"Se não tínhamos uma medicação específica, por que não usar o que era medicamento conhecido, há muitos anos usados na Amazônia?", questiona uma profissional da saúde sobre a polêmica do tratamento inicial a covid-19

PORTO VELHO – Enquanto as campanhas oficiais deixaram de lado a massificação sobre cuidados a transmissão do covid e o uso de máscara, talvez porque seus responsáveis estejam inebriados com a anunciada queda de casos e óbitos, cresce em todos locais da capital o número de pessoas que deixaram de lado cuidados básicos e aumenta o risco de novos casos da doença.

Um dos locais onde está crescendo muito a quantidade de pessoas sem muita preocupação com cuidados, é dentre os que usam o Espaço Alternativo, onde a maioria deixou de lado a máscara e, ao contrário do início, quando eram poucos os grupos de caminhada, atualmente cresceu muito os “não mascarados” e os grupos onde a maioria dos participantes está sem a prevenção.

As desculpas para o não uso da máscara, são várias, desde o “Ah! Esqueci”, passando pelo “Eu sou alérgico”, até mesmo porque, e isso eles têm razão mas não quer dizer que vá deixar de lado a prevenção e o que o equipamento representa para deixar o vírus fora do alcance: “Não dá para respirar e fazer exercício, a máscara sufoca a gente”, foi o que o site ouviu de várias pessoas.

“O Governo precisa voltar à campanha a favor do uso da máscara, de lavar as mãos e usar álcool a 70, em gel ou não, de evitar estar em grupos, porque com a queda dos usuários temos fortes riscos de acabar aumentando o número de casos, e óbitos”, disse um médico.

Locais fáceis de verificar que os cuidados inicias, inclusive de ter álcool para higienizar as mãos, estão sendo colocados de lado, são feiras e supermercados,. Nesses últimos, há horários que mais parece período natalino. Nas feiras é comum não se encontrar mais a garrafinha de álcool para limpar as mãos em várias bancas.

Enquanto em restaurantes há uma série de restrições, a mesma coisa não acontece em estabelecimentos comerciais, onde lojas e farmácias não se adaptaram para aumentar os espaços de circulação e mantém os mesmos distanciamentos entre móveis e eletroeletrônicos como eram até o início da pandemia em Rondônia, o que aumenta o risco de transmissão.

QUEDA

A queda do número de casos, e, especialmente, o de óbitos, observados nos últimos dias, pode ser decorrente de muitas coisas, mas aparentemente ainda não há um estudo sobre o assunto, apesar de haver quem fale em existência de “indicadores”, ou da mudança da forma de tratamento.

Sanitarista Orlando Ramirez admite que um erro que levou ao crescimento dos casos de covid no início foi o protocolo de atendimento do MS

O médico Orlando Ramirez tem uma opinião coerente. Ele lembra que no início a orientação padrão, emanada do ministro Mandeta, era que a pessoa com sinais do vírus era orientada pelo ministro a ficar em casa duas semanas, enquanto a doença evoluía e só se corria para o hospital praticamente quando os pulmões já estavam entregues e aí o estrago estava feito.

Mesmo quando resultados obtidos na luta contra o vírus em que o tratamento era feito no início, houve reação de dois ministros da Saúde e pressão da OMS em contrário, mais ainda quando houve o começo do uso de medicamento derivado da quina.

“O que eu lia sempre era que não havia comprovação científica, e enquanto esperávamos a tal comprovação as pessoas morriam em grandes quantidades. Se não tínhamos uma medicação específica por que não usar o que era medicamento conhecido, há muitos anos usados na Amazônia? Afinal era uma tentativa, e foi o que parece ter dado certo, apesar de tudo”, comentou uma enfermeira do grupo “linha de frente” no combate ao vírus.

Enquanto aparentemente não há uma explicação real sobre as razões da redução de doentes e óbitos, o que se espera é que a população ajude, deixando de proporcionar a facilidade da transmissão do covid e que o governo retorne às campanhas de uso de máscara e outras medidas preventivas.

www.expressaorondonia.com.br