Mulher une terapia ao comércio de flores/Fotos Daiane Mendonça-Secom

PORTO VELHO – A esquizofrenia faz a pessoa perder contato com a realidade, sujeitando-se a alucinações e delírios, construções de ideias falsas sobre a realidade. Dona Aldenora Martins tenta livrar-se das consequências dessa doença: vende flores que ela mesmo produz, na Feira Livre do Bairro Quatro de Janeiro.
“Vou contar pro senhor, aqui nesta feira eu me sinto bem, vejo as pessoas, e elas conhecem um pouco de mim”, ela disse ao repórter na semana passada.

Passa quase despercebida às pessoas a informação médica, segundo a qual, 1% a 2% da população sofre de esquizofrenia. Essa doença é diferente da depressão ou da síndrome do pânico, que atingem de 20% a 25%.

A raridade dessa doença a torna menos compreendida. Por isso mesmo, a simpática e aparentemente saudável Aldenora sai de casa e comparece semanalmente, às quartas-feiras, ao pequeno espaço ao lado da banca de ervas medicinais de um casal. Coloca as flores no chão e espera a freguesia.

Auxiliada pela irmã Socorro dos Santos, Aldenora confecciona flores de seda e parafina, vendendo-as a R$ 10 e R$ 15. “Faço isso com muita paciência. É a terapia que escolhi para melhorar da minha esquizofrenia”, conta com leve sorriso.

No entanto, confessou que, por algum motivo não precisamente esclarecido, seu médico recomendou-lhe permanecer mais tempo em casa agora, enquanto se trata.

Nos primeiros estágios da esquizofrenia, é comum o fato de a família não perceber que a pessoa está com algum problema. E quando se tem problemas de comportamento, alguns deles invisíveis, demora um tanto para eles serem notados.

A florista recebe elogios pelos produtos, obtém algum dinheiro e volta para casa menos triste. Sua rotina poderia até não ser notada, não fosse ela insistir em contar para as pessoas o que realmente se passa com sua cabeça.

Avalie-se o quanto ela sofre, quando se depara com o preconceito de algumas pessoas desinformadas em relação à doença.

Flores de seda e parafina confeccionadas por Aldenora

O caso de Aldenora se repete no Centro e na periferia de Porto Velho, reconhecem médicos, enfermeiros e psicólogos da Secretaria Estadual de Saúde. “Quase sempre aparecem aqui pessoas assim, em busca de socorro”, conta a funcionária do Centro de Saúde Maurício Bustani, no Bairro Liberdade.

Segundo a funcionária, há muito métodos para tratar pessoas com esquizofrenia. “Medicações são bem aceitas, mas também podem funcionar a psicoterapia e projetos de reinserção social”, ela explica.

As técnicas para colocar o paciente na sociedade novamente permitem que eles retomem a vida normal e tratem da esquizofrenia como se tratassem qualquer outra doença que precisa de cuidados especiais, a exemplo de diabetes.

MONTEZUMA CRUZ