São eles, juntamente com os outros membros das equipes de atendimento, que vão acolher a população, responder dúvidas, fazer diagnósticos e encaminhar tratamentos

José Hiran da Silva Gallo

PORTO VELHO – O Brasil está a um passo de entrar oficialmente em estado de calamidade pública. O motivo é a pandemia de COVID-19, doença causada por um novo coronavírus, que, desde 31 de dezembro do ano passado, vem colecionando vítimas por onde passa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de contaminados supera 200 mil pessoas, com cerca de 10 mil mortos, distribuídos em 163 países.

O rastro de pólvora da COVID-19 começou na China e explodiu na Europa, atingindo, principalmente, Itália, Espanha e Portugal. No Brasil, a tensão começou em fevereiro, quando foi confirmado o primeiro caso da doença no território nacional. Os dados mais recentes falam em cerca de 650 casos e sete óbitos. Contudo, as atualizações são constantes.

No campo da política, a Câmara dos Deputados já aprovou o projeto do governo que decreta estado de calamidade pública e, na próxima semana, deverá ocorrer sua votação do Senado. Com essa decisão, a União ficará autorizada a elevar gastos públicos e não cumprir a meta fiscal prevista para este ano. No entanto, esse tema supera as questões administrativas envolvidas.

Calamidade, por definição, é uma catástrofe ou infortúnio que atinge uma pessoa ou um grupo de pessoas. Em síntese, é um acontecimento que acarreta destruição, trazendo danos, prejuízos e perdas. No inconsciente coletivo, desperta um sentimento de luto quase imediato diante de um destino trágico e inexorável.

É assim que muitos têm se sentido: desanimados, angustiados, desacreditados. No entanto, em meio a esse cenário de caos, há homens e mulheres que não podem se deixar abater. Precisam estar firmes e focados em sua luta diária, afinal estão na linha de frente, em prontos-socorros e hospitais, cuidando dos casos que não param de chegar de pessoas com suspeita ou diagnóstico confirmado para COVID-19.

São eles, juntamente com os outros membros das equipes de atendimento, que vão acolher a população, responder dúvidas, fazer diagnósticos e encaminhar tratamentos. Nessa jornada longa, assistirão muitos voltarem para casa saudáveis e, infelizmente, serão obrigados a comunicar a partida de outros tantos. É sobre essa linha tênue, entre a vida e a morte, que os médicos caminharão, de agora em diante: por mim, por você, por todos nós.

No momento em que a palavra calamidade parece soar tão alto nos nossos ouvidos, peço a todos que enviem suas energias mais positivas para os nossos médicos e para suas equipes. É o momento de reconhecer o empenho, a dedicação, a competência e o amor à vida que eles expressam em cada gesto.

Merecem nosso apoio, nosso respeito e, por parte do Governo, acesso às condições de trabalho e de atendimento para cumprir seu papel com maestria. Hoje, o Brasil tem nos médicos sua tropa de elite para combater a COVID-19. Certamente, esses bravos guerreiros vão lutar com o melhor de sua técnica e de sua ética em prol do povo brasileiro, mostrando que nesse país o que importa é a solidariedade!

*Diretor-tesoureiro do Conselho Federal de Medicina; Pós-doutor e doutor em bioética