Rastros de pés descalços denunciavam que pessoas haviam entrado na área externa da casa e no paiol

VILHENA – Rondônia tem várias regiões onde a atividade agropecuária está muito próxima às terras indígenas e isso, mais cedo ou mais tarde, acabaria gerando algum tipo de tensão. A região conhecida como Cone Sul não é diferente, com várias reservas e terras indígenas divisando com áreas destinadas a agricultura ou pecuária.

Na manhã da última quinta-feira, 5, três homens procuraram a Unisp (Unidade Integrada de Segurança Pública) para denunciar invasões de indígenas em suas propriedades rurais, que ficam na BR-174, em Vilhena.

No primeiro caso, um servidor público de 48 anos afirmou que em 29 de novembro flagrou os índios pescando com o uso de flechas em um rio que fica dentro da fazenda que o pertence. Ele estima que foram levados 50 quilos de peixes.

Ao tentar explicar que a área era uma propriedade privada, onde só poderiam entrar com autorização, um dos indígenas disse que não queria conversa com homem branco e que eles eram de uma tribo que fica a cerca de 200 km do local onde estavam. Ele ainda ressaltou que o grupo voltará no próximo ano para buscar papagaios, já que em sua reserva não há tais aves.

Não é a primeira vez que isso acontece na propriedade do servidor público, que já havia registrado uma ocorrência sobre furto de peixes no mesmo período, em 2018.

Já seu vizinho de área rural relatou que, ao chegar em seu sítio, o cadeado da porteira estava quebrado. Os rastros de pés descalços denunciavam que pessoas estiveram por ali, e que haviam entrado na área externa da casa e no paiol. Ao conversar com os vizinhos que passaram pela mesma situação, o proprietário da área soube que indígenas estiveram por ali para pescar.

Do sítio do terceiro comunicante também foram levados peixes. Ao chegar a sua casa, de onde estava ausente quando os indígenas passaram por lá, notou os rastros de pés descalços pelo quintal.

Nenhum reclamante soube informar às quais etnias ou tribos pertencem os índios invasores. Na sequência da apuração das denúncias, a Polícia Civil deverá acionar a representação da Fundação Nacional do Índio (Funai) na região.

O caso foi registrado como esbulho possessório.

 Fonte: Jéssica Chalegra; da Folha do Sul on Line