MONTEZUMA CRUZ

A cidade crescia um pouco “acima” da Avenida Kennedy, mais tarde Avenida Jorge Teixeira. Na Redação empoeirada de A Tribuna, o editor Lúcio Albuquerque incumbia-me de correr trecho no meio do mato para ver o que acontecia por lá. Sim, depois da atual rodoviária, bairros de verdade, mesmo, só Embratel e Pedacinho de Chão.

O repórter visitava casebres, puxando conversa com moradores daquele mato. Um deles estava na janela de seu rancho coberto de palha e me recebia com fidalguia: o lendário Joaquim Barbosa, soldado da borracha, cabo eleitoral do Jerônimo Santana (MDB).

Voltava para a Redação com o preâmbulo da reportagem que mostraria depois o dia a dia do crescimento do lugar que alguns pretendiam batizar de São José ou JK, porém, se tornou Bairro Nova Porto Velho, palco de disputas fundiárias na bala e nos tribunais.

Juscelino Kubitschek de Oliveira, morto em acidente automobilístico na Via Dutra, em 1976, seria mais tarde nome de bairro. E bairro grande, porque tem JK 1 e JK 2.

A cidade tomava o rumo da zona leste e isso ocorreu numa velocidade impressionante, em se tratando da demografia. Se em 1975 não passava de cem mil habitantes, em quatro décadas depois alcançou meio milhão de pessoas.  E a manchete de Lúcio Albuquerque considerou naquele período que a futura Nova Porto Velho era “um bairro fora do mapa”.