A praça original, quase 70 anos atrás /Arquivo Sejucel

PORTO VELHO – A Praça Jônathas Pedrosa já foi “do povo”, a exemplo de tantas outras em Rondônia e Brasil adentro. Desde a cheia do Rio Madeira, em 2014, ela é dos camelôs, em grande parte “expulsos” do shopping popular na margem direita do Rio Madeira. Pelo menos até agora não há solução para o drama social, comercial e urbanístico.

O ambientalista e produtor de cinema Ricardo Peres fez um passeio entre barracas de confecções, consertos de relógios, venda de sorvetes, pequenas lanchonetes e outros espaços criados ali dentro. 

Veja o vídeo de Ricardo Peres

Seu relato: “A falta de um espaço adequado vai deixando a Capital de Rondônia cada vez mais feia e bagunçada. São trabalhadores que foram despejados pela enchente de 2014 e que, mais de dois anos depois, ainda não conseguiram de restabelecer. A promessa na administração passada era da construção de um novo shopping popular para abrigar os permissionários na Rua Euclides da Cunha, mas por enquanto, apenas a sujeira e uma velha estrutura são abrigadas naquele local.”

Segundo o historiador Abnael Machado de Lima, essa praça foi construída em 1915 pelo então superintendente Fernando Guapindaia de Souza Brejense, com autorização do Conselho Municipal (órgão equivalente à Câmara Municipal). Edificada sobre o charco Barreiro das Antas devidamente aterrado, conforme o projeto do construtor José Ribeiro de Souza Junior por ele executado.

Lembra o professor Abnael que a parte central do terreno era atravessada por um trecho da Rua José Bonifácio, interligando a Rua Barão do Rio Branco à Avenida Sete de Setembro, esta, interrompida por uma grande e profunda cratera alagada pelas águas do Igarapé Favela.

“Formava-se um imenso charco compreendido entre as ruas Barão do Rio Branco ao norte, a Prudente de Morais ao oeste, General Osório ao leste e a sete de Setembro ao sul”, ele conta.

O trecho dava continuidade do trânsito da Sete de Setembro, prosseguindo pela Barão do Rio Branco até a confluência com a Gonçalves Dias. Retornava à Sete de Setembro em sua continuidade.

A cratera fora aterrada pelo ex-governador do extinto Território Federal de Rondônia, coronel Ênio Pinheiro, permitindo livre trânsito em todo percurso da avenida Sete de Setembro. Concluída a construção da praça, ela foi solenemente inaugurada e denominada Amazonas, com calhas d’ água anexas.

“No transcurso dos anos, relata Abnael, foram executadas reformas, entre as quais a unificação das duas quadras, instalação de equipamento modernos de iluminação, jardinagem e outros bens públicos, a tornando aprazível ponto de convergência da população.”

Projeto do arquiteto Luiz Leite remodelaria a Praça Jônathas Pedrosa

Segundo o historiador, havia constante zelo por sua manutenção higiênica e sua segurança. Na década de 1950, um empresário instalou ao seu redor um posto de gasolina. Pela inconveniência e pelo risco que representava, teve que ser desativado.

Por aí se avalia o nível de cuidado existente quase 67 anos atrás e a indefinição de hoje, quando não se permite que a praça seja devolvida à população, tampouco remanejam os camelôs para outros pontos da cidade.

Veja a Praça Jônathas Pedrosa hoje, neste vídeo