LÚCIO ALBUQUERQUE

Uma coisa boa quando você comenta algo sem a paixão dos envolvidos é que pode, assim, tratar do assunto sem a preocupação de se colocar de um ou outro lado. Quer dizer, de se deixar levar pela emoção, especialmente à emoção gerada por estar diretamente envolvido com a questão.

É o meu caso agora sobre o desfile da Banda do Vai Quem Quer, que acabou antes de terminar, melhor dizendo, teve encerrado o espetáculo antes do cortejo chegar ao local tradicional, o mesmo da saída, a Praça  Caixas-d’Água.

Deixo claro que não sou, nem de longe, folião, como muitos que conheço, alguns apaixonados, da mesma forma como não sou fã de futebol (sou torcedor bissexto do Fluminense) e isso não é novidade para ninguém, mas colocando na balança de preferência, sou mais Mangueira (*).

Meus amigos Zé Katraka e Carlinhos Maracanã, fãs da Portela, sabem disso, mas, cá para nós, é muita poesia mesclar verde e rosa e sair aquela beleza que “Vista assim do alto, mais parece um céu no chão”, e ninguém menos que o portelense Paulinho da Viola foi quem se rendeu à evidência e disse isso.

Fazia mais de 15 anos que eu não ia ver a Banda. Da última era tanta confusão que eu, a Fátima e mais um casal que foi conosco, desistimos. Talvez tenha sido azar, mas até tiro saiu. No entanto, fomos sábado, eu mais por insistência dela do que por minha vontade. Ficamos ali por perto da Unimed. Saímos depois da Banda passar e gostei.

Eu sabia que a Banda iria sair mais cedo, 16h, em razão, segundo a presidente Siça, do grande número de crianças, uma decisão sábia. Mas também sabia, por estar informado sobre as reuniões dos dirigentes de grupos carnavalescos com o pessoal da segurança, que na hora em que acabasse o  tempo previsto era para encerrar.

E foi o que aconteceu quando faltava em torno de 500 metros ou mais um pouco. Mas acontece que para a Banda, com aquela imensa e ordeira multidão (Parabéns!), era difícil a parada. Aí prevaleceu, como no jogo do bicho, a norma do “Vale o que está escrito”, que até pode nem ter sido escrita, mas é o que vale. E parou.

Dois argumentos, pelo que andei sabendo, pesaram na ocasião, dito pelo oficial que comandava o contingente da PM. Primeiro que o tempo acertado estava esgotado. E, segundo, só quem já carregou todo aquele equipamento durante horas, sabe que os oito quilos iniciais estariam, depois de mais de seis horas, para o corpo, dando a sensação de que pesavam 30. Qualquer soldado que tenha feito uma marcha, equipado com os apetrechos inerentes ao deslocamento, é capaz de confirmar.

Claro, houve protestos, reclamações, mas, sem qualquer dúvida, é elogiável a postura assumida, e tenho certeza que muito a contra gosto, pela presidente Siça, ao admitir que tinha de cumprir o acertado.

Esclareço: Eu era amigo do pai da Siça. Já com ela se já troquei mais que algumas palavras foi muito. Mas, Siça, e aí me dirijo a você:

1º –  Parabéns por ter aceitado as ponderações e cumprido o que ficara acordado. Isso, sinceramente, deverá render frutos importantes para você e para a Banda em futuros eventos.

2º –  Parabéns, outra vez e mais que da citação anterior, em razão da nota divulgada a respeito do encerramento do desfile. Pouca gente teria essa coragem de vir a público e admitir o que você fez.

Finalmente, parabéns à Polícia Militar, por ter cumprido sua parcela no assunto, inclusive de ter mantido o policiamento conforme o prometido.

Jornalista, escritor, presidente da Academia de Letras de Rondônia (Acler). 

(*) Artigo escrito na manhã de quarta-feira, 1º de março, horas antes de serem abertos os envelopes com as notas da Sapucaí.

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