Todos exaltam o nosso progresso, mas, será que os filhos dos filhos dos nossos filhos conseguirão se orgulhar do estado onde nasceram

Zé Katraca

PORTO VELHO – E ontem foi o Dia da Amazônia e para não repetir o jargão super manjado, utilizado em tudo quanto é data que diz respeito à comemoração de alguma coisa importante: “Não temos o que comemorar”. Na realidade não podemos escapar dessa verdade, comemorar o que? As queimadas, a devastação da floresta, a exportação de madeira, o assoreamento dos nossos rios.

Rondônia em especial, apesar das estatísticas atuais não confirmarem, sabemos que esse tão comemorado progresso, veio através da devastação da nossa floresta, no tempo da colonização, que começou para valer em meados dos anos de 1960.

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Quando o negócio era “INTEGRAR PARA NÃO ENTREGAR”, a maioria das cidades que formam o estado de Rondônia, foram frutos da devastação da nossa floresta. Basta lembrar que a área conhecida como “Zona da Mata” foi a mais prejudicada. Ali surgiram os municípios de Rolim de Moura, Santa Luzia, Alta Floresta, Alto Alegre dos Parecis,

Porque consideramos aquela área como a que foi mais devastada? Porque os municípios e cidades que ficam às margens da BR-364 como Ariquemes, Jaru, Ouro Preto, Cacoal, Pimenta Bueno e outros, eram SERINGAIS. Foram transformados em NUARES ou PROJETO de Colonização como foi o caso de Ouro Preto.

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Vilhena e o Vale do Jamari hoje ardem com tanto fogo, enquanto Porto Velho ao amanhecer parece uma cidade do Sul. Só que a nossa neblina, é FUMAÇA provocada pelas QUEIMADAS que circundam os arredores de Porto Velho.

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No Dia da Amazônia vamos festejar o MERCÚRIO que poluiu a água do nosso rio Madeira provocando a contaminação dos nossos peixes e em consequência, atentando contra a saúde da nossa população.

Vamos festejar o assoreamento dos nossos rios, em especial do Rio Madeira, cuja navegação é prejudicada pelos milhares de bancos de areia existentes ao longo do seu leito.

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No Dia da Amazônia gostaria de estar escrevendo, elogiando os índios de Alta Floresta por serem campeões brasileiros no cultivo do Café Robusta e que os Suruís são nosso orgulho no que diz respeito a preservação da Floresta e faturam com a venda de Carbono.

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Já não bastasse a falta de demarcação das terras indígenas, agora veio a covid devastando vidas.

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Rondônia, talvez, por ser um estado sem identidade cultural, em virtude do grande número de migrantes que para cá vieram de todos as regiões brasileiras sob a égide: “Venha para o novo Eldorado”, se transformou num dos maiores produtores de soja, milho e tudo quanto é grão o que deixa muita gente feliz.

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Além de contar com um dos maiores rebanhos bovino do Brasil, o que é cantado em prosa e verso, pelos frigoríficos e fazendeiros. Somos um estado, grande produtor de carne bovina, inclusive um dos maiores exportadores.

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O mundo come carne de boi, que é comercializada com muito orgulho pelos nossos pecuaristas como “CARNE DE BOI VERDE”, porque nosso pasto praticamente não precisa de muito fertilizante.

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Isso nos enche de orgulho, mas, será que os filhos dos filhos dos nossos filhos conseguirão se orgulhar do estado onde nasceram. Será que o pasto ainda será verde como hoje, quando eles chegarem ao mundo?

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É natural que os governantes escutem apenas os empresários e deixem de lado os alertas das entidades que pregam a preservação da Amazônia.

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A FUNCULTURAL informa aos responsáveis pelos Espaços Culturais cadastrados que, como parte da avaliação e habilitação desses espaços para o recebimento dos recursos emergenciais de que versa a Lei Aldir Blanc, que entre os dias 03 e 18 de setembro no horário das 8h às 18h, a equipe técnica da instituição estará se deslocando aos endereços cadastrados para os procedimentos de identificação e tomadas de informações.

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Também informamos que, um dia antes das visitas a FUNCULTURAL enviará e-mails e fará chamadas telefônicas confirmando. Orientamos a todos para que se atentem a essas duas formas de contatos.

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Dúvidas ou esclarecimentos podem ser enviadas para [email protected] ou pelo telefone 69 3223-8830, das 8h as 14h.

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Bom, voltando ao assunto: Será que temos mesmo o que comemorar no DIA DA AMAZÔNIA?

Por: Sílvio M. Santos