E havia o “Bloco da Turma do Que é que vou Dizer em Casa”, liberado pela Polícia na quarta-feira de Cinzas, como explicava o subdelegado e jornalista Simeão Tavernard

PORTO VELHO – Até uns poucos anos, uns 40, ou um tanto menos, a cidade de Porto Velho tinha três grandes atividades na “quarta-feira ingrata”, um, de cunho religioso, começava logo após o toque do último clarim, depois a missa das Cinzas na catedral do Sagrado Coração de Jesus e, por último muitos ainda iam para ver a saída de um bloco muito diferente.

Cinco horas da manhã de quarta-feira “ingrata”. No longínquo Botafogo, no distante Flamengo, no Ypiranga, no Ferroviário, no Bancrévea, no Danúbio Azul Bailante Clube, no Alumínio, no 5º BEC, onde quer que um clube estivesse na então capital do Território Federal, a cena era a mesma: os clarins anunciavam o fim da festa.

Mas a festa ainda não acabava ali, porque todos, bandas, seguranças, garçons, e principalmente os foliões, alguns ainda com as fantasias das escolas de samba ou blocos de sujos, “desciam” para a Praça Rondon e a folia se estendia até 6 e meia ou sete horas. Com a reunião de todos ali, aí, sim, o carnaval chegava ao fim.

Enquanto muitos iam para casa, outros para o trabalho, alguns em direção ao mercado central a menos de 200 metros de distância. Mas muitos davam o jeito de trocar de roupa e seguir correndo para a missa que estava começando na catedral, onde dom João Batista Costa oficiava a Missa de imposição das Cinzas, usando suas vestes da cor roxa (*),  iniciando oficialmente a quaresma.

Mas ainda não acabou. Pouco antes das 10 da manhã muita gente ia para a frente da Central de Polícia (Pinheiro Machado com a Farqhuar), para ver o último grupo aparecer. Era o “Bloco da Turma do Que é que vou Dizer em Casa”, como explicava o subdelegado e jornalista Simeão Tavernard, “pessoas que aprontavam nos dias de carnaval e só eram liberadas na manhã da quarta-feira.

E por que “Bloco da Turma do Que é que vou Dizer em Casa”? O próprio Simeão explicava: “Já pensou como os caras vão se explicar com a madame”?

(*) O roxo transmite a sensação de tristeza e introspecção. Durante a Quaresma, a cor roxa é usada nos paramentos dos sacerdotes e na decoração das igrejas. Para os católicos, o roxo tem o significado de melancolia e penitência.