Por Lúcio Albuquerque*

Lúcio Albuquerque

PORTO VELHO – “Desastrado”, “irresponsável”, “chutou o pênalti para fora”, etc, foram algumas das citações de um grupo superior a 200 pessoas, sem que eu nem pense em ser um influencer digital como temos entre alguns companheiros de profissão, nos contatos esta manhã de quarta-feira, poucas horas depois do presidente Jair Bolsonaro a respeito de seu pronunciamento dando uma ideia de “mudança de hábito” com relação ao coronavírus.

A favor do discurso dele, no mesmo grupo, foram outras pessoas, classificando as palavras de Bolsonaro como estando dentro da realidade no enfrentamento da situação, e criticando empresas de comunicação e associados (“as de sempre”, “estão chorando porque mamavam fácil nas tetas de Brasília” “perderam a boquinha das palestras superpagas” etc).

Não nego a ninguém, até porque não tenho motivos para tal, que votei no presidente, mas quem lê o que escrevo tem visto, desde antes dele ser eleito, que quando entendo ser preciso criticar ou apontar espaços que o estão complicando, como quando disse algumas vezes sobre o “fogo amigo”, é só procurar em sites que vai encontrar.

Entendo, e já escrevi sobre isso, que nosso presidente diz coisas inimagináveis por outros ocupantes do cargo, dando a oportunidade a que os “analistas” – nunca esse país teve tanto analista sobre um governo desde, claro, que critiquem o atual ocupante do Planalto. Quando comecei a trilhar a estrada do jornalismo, ouvia companheiros mais antigos recomendarem o que tenho dito quando converso com estudantes de comunicação: “Ouçam o outro lado, mas sem quererem que o outro lado diga aquilo que você quer ouvir”. Os “analistas” de hoje não seguem toda a recomendação.

Sobre o discurso em si, ouvi e concordo que ele foi duro, bem ao seu estilo, mas  ouvi também o que o Bom Dia Brasil citou como se fosse uma “análise comparativa”. O que ele disse sobre a Imprensa tem fundamento. Mas acontece um fato interessante: A Globo vitimiza logo, sem admitir que “quem mexe com fogo acaba se queimando”. No caso que vem sendo mostrado pela “vênus platinada” e associados é a demonstração de que alguém está impactado é só acompanhar o noticiário ou conversar no meio profissional.

De seu lado a ABI (para quem não lembra ou não sabe, “Associação Brasileira de Imprensa) pega carona e critica a fala presidencial. Quando eu ainda engatinhava na profissão ouvia alguns mais antigos citarem a ABI. Um ente que, como outros, inclusive os criados no governo Vargas, cujas credibilidades, até entre próprios membros, está reduzida a praticamente nada. Ainda nesta manhã questionei alguns colegas, inclusive a presidência do nosso sindicato e nenhum deles, eu inclusive e sou um dos três mais antigos em atividade em Rondônia, e a resposta é a mesma minha: “Não conheço membro da Imprensa aqui filiado à ABI”. Talvez haja, nós é que estaríamos, então, desinformados.

Recentemente circulou um vídeo em que Bolsonaro lembrava que, se fosse ele quem dissesse o que o misto de médico e comentarista Dráuzio Varela afirmou em janeiro, iriam criticar, mas como foi o Dráuzio a imprensa calou. Nem a ABI se posicionou.

A questão da economia em relação à prevenção não pode ser descartada. A previsão é que o problema do vírus esteja entre nós por mais três meses, ou quatro, mas quando se trata de um assunto desse nível é preciso pensar pelos dois lados. Uma não se dissocia da outra, e se a economia não funciona aí não funciona nada.

Aliás, sugiro a leitura de recente editorial do jornal New York Times que segue a linha de Bolsonaro. Não é um “Folha de S. Paulo” ou “O Globo”, cujas influências até neste país perdem cada dia mais a credibilidade.

Finalmente, voltando à repercussão do discurso do presidente, é interessante notar que presidentes da Câmara e do Senado baixam de pau sobre ele, mas os dois, e seus seguidores, não falam, nem de longe, em cortar mordomias e penduricalhos em salários naquele Poder, e direcionar para o combate à pobreza ou, no caso agora, de carrear isso para a barreira anti-coronavírus.  Alguém aí sabe se aconteceu?

Inté outro dia, se Deus quiser!

*É reporter