VILHENA – Exames feitos na tarde de terça-feira confirmaram a morte encefálica da modelo Vânia Maísa Castro Morais, 17 anos, internada desde na UTI do Hospital Regional de Vilhena após tentativa de enforcamento. Uma equipe do Corpo de Bombeiros de Vilhena impediu a consumação do suicídio na manhã de terça-feira (19). Às pressas, a equipe foi até o bairro  Embratel, onde Vânia morava.

Vânia, modelo e monitora de ginástica /Fotos Richard Vargas

Segundo o Folha do Sul Online, os primeiros exames haviam constatado que ela não apresentava atividade cerebral. No entanto, o óbito encefálico só pôde ser atestado após outros procedimentos, conforme recomenda o Ministério da Saúde.

A polícia informou que a irmã e o cunhado da vítima a encontraram pendurada numa corda pelo pescoço. No momento em que foi socorrida inicialmente pelos familiares, ela estava inconsciente.
Ao chegarem ao local e constatarem a gravidade da situação, os Bombeiros executaram procedimentos de “ressuscitação” para reanimar a adolescente.
A Secretaria Municipal de Saúde emitiu nota explicando os ritos a serem seguidos em tais circunstâncias.
A família vai se pronunciar a respeito da possível doação de órgãos. Caso a autorização seja concedida, após a confirmação do falecimento, uma equipe do Hospital de Base Ary Pinheiro, Porto Velho, irá a Vilhena fazer a captação. No mês passado, Vânia concedeu breve entrevista ao jornal, onde expôs sua beleza. Ela era também monitora de ginástica rítmica e se disse “uma pessoa justa e determinada”.
Folha do Sul perguntou-lhe:
O que sonha para o futuro?
– Terminar o ensino superior e conhecer o mundo.
O que te torna uma pessoa bela?
– A simpatia.
Uma fase:
– Elegância é quando o interior é tão belo quanto o exterior. (Coco Chanel)

SETEMBRO AMARELO

Tristeza, falta de ânimo, vontade de ficar sempre sozinho. Quem tem esses comportamentos pode estar precisando de ajuda e, às vezes, uma simples conversa resolve. Esse é o tipo de trabalho feito pelo Centro de Valorização da Vida (CVV).

Neste mês é realizada a campanha “Setembro Amarelo”, de prevenção ao suicídio. O CVV tem um trabalho importante nesta área. “Doe um minuto, mude uma vida” é o tema da Associação Internacional de Prevenção do Suicídio (Iasp), que neste ano visa sensibilizar e conscientizar a população sobre os altos índices de suicídio no mundo e que essas mortes podem ser prevenidas.

Muitas mortes poderiam ser evitadas se a informação de que se pode pedir ajuda e dividir o que se sente com alguém fossem disseminadas. E é isso que a campanha “Setembro Amarelo” quer. O CVV, fundado em São Paulo em 1962, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de utilidade pública federal em 1973.

O serviço voluntário gratuito dá apoio emocional e previne o suicídio a quem quer e precisa conversar, sob total sigilo. As pessoas podem entrar em contato pelo telefone 141 (24 horas por dia), pessoalmente (nos 80 postos de atendimento) ou pelo site via chat, voip e e-mail.

O QUE MOTIVA?

Paulo Henrique Américo de Araújo

Segundo recente artigo da BBC Brasil ‘2’, um estudo baseado em dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, revela dados preocupantes. A primeira informação: considerando toda a população brasileira, entre 1980 e 2014, houve um aumento de 60% na taxa de suicídios.

Quanto aos dados relativos à população jovem, o mesmo artigo reproduz o que diz o estudo: “Em 1980, a taxa de suicídios na faixa etária de 15 a 29 anos era de 4,4 por 100 mil habitantes; chegou a 4,1 em 1990 e a 4,5 em 2000”. Já no período entre 2002 e 2014, a taxa subiu de 5,1 para 5,6 por 100 mil habitantes. O estudo conclui: “Assim, entre 1980 a 2014, houve um crescimento de 27,2%” na taxa de suicídios, considerando a mesma faixa de idade.

Para se ter uma ideia mais concreta do que tais números representam, a mesma pesquisa mostra que em 2014, houve, somente no Brasil, 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos.

Insisto, pois a questão se impõe: por que tantos jovens acabam com a própria vida?

É importante fazer notar, antes de tudo, que o artigo citado tenta fornecer algumas respostas à pergunta acima, usando declarações de diversos sociólogos e psicólogos. Segundo esses especialistas, “o problema é normalmente associado a fatores como depressão, abuso de drogas e álcool, além das chamadas questões interpessoais, violência sexual, abusos, violência doméstica e bullying”.

De fato, podemos encontrar tais causas por detrás dos suicídios. Contudo, o que impele um jovem a usar drogas, por exemplo, ou o que ocasiona sua depressão? Qual é a raiz da violência doméstica?

A falta da noção do sofrimento na vida

O mais fundo do problema reside, sem dúvida, na decadência moral generalizada do mundo contemporâneo. Essa decadência afeta diretamente a constituição da família. Se a família se desfaz, é inevitável a propensão do jovem para as drogas e a violência, de um lado; e sua menor capacidade, por outro lado, de suportar as dificuldades quotidianas, cujo desfecho pode ser a depressão.

Há mais um fator, ignorado pelo artigo da BBC: o mundo contemporâneo oferece sem cessar múltiplos divertimentos e prazeres. Sendo a juventude o grupo que mais deveria se “beneficiar” deles, a lógica conclui que, quanto mais jovem, maior o desejo de aproveitar a vida e, portanto, mais afastada a hipótese de suicídio.

HIRAN GALLO
Hiran Gallo, médico

 

Leia também
Um suicídio a cada 40 segundos