A maior frustração foi para quem haviam se posicionado no percurso onde o bloco passaria

PORTO VELHO – E o Galo da Meia-Noite não desfilou. Anunciado como a grande atração do carnaval portovelhense, porque estava há dois anos sem desfilar, e vendendo o abadá a 70 reais a unidade, o bloco Galo da Meia-Noite até que concentrou, mas ao final repetiu a marchinha do Bloco de Pernambuco, “que concentra mas não sai”.

Conforme várias pessoas ouvidas pelo site expressaorondonia.com.br, o motivo que levou o Galo a nem sair do poleiro foi a greve dos cordeiros – aquele grupo de pessoas que vão segurando a corda que delimita a área onde estão apenas os que vestem o abadá.

Os cordeiros, como ocorre sempre nesse tipo de serviço, recebem antecipado, poucos minutos antes de iniciar seu trabalho, o valor acordado com os responsáveis pela contratação, e como não houve o cumprimento do acordado, eles resolveram não levantar as cordas e assim o Galo ficou apenas no “poleiro”, a concentração, onde a música ajudou a embalar os foliões.

Mas quem se frustrou foram os que haviam se posicionado no percurso onde o bloco passaria, situação pior para os vendedores ambulantes que se espalhavam no trecho, visando um faturamento extra e que tiveram de ir para casa sem dinheiro no bolso.

CORDEIROS

“Cordeiros” são normalmente pessoas muito humildes, recrutados para fazer uma espécie de “barreira” segurando a corda, evitando que haja invasão da “turma da pipoca”, os que vão aproveitando o som, do lado de fora das cordas.

Cada um deles normalmente cobra 55 reais pelo trabalho, mais água mineral à vontade e um lanche. Não conseguimos fazer levantamento sobre a quantidade de “cordeiros” foram chamados para o Galo, mas, para se ter uma ideia aproximada, na Banda do Vai Quem Quer este ano serão 500 “cordeiros”, entre homens e mulheres.

Um conhecido dirigente da Banda reconhece: ‘É um trabalho bruto, porque exige muito esforço físico, o desgaste é alto, muita gente que vai na “pipoca” faz pressão para invadir. Para seu trabalho, é necessário o uso de luvas, para evitar que terminem o serviço com as mãos em bolhas de calos.