A lei manda, mas você sabe o nome e conhece nossos vices do Estado e do Município?

PORTO VELHO – A mesma pergunta foi feita a várias pessoas em Porto Velho e as respostas foram diversas, mas maioria respondeu que não sabia, outros poucos sabiam, praticamente ninguém sabe os nomes do vice-governador e do vice-prefeito, mas quase todos responderam com outro questionamento: “Para o que serve um vice?”. Conforme a legislação federal, a estadual e até a municipal, onde as normas são chamadas nesse caso de “Lei Orgânica dos Municípios”, qualquer candidato a governador ou prefeito deve ter um vice da mesma filiação ´partidária ou, então, de um partido coligado.

Em qualquer entidade social há um “vice”, seja no time de futebol, numa federação empresarial, num sindicato, enfim sempre há alguém nessa condição. Em 2018 o brasileiro elegeu presidente Jair Bolsonaro, do PSL e vice Hamilton Mourão, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro. Como nos casos de governadores, prefeitos e presidentes da República, os vices sempre têm como finalidade básica, a imensa maioria apenas isso, “substituir o presidente em suas faltas e afastamentos”.

Nos governos militares tivemos dois vices que se destacaram, Pedro Aleixo, que por ser contra o AI-5 acabou marginalizado pela junta militar que assumiu com o impedimento de Costa e Silva, e Aureliano Chaves, vice do general João Baptista de Figueiredo que costumava dar entrevistas, o que gerou o que hoje se chama de “meme”, com o quadro do Jô Soares onde ele dizia que “Vice não fala… tirante o Aureliano que fala”.

Em 1985 foram eleitos presidente Tancredo Neves e vice José Sarney e tivemos uma situação em que até historiadores costumam citar e que muitos afirmam estarem errados: chamar Tancredo de “presidente”, porque ele não chegou a assumir numa situação que gerou várias “teorias da conspiração”, assumindo José Sarney. Mas na história republicana brasileira tivemos outro vice que também fez todo período de governo, porque a gripe espanhola matou o presidente eleito Rodrigues Alves e, em seu lugar, assumiu o vice Delfim Moreira.

Até 1960 o eleitor votava, em locais separados na cédula eleitoral, no candidato a presidente da República e no seu vice. Naquele ano, por exemplo, ganhou a disputa o udenista Jânio Quadros e o petebista João Goulart, eram espécies de candidaturas independentes, bastando para tal terem um partido para aprovar na convenção. Os presidentes eleitos entre 1964 e 1984, todos militares, tinham um vice, mas indicados pela mesma sigla.

O vice normalmente era um civil, exceto os de Médici e Geisel.

Na época do Território Federal, durante a maioria dos governos, não tínhamos do vice-governador, mas uma espécie de secretário-geral – chegamos a ter um general nessa função, assessorando um coronel governador. Desde que Porto Velho e Guajará-Mirim passaram a eleger seus prefeitos, e desde 1986 quando tivemos o primeiro governador eleito, então são escolhidos, na mesma chapa, ainda que sejam de partidos diversos, mas coligados, um titular e um vice.

Como Estado, Rondônia já teve – da eleição de 1986 à de 2018 – nove vice-governadores, dos quais dois foram praticamente isolados das decisões do governador e dos atos administrativos.

Eleito em 1994 para governar Rondônia, o então prefeito de Rolim de Moura Valdir Raupp escolheu como vice o médico Aparício Carvalho, mas não havia, conforme falavam àquela altura assessores dos dois lados, qualquer espécie de diálogo, apesar de Aparício ter representado o propulsor do nome de Raupp na capital e, mais que isso, ter atuado para superar barreiras em bolsões de eleitores tradicionais de Chiquilito Erse, que ficou em segundo lugar.

Em 2002, o prefeito de Rolim de Moura, Ivo Cassol, era o que se pode falar um “ilustre desconhecido” em Porto Velho. Necessitando de um nome capaz de “abrir portas” no maior colégio eleitoral de Rondônia, Cassol lançou sua companheira de partido deputada Odaísa Fernandes como vice.

Ela fez seu trabalho, levou Cassol para as áreas onde tinha grande penetração, mas depois de começar o governo, Cassol literalmente marginalizou a vice, que se queixava seguidamente da falta de diálogo e dos seguidos cortes de meios para que seu gabinete, instalado na Vila Cujubim, na estrada de Santo Antônio, pudesse fazer coisas mínimas e de sua atribuição.

Em 2010 o governador Confúcio Moura foi eleito e tinha como companheiro de chapa Airton Pedro Gurgacz, um vice do qual pouco se lembra. Em 2018 foi eleito governador Marcos Rocha. “Como é o nome do vice”, perguntou um repórter daqui do site a um assessor governamental e a resposta foi assim: “Agora você me apertou sem me abraçar”. Bom, bem distante do noticiário, o vice atual é José Atílio Salazar Martins, “mas podem chamá-lo de Zé da Jordan”, certamente uma empresa na cidade onde ele tem residência.

Em Porto Velho, um vice-prefeito conhecido é o ex-deputado estadual Tomás Correia, que compôs chapa com Jerônimo Santana, que renunciando para se candidatar a governador, abrindo espaço para Tomás.

Do eleito em 2016, muita gente nem lembra o nome dele, porque o vice do prefeito Hildon Chaves é tido até por funcionários da prefeitura como praticamente desconhecido. Ninguém soube dizer o nome, conhecido apenas pela alcunha de “Edgar do Boi”

Por Lúcio Albuquerque