"Se o governo queria segurar a onda deveria ter colocado seus agentes nas ruas, e não fez isso”, desabafa uma empresária

PORTO VELHO – Depois de duas semanas de euforia, com a volta praticamente integral das atividades comuns de uma sociedade moderna, o novo decreto do governador Marcos Rocha jogou uma tonelada de água fria na recuperação da vida como era antes na capital estadual, ao reclassificar, para baixo, do nível 3 para o nível 2 cerca de 12 municípios, incluindo aí o maior do Estado, Porto Velho.

Palavras como “injustiça”, “frouxidão da fiscalização”, “estão de brincadeira”, “falta de planejamento” e outras foram ouvidas nesta quarta-feira pelo expressaorondonia.com.br, ao ir para as ruas saber o que pensa o cidadão dessa redução, apesar de ser muito menos opressiva que o estabelecido nos primeiro decretos.

Mas houve também quem não reclamasse tanto, respondendo com citações como “pelo menos não mandou fechar nossas portas”, “pior seria se fosse como antes era o dois”, “temos de rezar para voltar logo ao três”, e até  de quem parece ter até melhorado com o “sobe/desce” do período iniciado em março.

De maneira geral a sensação é que a nova punição teve várias vertentes, uma delas a enorme demanda deprimida, como explicou um graduado em Economia. “O povo estava há quase ou mais de quatro meses em casa, sem poder entrar numa loja. Aí abriram e como seria natural as pessoas saíram, foram às compras, o que aconteceu em todas cidades onde a pandemia chegou. Se o governo queria segurar a onda deveria ter colocado seus agentes nas ruas, e não fez isso”.

No entanto, a culpa pelo aumento dos casos de covid 19 não podem ser atribuída apenas às demoras do governo (incluindo a prefeitura) em se mobilizar, apesar de haver doses de razões para tal. “Veja que um hospital de campanha levou mais de um mês para ser inaugurado e, assim mesmo, não inteiramente”, lembrou uma empresária que espera pelo menos que não haja nova redução.

“O que espero é que governo e prefeitura tenham a humildade de reconhecer seus erros, inclusive da falta de ação forte na repressão a abusos. Na minha terra –  Maranhão – o confinamento foi para valer. A PM foi para as ruas e botava as pessoas para casa. Aqui muita gente faz festa e apesar de haver casos concretos, botam panos quentes” disse um taxista.

Andar pela cidade é encontrar pessoas que hoje são classificadas como “empreendedoras”, caso da ex-comerciária Ana Soares, que disse ter sido dispensada do emprego onde ganhava pouco mais de um salário mínimo e agora está em outro ramo, “adaptei minha casa, comprei um fogão de seis bocas e junto com meu marido que também ficou desempregado, começamos a fazer docinhos e outras comidas do nível e agora estamos até faturando mais”.

Mesmo admitindo que esteja faturando bem, Marielle Souza, que ficou desempregada em março, está com um ateliê em atividade, produzindo máscaras especiais, em casa mesmo, mas disse que preferia o modo antigo. “A costura já era uma espécie de outro faturamento e tem hora que cansa, mas felizmente as pessoas estão comprando”.