A dimensão desse extermínio é catastrófica, podendo ultrapassar 1 trilhão de insetos no País. Os casos, que se multiplicam em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, têm levado agricultores a alugarem enxames ou optarem pela polinização manual, enquanto nos Estados Unidos cientistas da Universidade de Harvard tentam desenvolver uma abelha-robô.

Uma das perdas mais recentes foi a do apicultor Wanderley Fardin, em Porto Ferreira, no interior de São Paulo. No mês passado, ele teve um prejuízo de mais de 10 milhões de abelhas, o equivalente a R$ 200 mil, investidos durante um trabalho de 30 anos.

As 136 colmeias ficam ao lado de um canavial, e, em entrevista a uma rede de TV local, ele disse acreditar que as mortes foram causadas depois que agrotóxicos foram despejados de um avião para matar os insetos que afetam a plantação de cana. Notificações como essa têm aparecido toda semana, diz Generosa.

Uma petição de origem canadense tem rodado o mundo reunindo assinaturas à favor do banimento de pesticidas em defesa das abelhas. O principal alvo é o imidacloprido, “um químico terrível que é usado em boa parte das frutas e dos vegetais”, diz o texto. Um dos apoiadores é o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

Vergílio Possebom, expõe seu mel na Feira Rondônia Rural Show, em Ji-Paraná

O objetivo é reunir 4,5 milhões de assinaturas, e, até o fechamento desta matéria, cerca de 4,4 de pessoas milhões já haviam aderido à petição [acesse-a clicando AQUI].

Em Rondônia, a peleja de Possebom

Em Rondônia ainda há esperança. Alguns proprietários rurais preservam abelhas. Vergílio Possebom Filho, em Vilhena, está legalizando o seu negócio. Gaúcho de Marau, ex-policial militar, Possebom foi o único representante do estado a receber em São Paulo o Prêmio de Automação Comercial, uma homenagem oferecida às empresas e organizações selecionadas pelas boas práticas na utilização e gestão dos padrões da Certificação de Código de Barras GS1.

Desde que foi para a reserva na PM em 2013, Possebom organizou-se melhor, mobilizando a família toda [sete pessoas] para fazer prosperar negócio.

“Eu nem acreditava que fosse me classificar no meio de tanto concorrente bom; agora, quero acreditar que o governo estadual me permitirá oferecer o mel a quem dele precisa”, comentou.

Das cerca de 100 toneladas/ano de mel na região, uma média de quatro a cinco toneladas/ano são de suas colmeias formadas por mais de 90 caixas de abelhas.

Aprovado pelo Programa de Verticalização da Pequena Produção Agropecuária do Município de Vilhena (Prove), esse mel vem de uma propriedade livre da ação de agrotóxicos.

“A gente se preocupa em preservar a natureza, porque em nossa região [comumente chamada de Cone Sul] há muita lavoura de soja e os resíduos do veneno se espalham facilmente”, explicou.

A primeira parte da matéria é de Litza Mattos e foi publicada na edição de 12 de março de 2017 de O Tempo, em Belo Horizonte (MG).

 

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