A ordem do chefe deles era retirar das calçadas todas as mesas e cadeiras, e outros objetos ali colocados por donos de bares e restaurantes, mas houve interferência

PORTO VELHO – Por motivos óbvios eles não se identificam. Mas basta uma conversa com eles que acabam contando as muitas dificuldades e as denúncias de interferência política quando buscam cumprir suas obrigações ou determinações superiores. “Se botar meu nome ou minha foto eu serei pelo menos advertido”, disse um dos fiscais municipais, grupo responsável desde cumprir determinações de desocupar calçadas tomadas por cadeiras e mesas de bares até verificar se normas estabelecidas estão sendo cumpridas em mercados e feiras.

Na feira livre clientes têm de se espremer para circular entre as bancas

Os casos são os mais variados. “Você conhece ali onde é a “Calçada da Fama”?. E o fiscal conta que uma tarde foi estacionado um caminhão descaracterizado em frente a um bar naquele local. A ordem do chefe deles era retirar das calçadas todas as mesas e cadeiras, e outros objetos ali colocados por donos de bares e restaurantes.

No início da noite os trabalhadores chegaram e começaram a retirar o que impedia a passagem daquele trecho público, colocando tudo em cima do caminhão, mas ao chegarem uma das mesas, onde havia três pessoas elas se negaram a sair, destrataram os trabalhadores e se identificaram. Eram três conhecidos vereadores, um deles contumaz reclamante contra o uso de calçadas públicas por bares e restaurantes.

“Sabe o que aconteceu?”, E contou, um dos vereadores telefonou para o secretário, chefe dos fiscais e mandou que eles parasse. A única reação dos trabalhadores foi ir embora para casa, deixando as tralhas no lugar onde haviam colocado, em cima do caminhão.

“A gente não pode nem pedir a um feirante que faça a coisa correta ou, como acontece com os que atuam nas feiras livres, para que os feirantes deixem um espaço para os clientes poderem circular. Eu já tentei e na hora ligaram para dois vereadores, eles nem vieram, ligaram de onde estavam para o prefeito e ele mandou a gente parar”, contou um fiscal.

Ainda há duas semanas  um repórter do expressaorondonia.com.br procurou um fiscal, na feira da Amazonas, sobre problemas criados por veículos dentro do espaço da feira o que poderia causar um acidente grave. “Tinham duas motos carregando produtos e uma caminhonete forçando a passagem e os clientes que se danassem”, lembra o repórter.

E sabem qual foi a resposta do fiscal quando questionado? “Moço, deixa aí. Se eu for querer parar eles vão me denunciar e eu já fui ameaçado de punição”.

Sobre apoio do prefeito para seu trabalho, eles revelaram que o único que os ouvia foi o prefeito Mauro Nazif (2013/2016). Os outros nem aparecem aqui, só se vier com televisão, disseram.