Lúcio Albuquerque

Por Lúcio Albuquerque – A casa de shows na rua Uruguai atrás da igreja Sagrada Família já estaria alugada a partir do meio dia deste sábado. Na casa do aposentado Rafael Novais, na zona Sul, a decoração do aniversário de cinco anos do neto é toda vermelho-preto-branco. O garoto P.A., de cinco anos, está cobrando a promessa feita pela mãe de comprar uma camisa do Flamengo para ele assistir ao jogo. Um bar, muito conhecido na região do bairro 4 de Janeiro, está cobrando 100 reais se o cliente quiser assistir ao duelo.

Como parece estar acontecendo em muitas cidades brasileiras, também em Porto Velho a decisão da Libertadores deverá movimentar o comércio, causar movimentação bem maior do que acontece num sábado à tarde e fazer da partida entre o campeão da Libertadores do ano passado e o campeão de 1981, um título que uma grande parcela, talvez a maioria, dos flamenguistas de hoje nem viu, só ouviu falar se tornar um dia bem diferente.

Jonas dos Santos, morador da Duque de Caxias, bem no centro de Porto Velho, já arrumou o carro para comemorar, mas como outras pessoas está com “um pé atrás”. Segundo ele, “muita gente está torcendo contra e esse pensamento negativo pode atrapalhar”. Outro que acredita no campeonato mas quer ver primeiro acabar o jogo é Marcos Oliveira, residente no bairro Nacional, que vai estar trabalhando “no bar de um corintiano que já avisou não querer torcedor dentre os empregados. Eu vou com fé, mas é bom termos os dois pés no chão, porque do outro lado ninguém chegou à final de graça”.

O Flamengo ganhando, garantem torcedores, o final de semana será pouco para as comemorações. “Uma coisa é certa, acho que nem para a missa eu irei, porque vou emendar a festa já que 2ª feira é meu aniversário”, contou Roberto Sena, 28 anos.

“Nós vamos fazer um grande carnaval fora de época”, e começar ainda pela manhã e sem hora para acabar. Até meu irmão que é vascaíno está torcendo com a gente”, falou a professora Ana Maria de Souza.

De Porto Velho para Lima calcula-se que foram mais de 200 pessoas, gente que seguiu de carro, outros de ônibus e mais, ainda, indo pegar o avião em Riberalta (Bol) para de lá, após algumas conexões, conseguir chegar ao local da disputa, em Lima, a quase 2.700 quilômetros da capital rondoniense.

“Minha irmã foi com o marido e um casal amigo deles, pegaram um avião em Guayaramerin. Interessante é que no voo para Lima uma aeromoça, num misto de espanhol e português disse aquela frase provocativa que os corintianos falam aos palmeirenses: “O Palmeiras não tem mundial”, contou uma funcionária da Assembleia Legislativa.

Fernando, um funcionário aposentado do Judiciário, disse que está tudo pronto para comemorar, “mas o danado é que de repente o River resolve fazer um gol e complicar a vida da gente”. De qualquer forma Fernando já preparou vários amuletos, “porque vale tudo pra gente ganhar”.

Quem acredita na vitória do Flamengo tranquila garante, como o casal Jorge e Vitória, cujo namoro começou quando o Fla foi campeão brasileiro. “A gente nem se conhecia. Eu estava com 14 anos e fui na casa de uma colega ver o jogo quando ela me apresentou um primo, isso em 2009. Dez anos depois queremos comemorar com o Brasileirão e a Libertadores”, disse Vitória, que pretende não se exaltar muito porque deve, até dia 2 de dezembro, ter o segundo filho.

 

ARTE BARÃO FOI SHOW DE INCLUSÃO E SOLIDARIEDADE

Lúcio Albuquerque

Os jovens estudantes da tradicional escola estadual Barão do Solimões foram o show maior durante a realização, sexta-feira passada, da oitava edição do projeto “Arte Barão”, com apresentação de valores artísticos dentre os próprios alunos e artistas convidados, programação com apoio técnico do professor e músico Erivaldo Trindade, o Bado.

A denominação “Arte Barão” só passou a ser adotada a partir de 2014, sendo que a primeira edição, em 2012 foi “Sexta Show”, já estando integrado ao calendário escolar, e a plateia formada além de professores, estudantes e seus familiares, também por muitos muitos convidados e familiares

Durante mais de duas horas, com a quadra do Barão lotada, os valores artísticos da escola foram mostrados em várias formas, desde fotografias, colagens, pinturas, poesia, dança e muita música, com interpretações especiais por estudantes de todas as turmas, mas totalmente integrados às atividades da escola. “Uma demonstração importante de que a adesão da comunidade do Barão foi total”, disse o diretor Marcelo Araújo.

As apresentações foram elogiadas por várias pessoas, algumas lembrando ter filhos em outras escolas e não notarem esse clima de participação que aconteceu na escola onde em 1944 foi instalado o Território Federal. Dona Marta M. disse que já era a segunda vez que vinha assistir e que ficou muito emocionada pelas apresentações de alunos especiais, “mostrando que no Barão a palavra “inserção” está sendo praticada”.

O universitário Richard Oliveira disse que ia passando em frente à escola e ao ouvir a manifestação da plateia resolveu entrar. “Valeu a pena. Tivemos manifestações as mais diversas de estudantes em variadas expressões artísticas. EDspero que essa ideia se espraie para outras escolas”, disse.