TÓQUIO – O rondoniense Carlos Ghosn, ex-presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, deixou a prisão em Tóquio nesta quarta-feira (6). O brasileiro estava preso desde 19 de novembro, acusado de fraude fiscal e uso de verbas do grupo para benefício próprio. Ghosn pagou fiança de 1 bilhão de ienes, o equivalente a R$ 33,8 milhões. Ele ficará em liberdade enquanto aguarda o julgamento que segue no Japão.

Carlos Ghosn é filho de família de origem sírio-libanesa e nasceu na pacata – e agora mais uma vez isolada pela cheia do rio Madeira – Guajará-Mirim em meados do século passado. Ficou famoso por assumir a presidência da fábrica de veículos francesa Renault a ponto de ser convidado para comandar a recuperação econômica da japonesa Nissa, que andava mal das pernas e ameaçava ir à bancarrota.

Algumas informações de bastidores apontam, inclusive, que a prisão de Ghosn faria parte de um complô formado por interesses nipônicos e contra a possível fusão da fábrica japonesa Nissan coma a francesa Renault, que seria a intenção do brasileiro.

Carlos Ghosn deixou a Casa de Detenção do bairro de Kozuge às 16h32 (horário local, 4h32 de Brasília), segundo imagens divulgadas pela televisão japonesa. O local estava cercado por jornalistas a espera de Ghosn.

Segundo a agência France Presse, a esposa de Ghosn, Carole, uma de suas filhas e o embaixador da França chegaram algumas horas antes à prisão. Eles não saíram juntos do executivo.

O tribunal ainda estabeleceu algumas condições para que o executivo fosse solto. 

Elas incluem, entre outras:

  • Proibido sair do Japão;
  • Permitido viajar só em território japonês e por apenas dois dias;
  • Vigilância por câmeras em sua residência;
  • Proibido entrar em contato com outros envolvidos no caso;
  • Proibido ter contato com pessoas ligadas à Renault, Nissan e Mitsubishi;
  • Proibido acessar a Internet;
  • Proibido utilizar computadores fora do escritório de seus advogados;
  • Visitas monitoradas.