Devido à desaceleração global provocada pela pandemia de covid-19, estimativa para embarques nacionais neste ano passa de US$ 217,3 bilhões para US$ 192,7 bilhões. Entidade prevê retração de 18,1% nas importações

BRASIL – A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) revisou as projeções para a balança comercial brasileira e piorou as estimativas devido à desaceleração global provocada pela pandemia de covid-19 que está impactando nas trocas comerciais mundiais.

A entidade passou a prever queda de 13,9% nas exportações do Brasil em relação ao acumulado de 2019, para US$ 192,7 bilhões. Nas importações, a expectativa é de um recuo de 18,1%, para nas importações para US$ 145,2 bilhões, na mesma base de comparação.

Mesmo assim, a estimativa da AEB é de um saldo positivo na balança, de US$ 47,5 bilhões, dado 1,7% superior ao registrado no ano anterior. Em 2019, as exportações somaram US$ 223,9 bilhões e as importações, US$ 177,3 bilhões. O saldo comercial ficou positivo em US$ 46,6 bilhões.

Na previsão anterior, divulgada 18 de dezembro de 2019, a AEB estimava um total de US$ 217,3 bilhões nos embarques, ou seja, uma queda de 2,9% na comparação com 2019. Para os desembarques, havia uma expectativa de crescimento de 7,8% na mesma base de comparação, para US$ 191,2 bilhões. O superavit previsto era menor, de US$ 26,1 bilhões.

De acordo com a entidade, a economia e o comércio mundial estão sendo fortemente impactados, direta e indiretamente, pela pandemia da Covid-19. José Augusto de Castro, presidente da AEB, destacou que os novos números refletem a instabilidade do cenário externo, acentuado com a guerra comercial entre EUA e China, a eleição para a presidência dos EUA, a quase unanimidade de PIBs negativos mundiais e o elevado e crescente desemprego no mundo.

“O agravamento da crise econômica na Argentina, o fortalecimento do dólar e o enfraquecimento das moedas, além de problemas internos no Brasil, colaboraram para a retração dos números da balança”, observou Castro.

Pelas novas projeções da AEB, o Brasil deverá ocupar a 30ª posição no ranking de exportação. A entidade estima que os embarques de manufaturados devem registrar a maior queda entre os produtos da pauta nacional, com recuo de 27,3%. Enquanto isso, as exportações de produtos básicos deverão encolher 7,2%.

A corrente de comércio de 2020 projetada pela AEB, de US$ 339,445 bilhões, será menor que os US$ 401,333 bilhões apurados em 2019 − e mais distante ainda do recorde de US$ 482,292 bilhões obtido em 2011. Além disso, voltará a ficar bem abaixo da faixa de US$ 400 bilhões.

“Excluído o ano 2018, desde 2014 as exportações brasileiras de manufaturados estão estagnadas em patamar inferior a US$ 80 bilhões. O valor de US$ 56,295 bilhões projetado para 2020 ficará próximo às exportações do longínquo ano de 2004, especialmente após a crise que assola a Argentina e a América do Sul”, assinalou o presidente da AEB.

 

 

 

 

Fonte: Correio Braziliense