SÃO PAULO – Clássico do russo Fiódor Dostoiévski, Crime e Castigo está entre os livros mais lidos pelos detentos das penitenciárias federais brasileiras, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O obra, publicada originalmente no século XIX, conta a história de um jovem que comete um assassinato, mas acaba consumido pela culpa.

A leitura não é apenas uma forma de passar o tempo no cárcere: para cada obra lida, são descontados quatro dias da pena. Para obter a remição, os detentos das quatro prisões de segurança máxima — em Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte e Rondônia — precisam fazer uma resenha para cada livro.

Outras obras que fazem sucesso entre os detentos são Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago), Através do Espelho (Jostein Gaarder), Dom Casmurro (Machado de Assis), Sagarana Grande Sertão Veredas (ambas de Guimarães Rosa). Com informações da Assessoria de Imprensa do Ministério da Justiça.

REMISSÃO PELA LEITURA JÁ É REALIDADE EM PRESÍDIOS

Dois anos e meio após a sua aprovação, a Recomendação n. 44/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que propõe a instituição, nos presídios estaduais e federais, de projetos específicos de incentivo à remição pela leitura, já está consolidada em quase todo o país.

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por exemplo, instituiu, ainda em 2013, uma portaria de remição de pena por meio de oficinas de leitura, com o objetivo de incentivar sua adoção pelos juízes das varas de execução criminal, e até o segundo semestre de 2016 espera-se que a iniciativa já esteja implantada em 90% dos presídios do estado.

BAIXA ESCOLARIDADE NO TOCANTINS

Livros chegam ao presídio em Minas /Fotos Agência Minas

Ao tentar adotar a iniciativa da remição pela leitura no presídio de Porto Nacional, em Tocantins, o juiz da 2ª Vara Criminal, Allan Martins Ferreira, se deparou com um problema decorrente do baixo nível de escolaridade dos internos. “Eles até queriam participar, mas nem sabiam o que era uma resenha ou resumo.”

A solução foi agregar o apoio de uma professora voluntária da rede estadual, que possui mestrado em Literatura, para coordenar oficinas literárias mensais com os presos.

A professora corrige as resenhas feitas, aprovando-as ou não, e conforme o caso, pede para que sejam reescritas.

Atualmente, de acordo com o juiz, 20 dos 90 presidiários da cidade participam do programa, lendo, em geral, um livro por mês. “A cada resenha aprovada eles ganham quatro dias a menos de pena. Ano passado, o interno que mais leu conseguiu fazer oito resenhas”, relata.

EXPRESSÃO RONDÔNIA
Com informações de Leonardo Léllis (Conjur) e CNJ.
Saiba mais: leia o site do CNJ

 

Print Friendly, PDF & Email