A bandeira da recuperação da BR-319, que liga o Amazonas aos estados do sul do Brasil, levantada há décadas pela Federação das Indústria do Estado de Rondônia

Marcelo Thomé

PORTO VELHO – Ao longo do ano de 2020, em meio à pandemia, vimos diversas manifestações sobre queimadas e desmatamentos ilegais na Amazônia. Diversos eventos nesse mesmo período evidenciaram a carência de infraestrutura na região. O apagão no Amapá, a baixa conectividade e a situação precária das rodovias no Norte são apenas alguns exemplos. Iniciamos 2021 com pessoas perdendo suas vidas por falta de oxigênio no Amazonas.

A bandeira da recuperação da BR-319, que liga o Amazonas aos estados do sul do Brasil, levantada há décadas pela Federação das Indústria do Estado de Rondônia (FIERO) nunca esteve tão latente. Afinal, caso a rodovia estivesse em plenas condições de uso, o oxigênio tão necessário para atender a população, além de outros insumos poderiam chegar até os hospitais amazonenses numa média de 10 horas. Já existem pequenos trechos em que o Governo Federal faz a sua restauração. Porém, ainda há entraves burocráticos, que esbarram nas questões de estudos de impacto ambiental.

A indústria brasileira se mobilizou e já está entregando no Amazonas oxigênio para atender os doentes. Mas, para que isto fosse possível, um comboio que reúne máquinas pesadas acompanha esta comitiva, para garantir que os veículos cheguem ao destino. É um esforço árduo e a Amazônia precisa deste olhar mais sensível, afinal ela sofre com o atraso e o subdesenvolvimento.

A conclusão desta obra vai além. Trará consigo novas perspectivas para o investimento, fortalecendo a sustentabilidade, competitividade, a liberdade de empreender, o bem-estar social e, ainda, atenderá ao direito constitucional de ir e vir e as necessidades básicas com saúde e educação de qualidade para um povo aguerrido que defende a Amazônia e o Brasil com todas as suas forças.

A FIERO se preocupa com a sustentabilidade da região. Esta agenda é defendida pela entidade, sem esquecer das pessoas que vivem neste entorno e que dependem de uma economia inteligente e inclusiva. Criamos através do Amazônia+21, uma gama de discussões que apontem soluções para esta questão.

Gostaríamos de chamar a atenção àqueles que se opõem às obras de infraestrutura. Será que os opositores nacionais e internacionais não tiveram conhecimento do que vem ocorrendo com a população amazonense? Por incrível que pareça, o primeiro apoio que o Amazonas recebeu foi da Venezuela, que mesmo diante de tamanha crise interna, está doando o gás da vida para os brasileiros.

Os países que criticam o desmatamento e que teriam o poder financeiro para fretar aviões se esqueceram do Brasil, afinal neste momento não está havendo queimadas, “só a população morrendo”. O momento é de reflexão, mas sobretudo de ação.

*É Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO)

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