Acampados em frente a Assembleia Legislativa, agricultores se dizem ameaçados pelo projeto do governo estadual de criar mais reservas; eles querem paz para produzir

PORTO VELHO – Mais de uma centena de famílias, inclusive crianças de colo, estão acampadas em frente à Assembleia Legislativa em busca da mesma solução que outros, que como eles, eram pequenos agricultores há mais de 40 anos em Rondônia: querem regularização dos lotes que dizem ocupar e continuar na terra, no caso deles em situação dramática.

Tudo porque o governador Marcos Rocha já sinalizou que pretende instituir na região que eles ocupam na área do distrito de Jacinópolis, uma nova reserva florestal, ambiental ou o que seja, e não só lá, porque no total a ideia é de que sejam implantadas onze, ainda que muitas famílias estejam nessas regiões há anos.

Abrigados em pequenas cabanas de plástico, os reclamantes têm que dar seu jeito para usar banheiros ou qualquer outra atividade de higiene pessoal, ainda mais que com o sol castigando, eles têm de procurar abrigo debaixo de pequenos arbustos no ajardinamento da área em frente à sede do legislativo.

“Não somos bandidos. Podemos provar que estamos naquela região há anos, tentando produzir e sendo impedidos porque não querem regularizar ninguém sabe qual a razão? Quando falam que não podem fazer nada é sinal que preferem que abandonemos nosso trabalho”, disse um dos acampados.

Segundo disseram, eles já tentaram de tudo para conseguir trabalhar em paz. Ainda ontem, conforme alguns, tiveram uma reunião com um representante do governo que, como já aconteceu tantas vezes com outros colonos desde a década de 1970, teria repetido a mesma frase: “Eu não posso resolver. Vou falar com o governador”.

O expressaorondonia.com.br ouviu de uma fonte ligada ao governo do Estado, que dificilmente o governador vai mudar de pensamento com relação à criação das reservas. E que no encontro dos acampados com técnicos da Sedam teria sido essa mesma a resposta.

O deputado estadual Dr. Neidson, que representa os municípios de Guajará-Mirim, cuja área territorial é cheia de reservas diversas, e Nova Mamoré, onde fica o distrito de Jacinópolis em que se encontram essas famílias, disse que está tentando uma audiência direta com Marcos Rocha, mas pelo visto não estava muito animado.

“É difícil, mas estou tentando. Temos de encontrar solução porque as famílias não podem ser retiradas assim”, disse ele.

TENSÃO

No acampamento montado em frente ao prédio da Assembleia Legislativa o clima é de tensão. Nesta sexta-feira um repórter deste site quando estava fazendo fotografias foi abordado por vários homens e uma mulher, sem se identificar, queria saber o que o profissional da Imprensa estava fazendo ali. A explicação é que pode acontecer de pessoas, ligadas a movimentos considerados de grupos perigosos se infiltre e use as imagens para tirar proveito.