Segunda mais antigo cerimonial religioso da Amazônia – exceção é o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, é a maior procissão fluvial do Brasil

COSTA MARQUES – A Festa do Senhor do Divino Espírito Santo, realizada desde 1894 nas comunidades brasileiras e bolivianas do vale do Rio Guaporé, será este ano na sede da própria Irmandade, em Costa Marques, começando dia 13 de abril, na “segunda de Páscoa” e terminando no domingo de Pentecostes, a 31 de maio, visitando 49 comunidades dos dois países.

A Festa do Senhor do Divino Espírito Santo, segunda mais antigo cerimonial religioso da Amazônia – exceção é o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, conforme a tradição, é a maior procissão fluvial do Brasil, por centenas de quilômetros, uma viagem de barco e canoa onde acima de tudo a tradição religiosa é mantida. Ao contrário de manifestações tais existentes em outros estados brasileiros, a Festa do Divino, no rio Guaporé, não tem cavalhada nem disputa de grupos de “mouros” e “cristãos”.

Na visitação às várias comunidades, incluindo fazendas ou vilas maiores e até sede municipal, como é o caso da cidade brasileira de Pimenteiras, todo o séquito será recepcionado pelos moradores, incluindo aí alimentação e, se for o caso, estada, ocasiões em o ritual completo é obedecido pelos participantes e pelos que recebem a comitiva.

Antes da igarité (canoa) com os símbolos e as autoridades da festa aportar em frente a um dos locais de atracação, da proa é disparado um “tiro” com um potente foguete através da “ronqueira”, como se fosse um canhão, avisando que a festa está chegando. Tão logo o som é ouvido, às vezes de uma distância superior a 500 metros, o que repercute com força sobre as águas do rio.

Logo os fiéis que estão esperando, muitos deles vindos de locais os mais distantes, os promesseiros – os que durante o ano ou que estão cumprindo promessas feitas há mais tempo, se jogam na água e ficam à espera da igarité chegar. Quando a comitiva aporta à sede do encerramento, como é o caso agora de Costa Marques, os que vêm no barco recebidos primeiro pelo imperador e a imperatriz, sorteados na festa anterior e que não necessariamente são marido e mulher, ou da mesma cidade.

Os dois recebem os símbolos da Festa do Divino e, a seguir, se inicia a primeira procissão na localidade, seguindo-se o velório, onde durante a noite toda revezam-se os fiéis e membros da Irmandade, cantando e rezando. Na última noite, sábado, é realizada a derrubada do “mastro do Divino” e, no domingo, o encerramento.