Jaru – A saga dos Muletas não está tendo final feliz. De uma humilde família de trabalhadores nos anos 80 em Rondônia, a caminhada desta família rumo ao Poder começou com a eleição de João da Muleta para deputado estadual. A partir daí, elegeu-se o irmão José Amauri dos Santos, prefeito de Jaru por duas vezes e ainda conseguiram eleger o sobrinho, Jean da Muleta. Enquanto cometiam várias irregularidades com o dinheiro público, projetavam o crescimento na política. Até que veio a operação Dominó, em 2006, e começou a desmoronar o castelo construído sobre areia.

Agora, em mais um revés para o ex-deputado João da Muleta, que cumpre pena por mal feitos cometidos quando deputado estadual. Na semana passada, foi sumariamente demitido dos quadros da Prefeitura Municipal de Jaru, de onde, segundo ficou apurado por uma comissão de sindicância, recebia sem trabalhar há mais de 20 anos.

Cumprindo prisão domiciliar, o ex-deputado sofre mais um revés com a demissão

O prefeito municipal de Jaru, João Gonçalves Junior, assinou decreto n.º 10158/GP/2017, publicado no último dia 03, demitindo do quadro de servidores estatutários do Município de Jaru, o servidor público João Batista dos Santos (João da Muleta).

A demissão ocorreu em conformidade ao relatório final expedido pela Comissão Permanente de Processos Administrativo Disciplinar nº 1-923/2017, que mediante as irrefutáveis irregularidades cometidas pelo agente público, sugeriu pela aplicação da referida pena.

O que pouca gente sabe é que João da Muleta, era servidor público municipal a 27 anos, porém não há registros que ele tenha prestado serviços nas últimas duas décadas.

João da Muleta, ingressou na estrutura pública municipal como agente administrativo em 12/03/1990 durante a gestão do então prefeito Sidney Rodrigues Guerra, período em que exerceu sua função até 1995 quando se afastou para assumir seu primeiro mandato como deputado estadual. Em 1999, se reelegeu e, em 2003, foi reeleito novamente permanecendo na Assembleia Legislativa até o termino de seu 3° mandato, em 2006. Desde então, João da Muleta, não retornou a Prefeitura Municipal. Desde então, seis gestores públicos já passaram pela Prefeitura, mas, supostamente, foram coniventes ou inoperantes perante a situação.

O jovem prefeito João Gonçalves Júnior identificou a irregularidade ao assumir e mandou instaurar uma comissão processante

Ao assumir, a atual gestão identificou a irregularidade, iniciou o Processo Administrativo Disciplinar, que após assegurar ao acusado o amplo direito de defesa, conforme os princípios constitucionais, concluiu pela demissão.

Nesta segunda feira (06) seu nome deixou de constar na folha de pagamento do município. Em consulta ao Portal da Transparência o ex-servidor aparecia como afastado por motivos de saúde.

João da Muleta atualmente cumpre pena de 8 anos e 4 meses em prisão domiciliar, por participação em um esquema criminoso revelado pela Policia Federal em 2006 na “Operação Dominó” que desviou cerca de R$ 70 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia.

 

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