“Vivíamos um tempo de muita tensão, uma época em que não havia segurança nenhuma, e ninguém tinha nem coragem de pedir socorro para a Polícia

PORTO VELHO – Até julho de 2017 a Escola Manaus, localizada no Bairro Mato Grosso, era uma espécie de “caso perdido” em termos de resultados, de alta insegurança interna e no entorno, tráfico pesado, assaltos, assassinatos – inclusive na quadra de esportes, professores ameaçados, assaltos, funcionários trancados à chave nas salas de aula, enfim, o que se pode esperar de um colégio literalmente “entregue às traças”, ou pior.

Em 2017, o governador Confúcio Moura decidiu, atendendo apelos de várias comunidades, estender a experiência já de bom resultado desde a implantação da escola Tiradentes, em Jacy-Paraná, para outros colégios da rede da Seduc. Em Porto Velho o primeiro seria o “Capitão Cláudio”, na região do Bairro Caladinho, mas durante uma audiência pública realizada naquela escola, um encontro supostamente recheado pelos marginais que atuavam naquela região, levou à perda da militarização que era pedida pela comunidade, cujo clamor teria sido abafado por ameaças.

Com isso, o governador Confúcio Moura determinou a substituição da “Capitão Cláudio” pela Escola “Manaus”, onde a audiência pública mostrou que os moradores, que viviam sob constante tensão e ameaça de traficantes e todo tipo de criminosos, queriam a implantação do sistema. Resultados? Então, siga a leitura.

“Aqui até o ar melhorou, depois da instalação do gerenciamento por parte dos militares”, no caso, do Corpo de Bombeiros, lembrou um morador cuja casa foi invadida por um pistoleiro correndo e atirando num comparsa, até abatê-lo praticamente dentro da área da residência do morador que nada tinha com isso. “Vivíamos um tempo de muita tensão, uma época em que não havia segurança nenhuma, e ninguém tinha nem coragem de pedir socorro para a Polícia porque se os bandidos descobrissem tinha vingança”.

Uma comerciante residente nas proximidades da, agora, “Escola Tiradentes VII”, também viu, como disse ela, “mudar aqui da água para o vinho”. Segundo contou, ela não podia ir além das 20 horas no seu comércio atendendo clientes porque sempre tinham ameaças. “Bem aqui na frente da minha casa vi duas pessoas serem assassinadas, e o tráfico de drogas era constante”, ela disse.

Nas proximidades, uma moradora, que chegou a pensar em tirar o filho da “Escola Manaus”, agora Ecola Tiradentes VII, resistiu e agora diz que felizmente ela não levou a ideia adiante. “Meu filho contava coisas horríveis que aconteciam dentro do colégio, onde professor não era respeitado e as agressões aconteciam até dentro das salas-de-aula. E acrescentou: “Lógico que, com certeza, ainda há quem trafique aqui na região e quem use, mas desde que a escola passou para a direção dos Bombeiros isso praticamente sumiu e podemos até ficar conversando na porta de casa, o que não podia ser feito antes”.

Um detalhe importante para mostrar que com a militarização da escola do Bairro Tucumanzal  a situação ficou melhor é no tocante {à limpeza, tanto interna quanto externa, e à possibilidade, que não havia antes, dos professores e funcionários deixarem seus veículos até fora do prédio, que ninguém mexe.