Para combater a violência nos habitacionais como Orgulho do Madeira e Morar Melhor, não basta só polícia, tem de ter a presença dos órgão da prefeitura, diz Ronaldo

PORTO VELHO – Entrevistado desta semana do expressaorondônia, o coronel PM Mauro Ronaldo Corrêa está em Rondônia há 26 anos. Natural de Santa Maria, Rio Grande do Sul, é casado com Cleuza Avello Corrêa, tem três filhos e um neto. Além dos cursos de aperfeiçoamento em sua área de atuação operacional e administrativa e postos de comando exercidos ao longo da carreira na Polícia Militar de Rondônia, onde ingressou em 11 de abril de 1994, coronel Mauro é bacharel em Direito pela Faculdade FARO e tem especialização em Direito Civil e Processo Civil.

Coronel Ronaldo chegou ao topo da carreira militar, mas preferiu sair do cargo de comandante da PM, porque não conseguiu implantar as melhorias que haviam sido compromissadas com o atual governador

Atuou como secretário Executivo do Gabinete de Gestão Integrada e Gerente de Administração e Finanças, assessor militar no Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia e comandante geral da Polícia Militar do Estado de Rondônia. Depois de uma carreira militar de relevantes serviços, o coronel Mauro Ronaldo aceitou convite do ex-governador Daniel Pereira para disputar nas próximas eleições à Prefeitura de Porto Velho.

É na condição de pré-candidato que Coronel Ronaldo fala com exclusividade ao expressaorondonia, explicando porque aceitou o desafio e qual sua visão para operar uma mudança de paradigma na maneira de administrar Porto Velho

Expressão Rondônia – Antes de entrarmos na questão política, queremos saber quem é Ronaldo Flores?

Coronel Ronaldo – Nasci em 1967, no Rio Grande do Sul e venho de família de agricultores. Meus pais trabalharam em área rural e tiveram seis filhos. Lá fiz o Núcleo Preparatório de Oficiais do Exército, onde servi como oficial R2, depois vim para Rondônia e ingressei na Polícia Militar, em 11 de abril 1994. Sou formado em Direito pela Faro, onde fui professor nas matérias de Direito Penal. Na vida militar tive o privilégio de galgar todos os postos de aspirante a coronel, comandei unidades na capital e no interior, de 1997 a 2000.

Expressão Rondônia – O senhor vinha realizando um trabalho elogiável na Polícia Militar de Rondônia. O que o levou a pedir exoneração ou ser exonerado?

Coronel Ronaldo – A melhor forma de expressar a minha saída é que foi por divergências. Não sai magoado. Não tenho nada de mal para falar sobre quem quer que se seja do escalão superior. Pontos divergentes de opiniões, de compromissos assumidos. Eu diria que foram os principais pontos que me levaram a sair do comando. Houve a passagem sem tropa, apenas para formalizar. Agora estou em processo de reserva remunerada.

Expressão Rondônia – O que está motivando a aceitar o convite do Partido Solidariedade para uma candidatura à Prefeitura de Porto Velho, que tem fama de ser um cemitério de carreiras políticas?

Coronel Ronaldo – Realmente será um desafio. Nos últimos 26 anos tenho trabalhado na Polícia Militar e me dedicando integralmente a segurança pública. Sempre procurei ser muito atuante, inclusive estive em diversas situações como policial militar em que pude experimentar diversas experiencias. Entendo que ainda posso colaborar. Desde o começo do ano recebi o convite do ex-governador Daniel Pereira para esse pleito eleitoral. Fui sondado por outras autoridades e partidos políticas de Rondônia, mas o meu compromisso é com Daniel Pereira e resolvi aceitar o convite. Entendo como um desafio, mas que com trabalho contínuo, zelo, probidade, possamos fazer algo diferente. Agora, tenho consciência que a Prefeitura de Porto Velho não é uma missão fácil. Acompanho há 26 anos o trabalho do Executivo Municipal em Porto Velho e vejo a morosidade, a dificuldade em fazer as coisas acontecerem. Mas tenho certeza que, com uma grande equipe, será possível fazer a capital deslanchar. Estamos trabalhando com uma ótima equipe do Partido Solidariedade. As pessoas compromissadas e empenhadas neste projeto e o Daniel Pereira à frente, por isso aceitei o convite.

Expressão Rondônia – Como tem sido a receptividade dos policiais militares ao anúncio de sua aceitação a candidato à Prefeitura de Porto Velho?

Coronel Ronaldo – Tenho recebido o apoio maciço dos policiais militares. Eles me conhecem, pois trabalhamos juntos nos últimos dois anos como comandante-geral e estive permanentemente com os policiais. Sempre souberam que nunca trabalhei visando um possível pleito eleitoral. Trabalhei pela corporação, acreditando no que era possível fazer, tendo como primeiro eixo um investimento de valorização do nosso policial militar. Tenho recebido todos os dias as manifestações de apoio dos policiais militares, não só da capital, mas do Estado inteiro.

Expressão Rondônia – Quais ações voltadas à segurança pública, o senhor vai trabalhar, caso seja eleito?

Coronel Ronaldo – Porto Velho responde por 70% dos crimes de furtos e roubos que é praticado em estado e 70% de todos os crimes. A violência doméstica, em especial, é a que mais assola o estado, principalmente na Capital. A Constituição Brasileira diz que todos são responsáveis pela segurança pública. O município não aparece de forma preponderante como corresponsável pelas ações de segurança pública. Uma lei de 2014 criou as guardas municipais e essa lei traz para o município a responsabilidade com segurança pública, com a guarda municipal cuidando dos bens dos serviços e das instalações do município. Lógico, precisamos conhecer o orçamento e as condições financeiras do município, a capacidade da Prefeitura de Porto Velho. Segurança Pública se faz com melhor iluminação, com ruas em melhores condições de trafegabilidade, com espaços públicos preservados e cuidados. Estamos desenvolvendo projetos nesta área, pois Porto Velho precisa.

Coronel Ronaldo garante que já tem uma equipe técnico fazendo um diagnóstico dos principais problemas de Porto Velho

Expressão Rondônia – Como se deu essa aproximação de um militar com o ex-governador que é nitidamente de origem socialista?

Coronel Ronaldo – O Solidariedade é um partido que trabalha pela democracia do país e por aquelas pessoas que produzem pelo nosso país. As ideias do Daniel Pereira buscam beneficiar a população, os trabalhadores, as indústrias. Como governador buscou trazer empresas para investir em Rondônia com o objetivo de gerar mais empregos e renda para os trabalhadores. Então esse vai ser um dos nossos eixos de atuação. Então, essa aproximação se deu pelas ideias e ideais defendidas por ele, como o bem da sociedade, do trabalhador, do funcionário público. Este será o nosso caminho para o desenvolvimento da nossa capital.

Expressão Rondônia – Uma vez que seu nome está cogitado há algum tempo, o senhor fez um raio x, um diagnóstico de quais são os principais problemas ou pelo menos os mais graves que a futura administração terá que encarar em Porto Velho?

Coronel Ronaldo – Estamos trabalhando nisso nos últimos meses. O principal problema a superar será a crise, por causa da pandemia, na saúde pública, que vai requerer grande atenção. Então, o principal problema a enfrentar será na área de saúde e na economia do município. Teremos como principal foco de atuação promover novamente o equilíbrio para Porto Velho e restabelecer o crescimento. Temos problemas de infraestrutura. Porto Velho cresceu de forma desordenada e hoje nós temos problemas na mobilidade urbana, área da educação e vamos trabalhar com ênfase e dedicação, principalmente na área rural. Criaremos uma guarda municipal para fortalecer a segurança da população. A guarda municipal é necessária. Por exemplo, Em Rondônia temos uma experiência de guarda municipal em Ariquemes. Nossa ideia é a criação da guarda municipal, assim como a criação de uma Secretaria Municipal de Segurança Pública. Precisamos colocar o município como protagonista na área de segurança pública, não somente como alguém que está assistindo e vendo o crime acontecer. Temos problemas sérios no Orgulho do Madeira, no Morar Melhor, onde facções criminosas querem se instalar. O município precisa dar sua parcela de contribuição, levando os aparelhos públicos para estes locais. Nos dois anos e dois meses em que estive no comando da Polícia Militar foram realizadas dezenas de operações no âmbito da cidade e para o Orgulho do Madeira houve incursões específicas, inclusive com participação da Polícia Civil, Polícia Federal. Somente as policias não vão dar conta. Nestes locais não existem escolas, posto de saúde, os aparelhos públicos não foram para lá. É necessária a participação do poder público com a promoção de ações sociais.

No Orgulho do Madeira, Ronaldo entende que não adianta só fazer operações policiais: tem de ter a presença efetiva do Poder Público

Expressão Rondônia – Sobre a militarização das escolas, qual a sua opinião, coronel?

Coronel Ronaldo – Quando estava no comando, queria ver o dia em que a polícia pudesse devolver as escolas militarizadas para o setor da educação. Mas neste momento vejo como necessário e importante, pois são positivos os resultados alcançados. Temos em Porto Velho duas escolas militarizadas, sob a administração da Polícia Militar. Temos uma em Jaci Paraná, uma escola referência nacional e até Internacional. No interior do Estado em cidades como Ariquemes e Ji-Paraná, Vilhena. Agora, a militarização de escolas em outras cidades. Vendo o resultado positivo sou favorável neste momento a militarização das escolas. O motivo determinante que levou os militares as primeiras escolas foi a criminalidade entrando na sala ou fora da sala de aula dentro do mundo dos colégios, agressão aos professores. Portanto, neste momento, sou favorável a militarização das escolas para garantir formação com disciplina aos jovens.

Expressão Rondônia – Porto Velho tem uma enorme população de jovens, sobretudo nas zonas sul e leste da cidade. No seu ponto de vista, o que o poder público municipal pode fazer para ajudar a ocupar a mente desses jovens para que não tenham apenas a criminalidade como opção de vida?

Coronel Ronaldo – Enquanto estive no comando da Corporação, sempre dizia que a polícia militar e as forças policiais não iriam resolver o problema de Segurança Pública se não houver a participação do estado, município e governo federal. A Prefeitura precisa adotar políticas públicas de cultura, lazer, saúde e educação para inserir o jovem nessa participação e tirando-o da ociosidade através destas ações sociais.

Com sua experiência na segurança pública, Coronel Ronaldo garante que vai criar a guarda municipal

Expressão Rondônia – Porto Velho tem potencial turístico. Há algum projeto de aproveitamento desta mão de obra jovem e ociosa neste setor?

Coronel Ronaldo – Pessoas do Partido estão estudando esta área. Um dos pontos é o ecoturismo tendo como atrações os rios, locais como Fortaleza do Abunã. Lugares maravilhosos que nós podemos explorar, mas primeiro seria necessário a internacionalização do nosso aeroporto. Com certeza atrairíamos para cá muitas pessoas de outros países para conhecer e participar dessa vida na selva. Temos equipes trabalhando nessa área do Turismo porque nós precisamos bons projetos para desenvolver Porto Velho nessa frente, assim como em projetos para a atração de Indústrias para gerar emprego e desenvolvimento. Essa população jovem devidamente qualificada poderá atuar nestes projetos.

Expressão Rondônia – Quanto à internacionalização do aeroporto, o senhor acredita que a Prefeitura pode contribuir para agilizar esta questão?

Coronel Ronaldo – Pode e deve porque para teremos maior desenvolvimento. Porto Velho precisa se desenvolver mais essa é a verdade. Então, vamos contribuir e propor pela efetiva internacionalização do nosso aeroporto. A Prefeitura deve participar de forma efetiva e não apenas como coadjuvante.

Expressão Rondônia – Talvez, Porto Velho seja única capital do país sem um hospital próprio, um hospital municipal. Qual é a sua proposta para resolver esse drama de Porto Velho, já que as Upas e os postos de saúde conhecidamente não atendem a população?

Os recursos para melhoria dos atendimentos nas Upas virão de recursos extraorçamentários, segundo Ronaldo

Coronel Ronaldo – Agora, com a crise na saúde pela pandemia, temos acompanhado o resultado disso. Algo que no partido, temos conversado muito que é a necessidade de trazermos projetos para melhorar a saúde da população de Porto Velho. Se conseguirmos lograr êxito nesta eleição, vamos trabalhar de forma muito firme para melhorar essa condição da saúde. Mas não vamos entrar com a proposta ou promessa de construir um hospital, porque precisamos conhecer efetivamente a saúde financeira do município. Lógico que isto se daria através de recurso extraorçamentário né. Então, com essa disposição nós vamos em buscar esses recursos emendas estaduais emendas federais alguns fundos que ficam disponível o ano inteiro e basta ter uma boa equipe de captação de recursos extraorçamentários; pessoas que desenvolve projetos e que estejam atentos aonde o dinheiro está disponibilizado. A proposta é montar uma equipe de excelência para buscar esses recursos e assim possamos investir em todas as áreas, em especial na área de saúde.

Expressão Rondônia – O senhor é um oficial superior da Polícia Militar. O governador também e temos na Presidência da República, um capitão do Exército rodeado de generais. Haveria um alinhamento natural em benefício de Porto Velho numa eventual eleição sua para a Prefeitura?

Coronel Ronaldo – Entendo que sim, mesmo havendo pontos divergentes, o bem comum é o maior objetivo, e o fato de ser militar, entendo que facilitaria as conversas com o governo estadual e o governo federal.

Expressão Rondônia – Por que o senhor deve ser eleito prefeito de Porto Velho?

Coronel Ronaldo – Pela minha disposição para o trabalho, minha capacidade de gerir, por essa vontade de fazer o melhor. Tive uma experiência exitosa na Gestão Pública enquanto comandante-geral da Polícia Militar durante todos estes anos à frente de organizações policiais militares. Tive sucesso e entendo que devo ou posso contribuir com a minha cidade.

Expressão Rondônia – Qual a sua mensagem para a população de Porto Velho?

Coronel Ronaldo – Peço o voto de confiança. Que acreditem em minhas propostas. Sou conhecido no setor de segurança pública, mas não sou conhecido ainda para a população em geral. Peço que acreditem no trabalho de 26 anos na Polícia Militar. Conheço a realidade de orçamento, em funções exercidas como gestor da Polícia Militar. Surgirão muitos candidatos também com boas ideias, mas estamos trabalhando há algum tempo em propostas exequíveis. Não vamos prometer nada que não se possa cumprir. Prometemos sim, trabalhar com seriedade buscando sempre o melhor para Porto Velho.

Entrevista a Carlos Araújo e Humberto Oliveira