MONTEZUMA CRUZ

Valente e cruel, o afiado, imponente e imprescindível machado foi muito usado nas derrubadas da floresta em períodos da colonização dos extintos territórios federais do Guaporé e Rondônia. Ele sempre fazia parte da lista de compras em seringais, mais tarde em serrarias, sítios, fazendas e aldeias indígenas. Pediam-se nas lojas do ramo: machados, facões (terçados), enxadas, foices e rastelos.

A motosserra ajudou a abrir clareiras na Amazônia nos anos 1970, porém, o encontrou reinando entre outros instrumentos usados por peões e mateiros. Ninguém trabalhava sem ele, e assim se cumpria também uma das determinações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra): para ter direito ao lote, o colono  deveria desmatá-lo em 50%, formando lavouras. Serviço para machado e motosserra.

O uso do machado é uma arte. Exige ritmo, destreza e cuidado. A falha num desses itens é corte violento na certa.

O negro Manuel Urbano da Encarnação era mestre no uso dessa ferramenta. Aos 86 anos ele ainda cortava lenha nas barrancas de rios que ajudou a identificar, antecedendo Euclides da Cunha na região do Purus, no Acre.

Repórter na Secom-RO. Chegou a Rondônia em 1976. Trabalhou nos extintos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Parceleiro, e na sucursal da Empresa Brasileira de Notícias (EBN). Colaborou com o jornal Alto Madeira. Foi correspondente regional da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.