PORTO VELHO – A leptospirose é uma doença infecciosa grave que tem relação direta com o aumento do nível dos rios. O principal transmissor da doença é o rato, desde que esteja contaminado. Nesse caso, a contaminação ocorre de forma direta, mas há outras formas de transmissão da Leptospirose, como orienta Juan Miguel Villalobos-Salcedo, pesquisador em Saúde Pública e médico do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical de Rondônia – CEPEM. Segundo ele, “a transmissão da Leptospirose também pode ocorrer de forma indireta quando a urina do roedor entra em contato com a água ou alimentos que estão em contato com o homem”.

Rato de laboratório.

Além disso, o médico alerta para o alto de risco de contaminação, em casos específicos, como aqueles em que os profissionais atuam diretamente em locais que concentram a presença de roedores. “Existem ofícios de risco elevado para a contaminação da Leptospirose, como médicos veterinários, garis e trabalhadores de canais de esgoto”, reforça Juan. Há ainda o risco de contágio em espaços recreativos, quando a pessoa entra em contato com água ou locais contaminados.

A Leptospirose é transmitida pela bactéria leptospira presente na urina de ratos, e pode penetrar no corpo através da pele lesada, por meio das mucosas, região dos olhos, boca e nariz, ou ferimentos expostos. A doutora Najla Benevides Matos, Microbiologista da Fiocruz RO, reforça a necessidade de manter o cuidado em áreas vulneráveis, ou ambientes que não contam com um mínimo de estrutura em saneamento básico. E nesse momento, principalmente, em que várias cidades de Rondônia enfrentam situações de cheia dos rios, os cuidados devem ser redobrados.

“Em Porto Velho, esses problemas vêm se agravando, devido a enchente, casas são alagadas, e as pessoas, na necessidade de protegerem os seus bens, entram em contato com essa água contaminada, e ficam expostas a esse microorganismo”, explica a pesquisadora. Para diminuir os riscos de transmissão da doença, em locais de enchente, é necessário evitar o contato direto com a água parada e cuidar da água usada para o consumo. Também é preciso manter os animais domésticos vacinados contra a Leptospirose.

No estado, em 2018, foram confirmados, segundo a Agevisa, 27 casos de Leptospirose, contra 22, em 2017. Em Porto Velho, o Centro de Medicina Tropical de Rondônia – Cemetron realizou, em janeiro e fevereiro, deste ano, 8 notificações. Dois casos foram descartados, e os demais estão em investigação.

Sintomas e tratamento

No homem, os sintomas da Leptospirose variam de imperceptíveis a graves, potencialmente fatais, com comprometimento hepático e renal acompanhado de icterícia e hemorragias intensas. Os sintomas das infecções brandas podem ser confundidos com outras doenças como a malária, dengue e outras doenças virais, ocasionando, inicialmente, calafrios, dor de cabeça, dor nas articulações, vômito e dores abdominais.  Dependendo do sorotipo da bactéria e da imunidade do paciente, os sintomas podem se agravar.

Em casos suspeitos, a principal orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima. Em relação ao tratamento, os casos leves ou pouco sintomáticos são acompanhados com suporte de medicamentos para os sintomas apresentados, e os casos graves requerem atenção especial, incluindo internação e prescrição de antibiótico, além de suporte de correção hidro-eletrolítica e Ácido-Base. Se não for descoberta, em tempo hábil, a Leptospirose pode levar à morte por hemorragia pulmonar ou insuficiência renal.