BRASÍLIA – Morando em Brasília onde o clima é mais arejado e fica longe do eleitorado que lhe deu ‘uma banana’ nas urnas, depois de tanto tempo de confiança traída, o ex-senador Valdir Raupp entra em desespero cada vez que um  de seus correligionários (ou comparsa de partido) cai nas garras da Operação lava Jato, que também o investiga e já até pediu seu indiciamento por corrupção e lavagem de dinheiro.

A prisão de Márcio Lobão, filho do ex-senador Edison Lobão, do Maranhão, na 65ª fase da Operação Lava Jato, levada a efeito na manhã de terça-feira, deixou o ex-senador rondoniense Valdir Raupp (MDB) mais uma vez ouriçado. Investigado pela Lava Jato, num esquema de financiamento irregular de campanha do MDB e mesadas das empreiteiras, Raupp está literalmente com as barbas de molho.

À boca pequena, dizem que a cada prisão de um aliado ou correligionário – e já foram muitos, o que significa que o cerco está se fechando -Valdir Raupp entra em desespero e passa a acordar todo dia antes das 6 da manhã, para não assusta a vizinhança.

O motivo

Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou a denúncia do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o senador do PMDB de Rondônia, Valdir Raupp, que virou réu na Lava Jato. O senador é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção. De acordo com o Ministério Público Federal, ele recebeu R$ 500 mil da construtora Queiroz Galvão, durante a campanha ao Senado em 2010.

Apenas um

Embora as viúvas de Raupp insistam em dizer que o STF já mandou arquivar o processo do ex-senador rondoniense, vale lembrar que o que foi arquivado pelo Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi um  inquérito da Operação Lava-Jato, onde ele era acusado de intermediar um negócio entre a Petrobras e a empresa Brasília Guaíba, quando teria recebido propina em troca. Na época a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entendeu não haver provas contra o parlamentar, corroborando as conclusões de um relatório da Polícia Federal (PF). Assim, pediu o arquivamento. Raupp, porém, responde a mais uma ação penal e sete inquéritos no STF, a maior parte no âmbito da Lava-Jato e seus desdobramentos.

Quadrilhão do MDB

O então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou em setembro de 2017 ao Supremo Tribunal Federal sete membros do PMDB por integrarem organização criminosa que desviou recursos públicos e obteve vantagens indevidas, sobretudo no âmbito da administração pública e do Senado Federal. Os denunciados Edison Lobão, Jader Barbalho, Renan Calheiros, José Sarney, Sérgio Machado, Romero Jucá e Valdir Raupp são acusados de receberem propina de R$ 864 milhões e gerarem prejuízo de R$ 5,5 bilhões aos cofres da Petrobras e de R$ 113 milhões aos da Transpetro. Esta é a 34ª denúncia oferecida pela PGR no âmbito da Operação Lava Jato no STF.

Bloqueio de bens

Em dezembro do ano passado a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba abriu uma ação de improbidade administrativa e pediu o bloqueio de bens dos diretórios nacionais do PSB e MDB, dos senadores Valdir Raupp (MDB-RO) e Fernando Bezerra (PSB-PE) e do deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE). Também foram alvos do pedido da Operação Lava Jato os espólios do ex-senador e ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, e do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que concorreu à Presidência pelo PSB. Ambos morreram em 2014.

Muito dinheiro

A força-tarefa pediu o bloqueio provisório de pelo menos R$ 100 milhões de cada um, a fim de ressarcir a Petrobras por desvios em contratos. No caso do MDB, o valor é de até R$ 1,89 bilhão. O valor total cobrado pela ação, entre ressarcimento, multas e danos morais, chega a R$ 3 bilhões.

Destaque

De acordo os procuradores, os senadores Raupp e Bezerra atuavam em nome do MDB e do PSB, e tiveram “atuação destacada” no esquema ao favorecer um cartel de empreiteiras na Petrobras, em troca do pagamento de propinas aos partidos. O MDB teria recebido pelo menos R$ 108 milhões em propina, e o PSB (incluindo o ex-governador Eduardo Campos), R$ 40 milhões.

Costas largas

Segundo a ação, Raupp foi responsável por manter Paulo Roberto Costa no cargo de diretor de Abastecimento da Petrobras, dando prosseguimento ao esquema de corrupção político-partidário instaurado no âmbito da estatal.

Na berlinda

De acordo com o colunista Alan Alex, o ministro Edson Fachin  (STF) pretendia levar à julgamento, ainda no primeiro semestre deste ano, três ações penais na Segunda Turma, e uma delas era a do ex-senador de Rondônia, Valdir Raupp de Mattos (MDB), acusado de receber R$ 500 mil da construtora Queiroz Galvão em 2010 como doação de campanha. Um dos delatores afirmou aos investigadores da Lava-Jato que o dinheiro na verdade seria uma “propina”. Como não aconteceu no primeiro semestre a expectativa é de que aconteça até o fim deste ano ainda. O ex-senador afirma que a doação foi legal, foi declarada e que tudo não passa de invenção por parte do delator.