Sobrecarga é causa por prefeituras, diz o secretário Pimentel/Fotos Ítalo Ricardo

ZACARIAS PENA VERDE
Assessoria Sesau

Cerca de 70% dos atendimentos feitos pela equipe medida do Hospital Infantil Cosme e Damião (HICD), em Porto Velho, poderiam ser prestados nas unidades básicas de saúde (UBS), os chamados postos de saúde, por se tratarem de procedimentos de baixa complexidade, responsabilidade das prefeituras.

O alerta foi feito nesta segunda-feira (23) pelo secretário estadual de Saúde, Williames Pimentel, ao analisar dados do setor de estatísticas da Sesau sobre o perfil dos atendimentos no HICD.

Esta demanda é gerada pela rede municipal de Porto Velho, cidades do interior do estado, do Sul do Amazonas e do Acre. Por se tratar de uma unidade referência em alta complexidade, esse tipo de atendimento não poderia ser encaminhado para o hospital infantil.

“O excesso de casos que são de responsabilidade das prefeituras cria sobrecarga no Cosme e Damião. Apesar disso, todos são atendidos, já que o Sistema Único de Saúde (SUS) é universal, e o estado fica impedido de recusar os casos”, disse o secretário.

Segundo Williames Pimentel, todos os casos de baixa complexidade poderiam ser resolvidos sem a intervenção do estado. Ou seja, consultas e atendimentos ambulatoriais, medicação, nebulização, entre outros procedimentos, que são considerados de responsabilidade da atenção básica de saúde, deveriam ser oferecidos pelos municípios.

Ele destacou que a demanda – que vem da rede básica – não necessitaria passar pelo Cosme e Damião se as prefeituras fizessem o dever de casa e prestassem atendimento de forma satisfatória.

A dona de casa Renata Machado, moradora da zona Leste Porto Velho, disse que passou dois meses tentando uma consulta com o médico alergologista – especialidade da medicina que visa o diagnóstico e o tratamento das doenças alérgicas – , para seu filho Gustavo, de oito meses. Ela afirmou que durante as crises que o bebê tinha, todas as vezes ela procurou atendimento no Cosme e Damião.

Renata Machado e Gustavo

Segundo ela, mesmo sabendo que o caso, naquele momento era para um posto de saúde ou uma UPA, levava o filho ao HICD pela certeza de que seria atendido. “Isso porque a estrutura de ponta que o hospital oferece, enche os olhos de mães como eu que querem o melhor para o filho. Bom seria se no posto de saúde a gente tivesse o mesmo atendimento”, destacou.

Outro caso semelhante, é o da aposentada Raimunda Pacheco, que cuida de uma neta de 10 anos. A criança tem problemas respiratórios devido a uma renite alérgica. Ela afirma que já perdeu a conta de quantas vezes levou a neta ao Cosme e Damião, e sempre foi bem atendida. Dona Raimunda diz saber que o caso poderia ser resolvido em uma UPA. “Mas nessa hora, a gente só pensa no lugar onde tem confiança”, salientou.