LÚCIO ALBUQUERQUE

Na Porto Velho até 1978, quando a TV-Rondônia passou a transmitir direto por aqui, o rádio era um grande informador dos fatos que aconteciam, de tristeza ou de alegria. Diariamente a partir das 18 h entrava no ar A Voz do Brasil, programa criado no Governo Getúlio Vargas. De repente o locutor dava uma notícia às vezes já esperada. Em 1943, por exemplo, o presidente Vargas criou os Territórios Federais, dentre eles o do Guaporé; em 1956, Rondônia.

Em pleno noticiário o locutor anunciava que “O ministro do Interior exonerou hoje …….., do governo do Território Federal de Rondônia, e nomeou para o cargo …………”.

Pronto, era hora de o grupo não simpatizante do governador exonerado soltar fogos, fazer festa, ainda que poucos dos que vieram a governar o Território fossem conhecidos da população.

De qualquer forma havia sempre a esperança do novo, de que algo pudesse melhorar ou, pelo menos, a festa servia para azucrinar os “puxas” de quem estivesse no poder.

Também pela Voz do  Brasil, a população soube que o presidente JK sancionara a Lei denominando Rondônia ao então Guaporé, projeto inicial do deputado Joaquim Rondon, porém, apresentado pelo deputado Áureo Bringel de Melo, nascido em Santo Antônio do Rio Madeira e naquela época integrante da bancada do Estado do Amazonas.

E foi pela Voz do Brasil que a população tomou conhecimento de que o presidente JK, desafiado pelo governador Paulo Leal, decidira mandar abrir o “outro braço da cruz” ligando Brasília a Porto Velho. Leal escreveu um livro a respeito da BR-29, depois 364.

Em 1964 o programa radiofônico oficial provocou festas e tristezas, quando um ato institucional do primeiro governo do regime militar cassou o mandato do deputado federal Renato Medeiros. Festa para os cutubas, ligados ao coronel Aluízio Ferreira. Tristeza para os peles curtas fiéis a Renato.

Pinguilite e Dom João Costa

Dom João Costa (d) com o padre Mário Castagna
Fernando José

O rádio-repórter Fernando José Gaspar, Pinguilite [+ 2011], era excelente imitador da voz do bispo Dom João Batista Costa. A qualquer hora era só “dar corda” que ele o imitava, para fazer a turma rir.

Uma manhã estávamos na sala que era depósito e Departamento de Jornalismo da Rádio Caiari, com Walmir Miranda, Ivan Marrocos e mais um que não recordo. Pinguilite, de costas para a porta de entrada está fazendo seu show.

Dom João, com aquela bata negra e sem fazer barulho vem chegando, a turma viu mas não deu tempo. O velho bispo parou, ficou escutando até que o Pinguilite, notando que ninguém ria, se virou e deu de cara com o diretor da Caiari. Foi suspenso uma semana.

Gestação

Vivaldo Garcia

Já na condição de Estado, o governador Jorge Teixeira decide exonerar da função o secretário de segurança pública, encontrado pelos jornalistas em frente ao atual presídio feminino, àquela altura só homens.

Falando aos jornalistas o secretário acusou a imprensa por noticiar sucessivas fugas e provocar rebeliões de presos.

Com um enorme gravador que mais parecia um  tijolo de oito furos, o rádio-repórter Vivaldo Garcia pergunta sobre a gestação do secretário e este, nervoso com os problemas e já avisado que fora demitido, encara Vivaldo.

“Gestação? Eu sou é macho. Gestação é coisa de mulher!”

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