SEMANA SANTA - Sem bênção de Ramos, sem Lava-Pés, sem Procissão e sem Páscoa

PORTO VELHO – “Só nos resta praticarmos a fé em casa mesmo”. Resignado, o aposentado Lúcio Campbell é um dos centenas de milhões de cristãos de uma grande parte do mundo, que se prepara para uma Semana Santa atípica, especialmente os católicos que este ano não terão a tradição, porque será sem bênção de Ramos, sem Lava-Pés, sem Procissão do Senhor Morto e sem Páscoa; e ele mesmo complementa, “até algumas tradições que tínhamos quando éramos jovens, como malhar o judas, pegar a galinha do quintal do vizinho e até romper a aleluia, tudo fora da igreja, não vamos poder fazer porque isso leva a sair de casa e ter aglomerações, o que também está proibido”.

Com uma tradição de dois mil anos, a Igreja Católica vai ter de se adaptar, e seus fiéis também, para poder festejar sua tradição mais antiga, que tradicionalmente começa neste domingo, com a Procissão de Ramos, seguida da bênção dos ramos que normalmente são colocados nas portas das casas, e se encerra no domingo com a festa da Ressurreição. Durante a semana uma série de atividades normalmente realizadas, também não conhecerão, tudo devido ao coronavírus e às medidas de prevenção determinadas pelas autoridades e admitidas pela arquidiocese.

Na quinta-feira, o lava-pés, que remonta a quando Cristo, no cenáculo, lavou os pés dos discípulos – eram 12 e, por isso, durante a cerimônia são 12 os que terão os pés lavados e beijados pelo sacerdote. Na sexta-feira, outro momento importante, a procissão do Senhor Morto, também este ano, em razão da proibição de aglomerações, não será realizada.

Em outras religiões cristãs tradicionais, porque obedecem ao mesmo decreto “fecha tudo”, os fiéis também não terão qualquer atividade presencial. Como os católicos, há as atividades virtuais, com as respectivas celebrações.

OPINIÕES

Letícia Souza, enfermeira, adventista, entende que a grande expectativa é que, a partir de quando acabar esse período difícil, “nós tenhamos aprendido, e muito, a sermos mais generosos e solidários, e não praticarmos isso apenas em discursos que não se transforme em realidade”.

“Só espero que esses fatos, inteiramente novos para todos nós, mesmo os que, como eu, somos do grupo que chamo de “católicos de IBGE”, mas não participamos nem ajudamos, ainda assim o fato desse ano vai mudar e mexer conosco. Será uma oportunidade de reflexão”.

Mariele Cavalcanti, da paróquia Santa Beatriz, vê o que está acontecendo como uma espécie de prova. “Temos de aprender com isso e nos fortalecer na fé, dando mais atenção a nossas próprias casas e famílias. Com certeza o mundo não será o mesmo, mas não podemos esmorecer e confiar na fé de nossos pais”.