MONTEZUMA CRUZ

As três maiores causas de cegueira no mundo e no Brasil são doenças que acometem, sobretudo, idosos: catarata (escurecimento do cristalino), glaucoma e degeneração macular relacionada à idade.

Até 1997 existiam cerca de 600 mil cegos por catarata no Brasil. Mas ela é uma doença curável. Estima-se que a cada ano surjam 552 mil novos casos.

Desde o final da década passada, com o funcionamento dos mutirões, o número aumento de cirurgias aumentou de 50 mil para 200 mil por ano.

Em 2005 o pico alcançou 331,4 mil cirurgias. O Pará fez 108,8 mil cirurgias; o Amazonas, 33 mil; Rondônia, 6 mil; Roraima, 3,7 mil. e Acre, 2,1 mil.

Para o glaucoma há necessidade de se aumentar a oferta de consultas e tratamento, incluindo colírios hipotensores e cirurgias nos centros de especialidade do SUS. A educação em saúde ocular deve fazer parte de programas de família para que pessoas com maior risco, mais de 50 anos e familiares com glaucoma ou cegos pela doença tenham oportunidade de avaliação oftalmológica e tratamento.

A prevalência de cegueira no País é estimada em 0,5% da população, cerca de 900 mil pessoas. Outras três milhões de pessoas devem estar na situação de deficiente visual. Com número de cirurgias adequado o Brasil deve chegar ao ano de 2020 com cerca de 400 mil cegos, se o número de cirurgias ficar abaixo de dois mil por milhão de habitantes ao ano.

SUDESTE CONCENTRA 59% DOS PROFISSIONAIS

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) informa que tem se esforçado em busca da interiorização de profissionais para áreas carentes. Atualmente, grande número de municípios contam com atendimento sazonal.

– Apesar de não ser ideal, ele consegue diminuir a demanda reprimida local. Áreas não cobertas regularmente por médicos oftalmologistas são motivo de freqüentes campanhas de atendimento populacional – diz o relatório.

Dos 14.385 oftalmologistas brasileiros, 59% residem nas capitais, 41% no interior e 2% em cidades com apenas um profissional. A região sudeste concentra 58% dos oftalmologistas do País e 42,3% da população nacional.

Números das consultas pelo Sistema Único de Saúde na Amazônia em 2007: Acre, 14.456; Roraima, 24.466; Rondônia, 39.885; Amazonas, 126.987; Pará, 179.096. Em todo o Brasil as consultas totalizaram mais de 8 milhões naquele ano, somando investimentos de R$ 67,5 milhões do SUS.

O CBO informa, ainda, que reivindica ao Banco do Brasil uma linha de crédito para a montagem de consultórios oftalmológicos e a divulgação de municípios onde não há saturação do número de especialistas.