Lembram-se do “Porto Velho, deixa eu cuidar de você”?. Quem precisa de atendimento médica nas Upas e quem tem filho em idade escolar na zona ribeirinha ou na zona rural está aguardando esse ‘cuidar de você’ até hoje

PORTO VELHO – Administrar a Prefeitura de Porto Velho virou sinônimo de fim de carreira para vários políticos. Ela é um cemitério de carreiras políticas promissoras e que, depois de assumir a prefeitura de Porto Velho caem no ostracismo. Por isso, já vem se percebendo há algum tempo que nomes bem sucedidos em eleições suplementares e que teria tudo para galgar um degrau maior tentando se eleger prefeito da capital tem declinado da empreitada.

Léo Moraes (e) teme encerrar a carreira política precocemente, caso ganhe a eleição de Hildon Chaves (c) e já articula o nome do jovem Guto Pellúcio como alternativa

Depois da eleição de Mariana Carvalho a deputada federal em 2014, com a segunda maior votação da história – e uma enorme aceitação popular em Porto Velho – ela, apesar dos insistentes convites, declinou da tarefa e acabou sobrando para ao até então apagado promotor de Justiça Hildon Chaves, sócios em negócios com o empresário (?) Expedito Júnior – o ser mais esperto da política de Rondônia, Hildon virou uma aposta pessoal de Júnior e acabou ganhando a eleição do seu sucessor, o apagado Mauro Nazif.

Com um discurso antipolítico e se dizendo empresário, Hildon Chaves conseguiu enganar bem o eleitorado de Porto Velho – que em algumas circunstâncias se assemelha ao eleitor carioca na hora das escolhas importantes.

Lembram-se do “Porto Velho, deixa eu cuidar de você”?, Quem precisa de atendimento médica nas Upas e quem tem filho em idade escolar na zona ribieirinha ou na zona rural está aguardando esse ‘cuidar de você’ até hoje, faltando um ano para o encerramento da administração.

Mais votado para deputado federal nas eleições de 2018, depois de um mandato bem sucedido como vereador e outro como deputado estadual, a tendência natural do jovem parlamentar Léo Moraes seria candidatar-se a sucessão de Hildon Chaves, com quem ele disputou o segundo turno em 2016.

Mas Léo já emite sinais de que também vai ‘amarelar’, embora não admita sob nenhuma hipótese. Nem poderia!

Em conversa coma reportagem do expressaorondonia nesta quarta-feira, o deputado negou peremptoriamente que tenha decidido sair da corrida à prefeitura de Porto Velho. Segundo ele, neste momento seu foco são as ações no Congresso.

Mas, nos bastidores, os burburinhos apontam para a preparação do jovem empresário da educação privada (dono de faculdade particular, como Hildon Chaves) para assumir a candidatura pelo partido Podemos.

O que causou receio a deputado Mariana Carvalho, assim como em Léo Moraes é o de sucumbir – assim como Hildon Chaves está sucumbindo – aos enormes problemas estruturais de Porto Velho e se ‘queimar’ politicamente, encerrando a carreira precocemente.

Com esse cenário, abre-se um leque para os outros cerca de 12 nomes que se apresentam na fila de candidatos a prefeito de Porto Velho nas eleições de outubro do ano que vem.

E vale lembrar que nas eleições de 2020 só haverá coligações nas candidaturas majoritárias (prefeito). Para vereador, cada partido terá de lançar seu pelotão individual e correr muito atrás do eleitor.

A Prefeitura de Porto Velho ganhou fama de destruir carreiras politicas bem sucedidas com base em um histórico desde os tempos do então prefeito Sebastião Assef Valadares, – ainda nomeado pelos generais, quando não havia eleição direta para prefeito das capitais – passando por Tomás Correia, José Guedes, Carlinhos Camurça, Roberto Sobrinho e Mauro Nazif – este ultimo fez uma administração basicamente voltada para beneficiar os servidores público, o que lhe garantiu a eleição para deputado federal.

Nota do ‘Opinião de Primeira’ passou desapercebida

Se a eleição fosse hoje e não em outubro de 2020, como será, o futuro do jovem deputado federal Léo Moraes estaria definido. Ele seria sim candidato. Não à Prefeitura, mas sim à reeleição, em 2022. Isso mesmo! Apesar de ser considerado um nome fortíssimo para disputar a sucessão municipal em Porto Velho (alguns dos seus eleitores acham que ele seria imbatível) Léo diz não ao projeto. Sempre se acreditando a hipótese de que ele não concorra no ano que vem, ele provavelmente apoiaria o nome do jovem Guto Pellucio, para ser o candidato do Podemos à sucessão de Hildon Chaves. Há ainda um longo caminho a ser percorrido, porque haverá muitas mudanças, muitas lideranças novas, muitos projetos que recém estão começando, no caminho da eleição municipal de 2020.  Mas é sempre bom se ter um pé atrás. Uma decisão política tomada um ano antes das urnas, tem muito tempo para ser alterada. Vamos esperar para ver… (Sérgio Pires)

Reportagem e texto de: Carlos Araújo

Fonte: expressaorondonia.com.br