Judiciário dará a palavra final, em audiência agora pela manhã, sobre o pedido do prefeito Hildon Chaves para fechar a cidade por mais 14 dias

PORTO VELHO – Vai competir a um juiz de Direito, nesta segunda-feira, decidir sobre manter fechada uma importante fração da força econômica da capital ou a permissão para manter como está ou, até mesmo ampliar. Um problema que, como a própria situação da pandemia em Porto Velho, tem várias faces, a começar pela tibieza como o próprio governo estadual encarou a doença e por isso temos ouvido de vários moradores, sobre a área de saúde, afirmações de que foi a falta de ação imediata cuja responsabilidade fica sediada no CPA, aliada a diversos fatores desde a falta de diálogo com segmentos importantes, parceiros sociais, em tomadas de decisões quanto à própria e, sinceramente, absurda, posição do gestor municipal em abdicar de seu direito legal em cumprir suas obrigações para o que foi eleito e empossado.

Nesses mais de três meses que a pandemia desembarcou em solo rondoniense, lá em Ji-Paraná, um alienígena, um festival de situações levou a começar a se formar dentro da sociedade portovelhense  a ideia que se estava formando uma guerra de egos e, pelo visto neste momento, até a suspeita de estar havendo manipulação de dados para tentar, assim, influenciar direto na decisão judicial.

Num dia a escalada do crescimento de vítimas estava em plena alta, ajudada, e nisso nós da imprensa temos de admitir nossa culpa, pelo quase deleite em copiar noticiários oriundos de outras plagas para noticiar mortes e doentes, numa escalada tal que já causa asco, tal a maneira como a informação é levada ao telespectador, ouvinte ou leitor, dando-se ênfase aos óbitos, como se houvesse intenção muito além de informar.

No outro dia, como se num passe a fada “sininho”, da “Terra do Nunca”, passasse sobre Porto Velho e derramasse algumas partículas de seu pozinho mágico e, “blim-blim”, caíssem os números de novos casos e despencasse a quantidade de óbitos. Mortes que já geraram suspeitas de que se implantou  a generalização de seus registros tendo como causa apenas o coronavírus, como se todos os males, capazes de mandar o ser humano pegar o trem da meia-noite, tivessem sido esquecidos e fosse tudo para o crédito para o covid 19.

Desde o início, há situações que pelo menos deveriam merecer mais atenção, como, por exemplo, a razão pela qual as nossas bancadas federais, estaduais e até os vereadores, têm passado ao largo da discussão. Entram no debate apenas de vez em quando e, ainda assim, gerando a dupla ideia de desconhecimento técnico da questão aliada à clara necessidade de aparecer para tentar ganhar espaço na mídia.

E haja discurso, mostrando os supostos erros, e nada de ajudar efetivamente.

Há situações que precisam ser melhores explicadas e continuam no limbo, até pelo temor demonstrado, segundo quem foi à coletiva de alguns dias passados em que teria havido recomendação de não serem feitas perguntas, o que mais uma vez levantou a suspeita de que pode haver alguma coisa debaixo do tapete. Isso, somado a outros fatores, como a questão das alas do Hospital de Base, com toda a estrutura gerencial comum ao que se exige de um hospital, alas que foram ignoradas pelo governo, apenas com explicações vazias depois das denúncias, e de ter preferido comprar – um ato que ainda está a merecer atenção maior dos órgãos de controle – um prédio por 12 milhões de reais, mas até agora  não se tem conhecimento de quanto mais vai custar sua estruturação e, muitos dias depois de seu anúncio, está funcionando parcialmente conforme várias vezes anunciado pelo governo, passando pela novela da compra de insumos etc. Apenas para citar um exemplo, no vizinho Estado do Acre o governo construiu dois hospitais de campanha, com total de 200 leitos. Não dá nem para comparar com o que se vê por aqui.

A lista de questionamentos é grande, incluindo a falta de coragem em admitir que um velho conhecido do amazônico, remédio inventado por um cientista paraense, sob alegações de “falta de comprovação científica”, não fosse utilizado, como se a um afogado precisando de socorro, desesperadamente, não pudesse ser-lhe atirada uma corda porque não há comprovação científica de que a corda possa ou não salvar quem esteja morrendo.

Depois de ver ruir sob seus pés um espaço que pode influenciar na disputa eleitoral por sua sucessão, e por sua possível intenção em disputar a reeleição, o prefeito de Porto Velho, que abdicou de seus deveres para com a população, partiu para o ataque acusando o governador de fazer jogo político, usando para tal a situação gerada pela pandemia – uma afirmação até interessante porque não é novidade ouvir-se que o gestor estadual sabe pouco do que seja “fazer política”, mas, claro, deve ter sua preferência com relação ao governo municipal e, pelo visto, não deve ser o atual titular.

Do juiz que deverá dar a palavra – que certamente vai desaguar em novas ações judiciais – não se espera uma decisão salomônica. Mas que do resultado que saia da caneta do magistrado venha o aprendizado, de parte dos litigantes, de que não podem brincar com coisa muito séria porque infere diretamente nas vidas de centenas de milhares de pessoas, de que não se pode brincar de governar, porque o preço tem sido, e pode ainda ser muito maior, de vidas humanas, tanto em termos de óbitos ou sequelas quanto ainda do aumento do desemprego e do desespero e da desesperança advindos daí, cujos efeitos já estamos sentindo.

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