Não tem sentido eu viver até os 52 anos tendo moradia e a partir dos 52 anos a Assembleia ter que pagar a moradia que eu já tinha, o carro que eu já tinha, ter que pagar minha alimentação, a gasolina. Eu acho tudo isso um absurdo

Carlos Araújo

ENTREVISTA DA SEMANA – Terra de migrantes e eldorado dos sonhos de muitos brasileiros e de gente de todas as nacionalidades, Rondônia tem uma classe política também assim: miscigenada. Logo, há representantes eleitos, tanto em nível local quanto em Brasília, que vieram de vários rincões do Brasil.

Os capixabas – gentílico de quem nasce no Espirito Santo – são muitos, assim como abundam os paranaenses. Mas alguns capixabas que conquistaram a confiança da população e galgaram mandatos eletivos saíram da linha e decepcionaram seus eleitores. Estão pagando o preço por isso.

Há, no entanto, um capixaba ocupando um dos gabinetes do 10º andar do pomposo prédio – o sonho da população carente e ter, um dia, um hospital com tanta pompa assim – da Assembleia Legislativa que tem uma pegada diferente como político.

Para começar, o deputado Aélcio da TV é um político em conflito com as práticas da maioria dos políticos. Não aceita receber auxílio-moradia, não gasta toda a verba de representação, como auxílio-alimentação, entre outros e tem apenas seis funcionários no gabinete. “Só essa sala em que estamos aqui” – fala, apontando para o espaço da sala em que transcorria a entrevista – “seria o suficiente para o gabinete. Acho um prédio deste tamanho um desperdício de recurso público”, afirma.

Mas esse dinheiro que o senhor não gasta não vai para outros deputados gastarem, quis saber o jornalista? “Claro que não”, emenda Aélcio da TV, levantando-se para alcançar um quadro onde manda emoldurar a relação dos recursos que ele economiza e repassa a escolas e hospitais, diretamente em forma de emenda parlamentar.

Aélcio José Costa ou simplesmente Aélcio da TV tem uma trajetória de vida muito comum aos que migraram para Rondônia. Com origem no norte do Espírito Santo, mais precisamente de Nova Venécia, a capital nacional do granito, ele chegou a Rondônia em 1987, com quatro ou cinco peças de roupas em uma mochila, um colchonete e muitos sonhos na cabeça.

Ainda sem saber exatamente o que queria diante de um mar de oportunidades que se lhe descortinavam, desembarcou em Ji-Paraná e montou uma lanchonete no 2º distrito, então nas bordas da cidade.

Não demorou e um anúncio no rádio lhe chamou a atenção. Fez o teste e virou locutor da rádio Clube Cidade de Ji-Paraná, onde ficou até julho de 1988. Mas seu jeitão despachado agradou aos executivos do Grupo Rondovisão e ele foi guindado à funções mais importantes. Dirigiu rádios e emissoras de TV.

Ainda trabalhando para o grupo de comunicação de Rômulo e Rita Furtado, Alécio morou ainda em Pimenta Bueno, Ariquemes e Cacoal, até decidir mudar de ramo e se mudar para Porto Velho, onde, depois de gerenciar durante um ano uma loja de confecções do então prefeito de Cacoal, Divino Cardoso,  montou um mercadinho, evoluiu para atacadinho e transformou-se na ‘Rede Super Dez’.

Cansado das lides no comércio, Aélcio resolve, em agosto de 2007, voltar para comunicação, depois de 14 anos afastado. “Criei o programa ‘Rondônia de coração’ na Band no horário do almoço e graças a Deus faz sucesso”.

Cinco anos de exposição na telinha animaram o apresentador a fazer sua primeira experiência na seara político. E começou com o pé direito. Ou seria esquerdo?

Foto: Assessoria

“Quando eu ganhei a eleição de vereador, eu nunca tinha ido na Câmara, não conhecia nada e nunca tinha entrado lá até tomar posse em 2013”, confessa.

Aélcio foi eleito vereador com 2662 votos, o sétimo vereador mais votado. Quatro anos depois da estreia na política, em 2014, aventurou-se numa candidatura a deputado estadual e, bingo! Foi eleito com 9.311 votos, 8521 destes só em Porto Velho.

Em 2016, quando deveria estar ele concorrendo a reeleição, Aélcio da TV, já na metade do mandato de deputado estadual que ganhou do povo em 2014, viu o filho, Luan da TV, ser eleito para ocupar seu lugar na Câmara de Vereadores de Porto Velho.

Capixaba do norte do Espiríto Santo, na política, Aélcio está mais para o famoso mineirinho que ‘come pelas beiras’.

Na eleição de 2018, Alecio da TV foi reeleito, sendo novamente o mais votado na capital, com 9111 votos em Porto Velho. “No total, tivemos 10.330 votos. Portanto, são três eleições que eu disputei. 2012, 2014 2018, todas as três vitoriosas, graças a Deus”.

Confira a entrevista:

Expressão Rondônia – Qual foi a sua motivação de sair do ceio familiar e da sua terra natal, para vir para um local ainda inóspito, em abertura ainda, que era Rondônia naquela época.

Aélcio da TV – Eu trabalhava na Espan, que era a Nestle e um amigo tinha comprado um caminhão e me pediu uma ajuda para vir para Ouro Preto do Oeste, em Rondônia. Isso, lá no ano de 1986. Era o Josias. Pedi ao meu avô para emprestar o dinheiro porque o Josias era muito meu amigo. E aí, ele veio para essa aventura, voltou no final do ano, pagou o dinheiro emprestado ao meu avô. Enfim, ele entrou no ramo e eu com espirito aventureiro, me animei com a história e vir também para Rondônia, àquela altura dos acontecimentos, a terra da promessa. Vir com o espírito de desbravar. E vim com esse espirito desbravador com vontade de conhecer e morar em outro lugar. Foi só por isso, não tinha menor ideia do que iria acontecer. Sem planos elaborados, quando cheguei, montei uma lanchonete e menos de seis meses depois eu havia trocado de profissão, já era radialista, que era um sonho de criança.

Expressão Rondônia – Valeu a pena, deputado?

Aélcio da TV – Valeu, meu Deus! Meus filhos são rondonienses. Tenho a Jessica de 28, que nasceu em Cacoal, e o Luan, que tem 26 anos e também nasceu em Cacoal. A Samara tem 20 anos e nasceu aqui em Porto Velho. Meus filhos são maravilhosos. E quem permitiu isso foi Rondônia. Meus pais ainda moram em Nova Venécia (ES) até hoje e sempre vou visita-los, ver minha irmã, que é só ela. Mas, a minha história é Rondônia. E de 1987 para cá, já são 32 anos.

Expressão Rondônia – Por que se candidatar a vereador em Porto Velho?

Aélcio da TV – Na política eu entrei um pouco por desilusão. A gente sempre vota na expectativa de mudança para melhor e muitas vezes nos decepcionamos. Voto desde 1982 e nunca deixei de votar. Aliás, só fiquei sem votar em 1988, quando estava em Ariquemes e eu meu título era de Ji-Paraná. Mas eu sempre pensei numa política diferente. Para mim, o grande problema que temos é que a carga tributária do Brasil é gigantesca e os serviços são ruins. O custo da máquina, dos poderes, da classe política, o custo da estrutura parece um pouco da Itália. Quando faz o orçamento do município, do Estado e da União, o que sobra para investimento é quase nada porque a máquina, o inchaço, custa caro demais. Uma Assembleia custa caro demais, uma câmara de vereadores custa caro demais e a gente não faz os serviços essenciais.

Expressão Rondônia – O senhor vê solução para isso?

Aélcio da TV – Acredito que se o eleitor quiser mudar ele pode começar a cobrar da classe política, para custar menos, ele pode e é sempre assim. Quando falo da classe política, estou falando de mim também.

Expressão Rondônia – O senhor acha que o salário de deputado é muito ou é pouco?

Aélcio da TV – É muito, mas é insignificante perto do que se gasta numa Assembleia. Se você calcular os salários dos deputados aqui da Assembleia, ele representa menos de 5% do orçamento da Casa. O orçamento e a estrutura são gigantescos. Enquanto o deputado recebe líquido R$24.612,00, como eu recebo, porque abri mão do auxílio moradia de R$5.000,00, se não daria mais. Não tem sentido eu viver até os 52 anos tendo moradia e a partir de 52 anos a Assembleia tem que pagar a moradia que eu já tinha, o carro que eu já tinha, tem que pagar minha alimentação, a gasolina. Eu acho tudo isso um absurdo. E com o que nós temos hoje, não acaba. Ninguém fala em diminuir. Olha, o governo acabou de vetar o fundão partidário, de R$6.000.000.000,00 (seis bilhões de reais) para campanha política e o Congresso derrubou o veto. Então ninguém quer diminuir o que tem e cada vez quer aumentar mais. A Assembleia tem R$75.000,00 em verba para contratar assessoria e a grande maioria do Brasil inteiro acha muito pouco. No primeiro dia no mandato, renunciei a 70% desse valor, fiquei só com R$22.500, mas eu gasto menos R$10.000,00 porque eu não concordo com o custo. O orçamento dos grandes poderes custa caro demais. Se fosse com 20% faria da mesma forma. Uma câmara lá de Pimenteiras, onde o vereador ganha R$2.000,00, R$3.000,00, não tem nenhum assessor, ele legisla igualzinho um vereador da Câmara de Porto Velho que tem o orçamento muito maior. Essa divisão do bolo é que eu acho que faz com que os serviços essenciais, fique tão ruim. A educação, a segurança, a saúde. E ainda tem o problema muito grave que é a corrupção.

Expressão Rondônia – O senhor concorda com essa proposta lançada pelo governo federal de reduzir o número de municípios, acabar com os municípios que não se autossustentam?

Aélcio da TV – Tem que fazer uma avaliação bem minuciosa. Por exemplo, existem alguns municípios que possuem 800 habitantes que não se auto sustentam. Existe município com 800 habitantes, no interior de Minas Gerais. Mas nós temos, em contrapartida, coisas absurdas. Uma Ponta do Abunã, por exemplo, que está a 350 quilômetros de distância da sede do município. Nesse caso não se justifica pedir a emancipação? Nunca um município vai cuidar bem daquela região e se tivesse um prefeito, cuidaria melhor. Eu acho que, tem muitos municípios que não tem a menor condição de ser município.

Expressão Rondônia – Deputado, o dinheiro que se tem ali para pagar a vereador, prefeito e assessores, poderia ser investido na população?

Aélcio da TV – Você imagina que mil municípios tenham, no mínimo, 10 mil vereadores. O custo da classe política é muito caro para a sociedade e isso tira dos serviços essenciais que poderiam estar sendo investido na população.

“Não tem sentido eu viver até os 52 anos tendo moradia e a partir de 52 anos a Assembleia ter de pagar a moradia que eu já tinha, o carro que eu já tinha; ter que pagar minha alimentação, a gasolina. Eu acho tudo isso um absurdo”

Expressão Rondônia – Isso te incomoda muito?

Aélcio da TV – Muito. Aliás a minha forma de rebelião, nem é uma forma de rebelião contra os outros, mas é uma forma de rebelião contra o sistema. Quando eu renuncio minha verba indenizatória, quando eu renuncio meu auxílio moradia, quando eu renuncio as verbas de gastos de gabinete e tal, eu tenho um economizômetro que eu boto aqui na recepção e já economizei só de fevereiro para cá mais de R$ 1.400.000,00 e ali é só do mês de fevereiro para cá desse mandato. Mas tem R$107.000,00 do mês de janeiro. Nós vamos economizar em torno de R$ 1.700.000,00 esse ano só dessas verbas: auxílio-moradia, salário extra. No início e no fim do mandato o deputado recebe um salário, assim como deputado federal recebe. Só com verba indenizatória, verba de gabinete, verba de comissão, verba para contratar o custo chega em torno de R$7.000.000,00  (sete milhões de reais) por ano.

Expressão Rondônia – O senhor acha que contribui devolvendo esse dinheiro para ser gasto com os mesmos motivos?

Aélcio da TV – Não, o dinheiro que eu economizo é devolvido para o executivo. O dinheiro que eu economizei em 2017, no valor de R$1.107.000,00 (um milhão e cento e sete mil reais), eu mandei para o Hospital do Câncer. Esse dinheiro é remanejado. A Assembleia tem um acordo e ele é remanejado. O dinheiro da economia do ano passado, R$1.257.000,00 (um milhão e duzentos e cinquenta e sete mil reais), está sendo remanejado para a Casa Civil comprar um angiógrafo para o Hospital de Base. A economia desse ano, que vai dar em torno de R$1.7000.000,00 (Um milhão e setecentos mil reais) nós vamos comprar um equipamento da saúde.

Expressão Rondônia – Em função dessa sua posição, o senhor chegou a ser advertido, incomodado por algum colega no começo?

Aélcio da TV – Cheguei. No começo isso incomodou muito, a gente chegou algumas a ser advertido e algumas vezes precisei dar uns tapas na mesa e dizer que cada um é dono do seu mandato e cada um faz da forma que achar melhor. Eu não tenho nada a ver com a forma com que cada um exerce seu mandato. Não tão preocupado com os outros. Faço pensando apenas no meu mandato e em respeito ao eleitor que me colocou aqui. Então não tenho nenhuma preocupação, faço desse jeito porque eu acho que é o correto. Essas verbas são todas legais, mas eu as considero imorais. Por isso eu renuncio elas.

“Minha forma de rebelião, nem é uma forma de rebelião contra os outros, mas é uma forma de rebelião contra o sistema”

Expressão Rondônia –  O senhor se acha melhor que os outros deputados?

Aélcio da TV – De jeito nenhum! Sou um ser humano como todos os outros, com muita humildade, com muita simplicidade, estou aqui para servir o meu Estado. Eu entrei na política já com 50 anos de idade, com um único objetivo: mostrar que é possível ser diferente sem ser melhor do que ninguém. Acho que o problema é que nós temos o Brasil corrupção em todos os espectros políticos. Falo isso todo tempo. Eu vejo essa polarização entre direita e esquerda e acho isso tudo uma bobagem. Ora, a corrupção é ambidestra. Tem corrupto em todos os lados: na direita, na esquerda, no centro, enfim… O que mais tem é corrupto em todos os lados, esse é o problema. Às vezes ele começa a falar mal do outro lado, daí quando chega ao lado dele, eles se juntam porque a corrupção se complementa.

Expressão Rondônia – Estamos aqui nesse pomposo prédio, que o falecido ex-governador Jerônimo Santana denominava – desde o antigo e modesto prédio – gaiola de ouro, dado o caráter perdulário dos deputados. O senhor acha que precisava de uma Assembleia de todo esse tamanho? Porque inclusive sobra muito espaço aqui.

“Essas verbas são todas legais, mas eu as considero imorais. Por isso eu renuncio elas”

Aélcio da TV – Muito! A Assembleia Legislativa do Paraná, no ano passado, devolveu R$250.000.000,00 (duzentos e cinquenta milhões) de sobra ao Poder Executivo. A Assembleia construiu esse prédio aqui, começou acho que há uns 10 anos, muito antes de começar o meu primeiro mandato. Acho um desperdício. Não tem a menor necessidade esse gabinete aqui. Essa sala aqui, poderia ser todo o gabinete. Sabe, eu gasto minhas emendas lá nas escolas para construir salas de aulas, refeitórios, auditórios. A gente esperneia tanto lá para fazer essas obras, até quadra a gente faz né? Com R$130.000,00 faço ampliação nessas escolas. Aí eu fico observando: quantas escolas dava para construir com o que foi gasto nesse prédio da Assembleia né? E se as pessoas ficam jogadas ali no nos corredores do Hospital João Paulo Segundo e isso não é de hoje. Imagina com um número bem maior de habitantes que a cidade tem hoje. É muito dinheiro jogado fora, é muito roubado, é muita corrupção e é muito desperdício do dinheiro público.

Expressão Rondônia – Deputado, com três eleições, três campanhas vitoriosas, com esta visão do serviço público, Aélcio da TV não se aventura na candidatura a prefeito de Porto Velho?

Aélcio da TV – Primeiro, eu acho que a Aélcio da TV não tem nenhuma chance de ser eleito executivo. Aélcio da TV não gasta dinheiro em campanha política, porque ele não concorda em gastar dinheiro em campanha política, Aélcio da TV não distribui um litro de combustível na época da campanha. Aélcio da TV não contrata pessoas para campanha; Aélcio da TV não recebe nenhum centavo de fundo partidário em campanha política. Aélcio da TV não tem a menor chance de ganhar a uma eleição majoritária, onde ele tem que disputar e ter 50% mais um dos votos. Então, eu reconheço que no meu modelo, hoje é praticamente impossível ganhar uma eleição para o um mandato no Executivo.

Expressão Rondônia – O senhor tem um histórico – pelo que a gente vem conversando aqui – em defesa da sociedade, defesa da população mais necessitada. Qual é a sua opinião em relação à CPI da Energisa?

Aélcio da TV – A meu ver, a Energisa é uma empresa que acabou ganhando uma concessão por um leilão que foi feito. Não era responsabilidade do Estado e eu nem me envolvi. Nem lembro como foi muito processo. Lembro que os servidores da época queriam ser incorporados ao Estado, mas era empresa estatal federal e federal não pertencia ao Estado, pertence à União. Foi feita a sua privatização, eles têm regras que são pela Aneel, não passa pelo crivo do Estado, não passa pelo crivo da Assembleia, nenhuma das regras. No Espírito Santo, quem distribui e comercializa a energia elétrica e a Escelsa, privatizada muitos anos atrás. A Escelsa é uma empresa muito respeitada no Espírito Santo. Tem um serviço de muito boa qualidade. Como presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, em algumas oportunidades eu convoquei os membros, os advogados e a diretoria da Energisa para participar, para dar esclarecimentos sobre denúncias, porque vem para a Comissão de Defesa do Consumidor e a gente tem que dar alguma satisfação. Eles alegam muito que os problemas em grande maioria são por causa de fraudes, por causa de roubo de energia, que acha que no Estado, principalmente na capital, esses números são muito altos né? Eles têm essas informações e percentuais. Nossa capital é considerada um lugar com mais fraude de energia e isso acaba indo para o bolso dos consumidores que pagam regularmente, porque faz parte do custo da sua energia, da minha energia, essa fraude. Quanto à CPI, eu não faço parte.

Expressão Rondônia – Como presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, o senhor não deveria se pronunciar ou estar à frente?

Aélcio da TV – A pessoa que encabeçou a CPI não fui eu e quem o fez, tinha outros interesses de estar à frente da CPI. Para as nossas dúvidas, sempre que tivemos sobre corte de energia, religação, etc., que são coisas que competem à Comissão, a Energisa sempre nos presta esclarecimentos. Eu acredito que estejam fazendo um trabalho também assim na CPI, mas não acredito que resolva. Eu não acredito que vai baixar preço da energia porque isso é pela Aneel não é pela Assembleia ou o Governo do Estado que vai conseguir baixar preço de energia. Isso já fazia parte do cronograma na época da privatização e está lá no contrato de concessão deles. Dentro da legislação, aquilo que compete a nós, fizemos. Eu tive um projeto de Lei de minha autoria aprovado e sancionado pelo Governador, proibindo a cobrança de taxa mínima, que é uma taxa que é cobrada apenas por você ter o ponto de consumo. Mesmo se você manter o relógio desligado você vai pagar acho que é R$ 30 por mês, independentemente de haver consumo ou não. Aí entra o Código de Defesa do Consumidor. Penso que o consumidor sai predicado com isso aí. Por isso que a gente propôs essa lei. Foi aprovada e sancionada essa semana o projeto de Lei Nº 4661 de 2019, de minha autoria.

Expressão Rondônia – Qual o futuro político de Aélcio da TV?

Aélcio da TV – Já estou muito satisfeito com os três mandados que eu consegui. Se, no final desse mandato, a população achar que eu não devo continuar, acho que já dei minha cota de contribuição. Não me preocupo muito com o futuro político não. Já estou com 57 anos e quando esse mandato terminar vou estar com 60 anos e não me preocupo. Se tiver alguma boa avaliação, se a população achar que a gente deve continuar, eu disputo a eleição. Agora, se eu perder uma eleição eu não disputo mais. Não tenho pretensão de ser candidato a deputado federal, não tenho pretensão de ser executivo, por essas condições.

“A pessoa que encabeçou a CPI não fui eu e quem o fez, tinha outros interesses de estar à frente da CPI”

Expressão Rondônia – E qual é a mensagem do Aélcio da TV para a sociedade e sobretudo para os mais jovens?

Aélcio da TV – Essa questão do jovem é interessante. Eu fui jovem da época do regime milita. Lembro muito bem nos anos 70. A gente chiava tanto né? Querendo democracia, querendo liberdade, querendo tudo. Mas é normal isso. Quando a gente é jovem, a gente sonha muito com coisas melhores né? Quando a gente vai amadurecendo, a gente já começa a entender que não é tão simples a mudança, mas eu acho que o jovem é quem pode puxar essa mudança no nosso país. É um país muito rico! Quando eu vejo sobre política em outros países como Noruega, Suécia, Dinamarca, em que existe outra visão nesse campo em relação à corrupção, de vantagens, de jeitinho, dá até vergonha. Não podemos permitir que o jovem aprenda o que é errado, achando que é o certo.

Expressão Rondônia – Como o Aélcio da TV imagina Rondônia daqui a 10 , 15 anos?

Alécio da TV – Rondônia é um dos Estados que têm mais potencial de crescimento. Isso vem consolidando a cada ano e nós que chegamos aqui há mais de 30 anos sabemos o quanto o Estado cresceu, o quanto a economia cresceu. O que era Rondônia há 30 anos e o que é hoje? Entendo de economia. Rondônia está mais para o agronegócio, com um rebanho de 14 milhões de cabeça de boi; potencial enorme para a soja e agora com a retomada do asfaltamento da BR-319, obra da maior relevância para Rondônia. Vai proporcionar ao produtor de Rondônia o acesso a um mercado consumidor de 4 milhões de habitantes, para consumir nossos produtos. Nós estamos na porta de entrada para eles, então acho que Rondônia tem tudo para produzir cada vez mais e desenvolver cada vez mais.

Expressão Rondônia – O Expressão Rondônia se sente honrado com a sua entrevista e agradece. Suas considerações finais…

Alécio da TV – Obrigado Carlos. A gente acaba de descobrir nas nossas conversas que somos do mesmo canto, lá do Espírito Santo, apesar dos meus pais terem vindo da Bahia para o Espírito Santo quando eu ainda era criança, mas meus avós nasceram lá na região de Jequié-BA e a gente acabou se encontrando aqui. Foi uma honra poder participar, falar um pouco sobre nosso trabalho, sobre a visão política que a gente tem e o desejo é que a gente tem que ver o nosso Estado crescer, a população ser melhor assistida pelo poder público dos serviços essenciais, que infelizmente são muito ruins. Obrigado mais uma vez pela oportunidade de estar aqui falando um pouco da nossa história e falando um pouco de política do nosso Estado.

Entrevista e texto final: Carlos Araújo

Revisão: Humberto Oliveira

Decupagem: Hilda Beatriz