PORTO VELHO – Numa capital amazônica cujo porto em realidade é o barranco do Rio Madeira, a rodoviária mais parece uma pocilga e o Teatro Estadual não funciona há mais de um ano sem atender suas finalidades, o Espaço Alternativo, que levou um tempão para ser inaugurado, mas incompleto conforme o projeto, acabou sendo apresentado como o “cartão postal” da cidade, para quem chega pelo aeroporto.

Ainda recentemente o governo do Estado divulgou um vídeo, onde o áudio afirmava estarem sendo feitas obras no Espaço, mas pelo visto a falta de manutenção e de segurança constante transformaram, se é que as imagens do vídeo são mesmo verdadeiras, em jogar dinheiro fora.

A rede de proteção, de um dos brinquedos construídos para as crianças, teve um dos lados destruído e com sinais de ter sido cortada à faca

O estado de destruição no Espaço pode ser visto por qualquer um. São centenas de pequenas árvores que foram, umas cortadas ao meio e outras com suspeitas de envenenamento, todas mortas, os botecos e banheiros arrombados e até vasos sanitários roubados, das três “academias ao ar livre”, cada uma com dez equipamentos também quebrados, sendo que só a primeira (em frente à Vila da Aeronáutica) ainda apresentando condições de uso.

A água invadiu o painel do seringueiro que tem uma de suas faces quebrada

As outras duas estão com equipamentos praticamente destruídos e só a última ainda tem três peças possíveis de utilização, e a do meio sem qualquer condição mínima de uso. “Eles mandaram fazer correções mas apenas taparam buracos que havia nas barras onde as pessoas seguram para se exercitar, alguns dos serviços tão grosseiros que era melhor terem deixado como estava”, reclamou Mirtes S., que desde a inauguração incompleta feita por Confúcio “tenho dito que isso vai ser entregue às traças, aliás, já entregaram”.

– Dos 12 equipamentos dessa “academia ao ar livre”, só restaram três em condições de uso

E quem faz isso? “Com certeza quem vem para cá fazer farra, depois das 22 horas. Eu gosto de vir de manhã cedo para caminhar. Tem domingo que venho com minha família e noto que algumas palmeiras e outras árvores plantadas estão em seus lugares. Quando chego na segunda muitas já estão destruídas”, reclamou William Soares que ainda ontem mostrou duas palmeiras arrebentadas.

O painel da principal figura e patrono do Estado, o Marechal Rondon, está destruído também pela chuva e por ação humana

“Não sei para que anunciaram que tem um sistema de vigilância eletrônica. Parece que apenas colocaram uma peça diferente num poste mais alto só de enfeite e para fazer propaganda, porque não se tem notícia se aquilo presta para alguma coisa, já que todos os dias temos mais destruição por aqui”, foi a queixa de outro “madrugador”, Oscar Uchoa que chega por volta das 4h30.

ATE O MARECHAL

Vários painéis, retratando fases do desenvolvimento e personalidades rondonienses, foram colocados numa parte elevada depois do trem, mais a maioria deles está sendo destruída, pelo material inferior usado para isolar os quadros ou por ação humana.

Uma das “vítimas” é o painel que retrata a figura mais importante da história local, o Marechal Rondon, patrono do Estado. Os danos ali podem ser mais tributados às águas das chuvas, o que confirma utilização de material de isolamento incompatível com as chuvas da região.

O que restou de uma das mais de 100 palmeiras destruídas, apenas um toco

Na lista de obras com problemas também tem destaque o teatro estadual “Palácio das Artes”, inaugurado ao apagar das luzes do primeiro mandato de Confúcio Moura, está mais um vez prado e, pelo visto, sem chance de voltar a funcionar para sua finalidade principal, a de ser o palco da arte cênica e musical da capital rondoniense.

O governador Confúcio Moura (paletó) e o senador Valdir Raupp na  inauguração do “Palácio das Artes”, mas hoje o espaço serve só  para encontros jurídicos e posses. A arte ficou marginalizada

O problema, conforme informações, seria uma peça-mestre da distribuição das cortinas, que teria sido instalada de forma inadequada.  “Deve ser uma obra que envolve muito planejamento, porque tem mais de um ano que ali só se fazem atos políticos, mas a finalidade principal continua sem direito ao uso, no nosso “elefante branco”, um termo que, em obras públicas é sinônimo de dinheiro jogado fora.