Mulher teve cadastro no Bolsa Família bloqueado e o Tribunal de Contas de Rondônia também já está investigando o caso

CHUPINGUAIA – A estória é daquelas já bem conhecida no anedotário de sacanagem que se faz com o dinheiro público no Brasil. A patroa pede documentos à sua empregada alegando que vai conseguir uma nomeação na Prefeitura da cidade, depois devolve os documentos informando que não conseguiu a nomeação. Na verdade, a inocente mulher foi nomeada e o salário sai em seu nome, mas é sacado por outra pessoa há sete meses. 

O caso foi descoberto em Chupinguaia, após a pobre mulher procurar ajuda de um político para tentar reverter o bloqueio de seu cadastro junto ao programa Bolsa Família. Uma mulher de 38 anos, moradora de um sítio na cidade de Chupinguaia, deu informações bombásticas ao ser ouvida na polícia, e o caso já está sendo investigado também pelo Tribunal de Contas de Rondônia.

No mês passado, Rosângela Alves Lopes pediu ajuda ao candidato do PTB a prefeito de Chupinguaia, Wanderley do Corgão, porque seu benefício do Bolsa Família havia sido cortado, e ela não conseguia se cadastrar para receber as parcelas do auxílio emergencial.

O caso foi repassado para o médico Wesley Araújo, filho de Wanderley, que começou a investigar o que estava acontecendo. Ao verificar o Portal da Transparência da Prefeitura de Chupinguaia, foi constatado que Rosângela havia sido contratada em cargo comissionado para trabalhar no SAAE, autarquia ligada à prefeitura.

Ao ser confrontada com a informação, a trabalhadora rural relatou o caso que está prestes a se transformar em escândalo: à policia, ele disse que foi procurada pela prefeita de Chupinguaia, Sheila Mosso (DEM), e por sua patroa. As duas, segundo relatou em depoimento, pediram seus documentos, prometendo nomeá-la.

Algum tempo depois, Rosângela recebeu um cartão bancário, que teria ficado com a patroa. O cartão seria usado para que a nova servidora portariada sacasse seu salário no Banco do Brasil.

Em outra visita, no entanto, a mulher que havia lhe prometido o emprego devolveu os documentos e explicou que ela não seria contratada por não possuir escolaridade.

Ao investigar o caso, Wesley descobriu que o salário da sitiante vem sendo sacado há sete meses. Rosângela garantiu à polícia que as retiradas não foram feitas por ela.

Policiais civis já fizeram diligências no sítio onde a denunciante é empregada, e o resultado das investigações deve ser divulgado em breve.

O OUTRO LADO

O site fez contato com a prefeita do  município e passou a ela o teor da denúncia. Desde ontem, Sheila está ciente do caso, mas ainda não se manifestou em relação às acusações. A versão dela será publicada tão logo chegue à redação.

Fonte: Folha do Sul