(Do livro Jantar dos Senadores, em fase de revisão histórica)

Lúcio Albuquerque, repórter

PORTO VELHO – Nas terras de Rondônia a política começou em 1912, no município mato-grossense de Santo Antonio do Madeira (desde 1945 um bairro de Porto Velho), quando foi criado o primeiro diretório político, do Partido Republicano Conservador.

Ainda em 1914 foi criado o município de Porto Velho, por Lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Amazonas e assinada pelo governador Jonatas Pedrosa. Em 1915 o major Fernando Guapindaia de Souza Brejense realiza em sua casa a fundação do primeiro diretório político do recém instalado município, quando é criado o diretório do Partido Republicano Conservador, tendo o próprio Guapindaia na presidência. Em sua primeira eleição, em 1916, o médico Joaquim Augusto Tanajura foi eleito superintendente (prefeito) sendo os intendentes (vereadores), todos do PRC, como em Santo Antonio. Em 1919 apenas uma seção funciona na região (em Santo Antonio), na eleição para presidente da República. Todos os 58 votos foram para o candidato Epitácio Pessoa, ainda do PRC.

Votação final do projeto de criação do Estado. Isaac Newton vibrando e Jerônimo Santana,que se ausentou do plenário, faz um “sorriso amarelo” – os dois de óculos.

O ano de 1921 marca a primeira eleição de um religioso, o padre Raimundo Oliveira, prefeito de Porto Velho; e em 1924 a primeira cassação de político local: Joaquim Tanajura, prefeito de Porto Velho e também deputado estadual à Assembleia Legislativa do Amazonas, foi cassado pela Revolução Tenentista – sendo reintegrado aos mandatos no mesmo ano (conforme o historiador Abnael Machado de Lima). A revolução de 1930 fechou as Câmaras e cessou os mandatos de parlamentares e prefeitos eleitos em 1928, ano de criação do município de Guajará-Mirim, então pertencente ao Estado de Mato Grosso, cuja primeira eleição municipal aconteceria só em 1969.

Em 1943 o presidente Getúlio Vargas, que vinha recebendo solicitação de criação de um Território Federal desde 1937 pelos comerciantes de Guajará-Mirim, criou o Território Federal do Guaporé, com terras mato-grossenses (mais de 90% da área e o restante do Amazonas). Em 1944, foi instalado o Território Federal do Guaporé e em 1946 eleito o primeiro deputado federal, o coronel Aluízio Pinheiro Ferreira que foi também o primeiro governdor. Uma eleição com acusações de corrupção eleitoral gerou dois grupos políticos, que se revezariam até 1970 no poder local, os aluizistas, também chamados cutubas, e os rondonistas ou peles-curtas, liderados pelo coronel do Exército Joaquim Vicente Rondon e a seguir pelo médico Renato Clímaco de Medeiros, os renatistas.

Aluízio foi reeleito em 1950, mas perdeu a disputa de 1954 para Joaquim Vicente Rondon, segundo governador do Território. Em 1958 Aluízio é novamente eleito, decide não disputar em 1962 quando Renato Medeiros, seu adversário político, ganha, mas é cassado em 1964 assumindo o suplente Hegel Morhy que não consegue se reeleger em 1966 quando o ex-governador Paulo Leal fica com a vaga.

Em 1969 os dois municípios do Território, Porto Velho e Guajará-Mirim, elegem vereadores, Guajará-Mirim pela primeira vez e Porto Velho retomando o que parou na década de 1920, mas os prefeitos continuavam nomeados pelo governador que, por sua vez, era escolhido pelo presidente da República, na maioria por indicação do deputado federal no mandato, o que praticamente acaba a partir de 1964.

De 1970 a 1982, ano da primeira eleição estadual, quem mandou na política do Território foi o advogado goiano Jerônimo Garcia de Santana, o Dr. Bengala, três vezes seguidas eleito deputado federal. Na disputa para deputado federal em 1978 pela única vez o Território elegeu dois deputados; além de Jerônimo também foi eleito Isaac Newton, pela Arena, numa disputa em que o govenador Humberto da Silva Guedes, rompido desde quando assumiu, em 1979, com o partido, escolheu Isaac, um dos quatro da chapa arenista e numa campanha relâmpago conseguiu a eleição de um nome desconhecido até de parcela da população do município de Isaac, onde ele residia, Guajará-Mirim.

Em 1982 o Estado recém-instalado não elegeria o governador, seria o que se passou a chamar de voto-camarão, mas o governador Jorge Teixeira cumpriu o compromisso com o presidente João Figueiredo: o PDS elegeu os três senadores e cinco dos oito deputados federais.

legenda da foto: