTO VELHO – Estudantes e professores de jornalismo, ciências sociais, biblioteconomia e outros cursos da Unir em Porto Velho, além de secundaristas, participaram da conversa sobre Fake News: democracia e imprensa, na noite desta quinta-feira, 19. O debate aconteceu no auditório da Unir Centro. Os presentes ouviram que a propagação industrial e massiva das informações falsas ameaça a democracia e a vida dos alvos desses ataques, principalmente com constantes ataques ao jornalismo.

O evento foi proposto pelos professores, do curso de ciências sociais e de jornalismo, com a mesa composta pelo professor Vinicius Miguel e Sandro Colferai e mediada pelo professor Allysson Martins, ambos do curso de jornalismo. Os docentes apresentaram um pouco do conhecimento produzido em torno da desinformação no país, sobretudo em questões jornalísticas e jurídicas.

“Mais do que uma mentira, a fake news é uma verdade autossuficiente”. Esta foi a frase que o professor Sandro Colferai utilizou para definir o fenômeno da divulgação e aceitação das informações falsas. Para Colferai, a simples criminalização não é uma saída eficaz para evitar a disseminação de fake news, especialmente porque pode significar um risco para a liberdade de imprensa, fundamental em sociedades democráticas. “Não se trata de não reconhecer o problema representado pelas fake news, mas da necessidade de tratar esta relação de maneira séria e competente, tentando afastar paixões políticas partidárias o máximo possível”, definiu o docente, enfatizando as questões morais na propagação de informações falsas.

O professor Vinicius Miguel apresentou um histórico de como essas desinformações já afetaram os brasileiros. “As fake news hoje têm o poder de acabar com a reputação dos indivíduos, afetando profundamente a vida das pessoas”, disse. Um dos maiores problemas em torno das desinformações seria o tempo para combatê-las. No âmbito jurídico, demoram-se meses para iniciar um julgamento, enquanto as redes sociais costumam julgar improcedentes as denúncias. “Depois de alguns dias que essas notícias falsas já estão circulando e destruindo a imagem de alguém, recebemos um comunicado dessas empresas informando que não houve violação de sua política”, explicou.

O debate prosseguiu com plateia. A propagação de fake news pelo próprio governo, em suas diversas esferas, foi problematizada ao se pensar ainda o papel do jornalista na assessoria de comunicação, responsável pela imagem dos órgãos públicos. Miguel apontou a Lei de Acesso à Informação como fundamental para responsabilizar os gestores públicos, enquanto Colferai citou a ética profissional como demarcadora das possibilidades de atuação jornalística. De maneira geral, a preocupação era como evitar a propagação das fake news. Os docentes apresentaram algumas saídas, como avaliação da fonte de informação e da sua estrutura, fortalecimento dos canais específicos de checagem e, a longo prazo, formação crítica da mídia nas escolas.

O professor Allysson Martins encerrou a noite pontuando que uma sociedade democrática precisa de uma imprensa livre. “Em governos anteriores, empresas jornalísticas já eram atacadas, mas não o jornalismo em si. A desvalorização desta instituição é um caminho propício para a desinformação”, ressaltou. Segundo Martins, o jornalista comete erros como outros profissionais, e não há problema em cobrar e reclamar disso, mas diminuir esta instituição pode ser um caminho para o esfacelamento da democracia e o estabelecimento das fake news.