GUAJARÁ-MIRIM – Como aquela lenda do beija-flor que tenta sozinha apagar o incêndio na floresta, uma professora aposentada em Guajará-Mirim faz uma solitária campanha de porta em porta arrecadando fundos para comprar os lenções que faltam nas camas do pronto socorro do único hospital público da cidade. Irmã do saudoso policial civil conhecido como Sabazão, Ivone Suely dos Reis faz questão de esclarecer que sua ação não tem caráter político e não quer atingir ninguém politicamente.

“Faço essa campanha porque sempre sofri na pele as deficiências do serviço público. Sou usuária do Sistema Único de Saúde, o SUS, e tive recentemente três consultas desmarcadas. Quando vou ao hospital não me conformo em ver as pessoas serem internadas em camas sem lençol.

Um morador de Guajará-Mirim encaminhou ao expressaorondonia um vídeo em que a professora Ivone organiza a lista de doadores da campanha para compra de lençóis ao hospital regional. Antes de encerrar o vídeo, ela faz questão de salientar que seu trabalho não tem nenhuma conotação política. “Faço por amor ao próximo”, acentua.

Utilizando seu tempo disponível e sua motocicleta, dona Ivone vai de porta em porta. Faz o pedido – sempre em quantias pequenas – e anota o nome do doador, para, segundo ela, ‘garantir a transparência da campanha”.

O hospital regional de Guajará-Mirim atende a população  do município, do vizinho município de Nova Mamoré e do vale do Guaporé e Mamoré e há anos sofre o descaso da administração pública.

Sem estrutura, a prefeitura do Município prefere investir em ambulância para transportar os pacientes a Porto Velho, onde, invariavelmente, também enfrentam os gargalos do sistema de saúde.

A meta da professora Ivone é conseguir arrecadar fundos para comprar de 100 lençóis. E ela diz que já conseguiu 64. Seis lençóis foram doados pela senhora Sandra, do Canaã, que também doou um armário, para ser utilizado como guarda volume na portaria do Hospital.

Todos os que contribuírem com a campanha terão os nomes divulgados, por uma questão de justiça, assegura a professora Ivone.