Mara Paraguassu

O ativismo virtual nas redes sociais, com destaque para o Facebook, derrubou auxilio alimentação instituído pelos deputados estaduais por meio da Resolução 377, de 16 de agosto. Diante da pressão, a medida foi abortada no final do dia, não resistindo nem 24 horas a partir do momento em que foi tornada pública. Nota da Assembleia Legislativa informa que o ato será revogado.

Quase ninguém comentou, entretanto, que o auxílio de R$ 6 mil seria concedido sem que fosse necessário comprovar o uso mensal do recurso. É o que a Resolução previa, ao extinguir um inciso e quatro alíneas de um artigo de resolução (nº 262) bem anterior, de maio de 2014, que dispõe sobre gastos parlamentares legalmente permitidos, com exigência de nota fiscal para despesas como combustível e alimentação.               

O fato gerou diversas especulações sobre o uso do dinheiro.

O recuo do presidente do legislativo, deputado Maurão de Carvalho, reconhece a força da democracia virtual. Essa força é crescente, e lembro de um outro momento que pude testemunhar: quando estudantes da Universidade Federal de Rondônia se insurgiram contra os desmandos do então reitor Januário, exigindo sua saída, com ações de constante mobilização na internet, casadas com a ocupação da universidade. O levante foi vitorioso.          

Os políticos do Brasil ainda ignoram a dinâmica que se estabeleceu nas redes sociais. Utilizadas por jovens que constituíram movimentos diversos de convocação às ruas, unem milhões de todas as idades e classes sociais em ondas de indignação, e definem agenda cujo mérito de colocar a política no debate do dia-a-dia, algo inimaginável até pouco tempo, não foi de todo avaliado para se analisar sua influência no voto.

Quando milhões estavam às ruas contra o aumento do transporte público em São Paulo ou contra a corrupção, em defesa da Lava Jato, convocados pela militância virtual, a professora de Direito Internacional da USP, Maristela Basso, definiu como impeachment moral a ação das ruas. A tribuna virtual fica mais craque nisso a cada dia.    

Mapa contra o fundo de campanha

O Vem Pra Rua colocou na Internet o Mapa contra o Fundo Eleitoral, ferramenta que escancara o nome de todos os deputados a favor e contra a criação do Fundo de Campanha, uma bagatela de R$ 3,6 bilhões para financiar com nosso dinheiro as campanhas eleitorais de 2018. Ao lado do distritão, nova forma de eleger vereadores, deputados estaduais e federais, é o item mais polêmico da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 77/2003) debatida nesta semana, no Plenário da Câmara dos Deputados, e que será votada na próxima semana.

Indecisos

Justamente por ser mal digerida pela sociedade, chamada a pagar a conta das campanhas no momento em que recursos de programas sociais são contingenciados e cortados do salário mínimo, é que o número de indecisos ultrapassa 300 deputados. O mapa do Vem Pra Rua contabiliza a posição dos deputados por estado, e orienta forma como os eleitores podem pressionar os parlamentares para definitivamente rejeitarem o fundo. O endereço eletrônico é https://fundoeleitoral.vemprarua.net/    

Rondônia

Até a noite de quinta-feira (17), 2 dos 8 deputados federais de Rondônia, Expedito Netto (PSD) e Lindomar Garçon (PRB), declararam ser contra o fundo. Os demais estão indecisos.

Rio da Dúvida

Em Espigão do Oeste, o superintendente de Turismo Júlio Olivar, mantem conversas no set de filmagem com equipe que produz longa-metragem “Rio da Dúvida – Expedição Científica Roosevelt-Rondon”, que retrata a empreitada do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, entre 1913 e 1914 na exploração do rio da Dúvida, hoje denominado rio Roosevelt, em homenagem ao ex-presidente americano que também se aventurou na região. O vice-governador Daniel Pereira deve visitar o set nesta sexta-feira,18.

Apoio

O filme é produzido pela Barra Filmes, Grupo Casablanca e Memória Civelli e conta com apoio de netos de Rondon, patrocínio da Caixa Econômica Federal e TermoNorte Energia. O apoio de R$ 300 mil do governo de Rondônia foi formalizado nesta semana, e a ida do superintendente Júlio Olívar a Espigão é para alinhavar contrapartidas da produção – utilização de making of para divulgar a cultura e turismo de Rondônia; exibição de filmes na capital; palestras em escolas etc. A previsão é de que o documentário seja concluído em dezembro, e em janeiro de 2018 seja lançado em festivais de cinema.

Bolívia

Na próxima semana, pela primeira vez a Bolívia enviará sal a Rondônia. Será uma carga de 200 toneladas, provenientes de cordilheiras daquele país, informa o vice-governador Daniel Pereira. O sal que entra no estado hoje é de Mossoró (RN), em trajetória que torna muito mais caro o transporte. O vice-governador tem tido uma atuação constante para ampliar negócios entre regiões de Rondônia e Bolívia, mediante utilização do Porto Publico instalado em Porto Velho.    

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