A ação ou inação da Prefeitura contribui para que a capital a se pareça cada vez mais com um lixão a céu aberto

PORTO VELHO – “Tudo que você disser pode ser usado contra você mesmo no tribunal”, é uma frase muito ouvida por cinéfilos quando policiais detém um fora-da-lei. A citação pode ser aplicada nos caso em que algum setor da administração pública, por motivo qualquer, deixa de cumprir sua função, como por exemplo recolher restos de lixo ou, pior ainda, quando seus agentes mais de um mês depois de juntar os restos de uma árvore derrubada pelo vento, entulhando e atrapalhando a circulação das pessoas. Pior quando o gestor maior pretende uma reeleição, como é o caso do atual prefeito portovelhense.

Há quatro anos, a exclamação ‘Porto Velho, deixa eu cuidar de você’ foi um dos bordões mais usados pelo então candidato a prefeito Hildon Chaves, que virou o jogo e ganhou a eleição. Agora, quatro anos depois e com o prefeito Hildon disputando a reeleição, a frase continua valendo.

Um caso claro é o de uma árvore que caiu em frente a uma vila de apartamentos na Rua Tenreiro Aranha, na lateral do colégio Dom Bosco. Os moradores acionaram a secretaria municipal responsável, os trabalhadores foram lá, cortaram as toras, juntaram as galhadas e foram embora, avisando aos interessados que logo uma caçamba viria para apanhar o material.

Os restos da árvore, mais de um mês depois, continuam no mesmo local em que foram deixados, na calçada lateral do colégio Dom Bosco, tomando todo o espaço destinado aos pedestres que agora têm de se esgueirar pelo asfalto, com medo de serem atropelados numa via de mão dupla. “Esses pedaços de árvore que a prefeitura entulhou na calçada, em relação aos prejuízos causados às aspirações do atual prefeito, é o que nas forças armadas chamam de “fogo amigo”, reclamou um morador das proximidades, ele mesmo militar da reserva.

“Imagine se o colégio reiniciar as aulas; eu tenho um filho que vem de casa a pé subindo a ladeira. Moramos a 200 metros da escola e ali é o caminho normal, mas com tanto lixo, restos da árvore que caiu, apodrecendo, ele e outros vão ter de caminhar pelo meio da rua”, reclamou um morador das proximidades.

Os moradores dizem que já fizeram de tudo para que o órgão responsável pelo serviço mande recolher os entulhos. “Parece que na prefeitura tem gente trabalhando contra a candidatura do atual prefeito”, reclamou uma mulher.

BANCO DO BRASIL

Quem passou até o fim da semana passada ao lado do Banco do Brasil (Agência da  Nações Unidas com a Salgado Filho) , deve lembrar que durante mais de uma semana restos de uma obra realizada no BB estavam entulhando a própria rua, como disse um comerciante próximo, apontando para um desses latões de entulho de obra, “Parece até piada: botaram uma “caçamba” a 10 metros do entulho mas não tiveram coragem de colocar no lugar”.

Mas essa obra do BB da Nações Unidas tem outro motivo de reclamação de quem trabalha nas proximidades: acusam os responsáveis pelo trabalho de terem entulhado, com lixo de obra, a “boca de lobo” bem da esquina, o que, como disseram, seria responsável pelas seguidas alagações da região.

Os reclamantes contaram que já tentaram uma solução do BB mas até a sexta-feira da semana passada não tinham conseguido mais que promessas de solução.

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